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A NOVA PRINCESA DO SUL DE MINAS

Não há lugar mais seguro no país para jovens entre 12 e 29 anos do que Pouso Alegre. A conclusão é do Ministério da Justiça e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsáveis por uma pesquisa que mediu a vulnerabilidade dos jovens a uma ampla gama de violências. O município foi considerado o lugar mais seguro entre as 283 cidades do país com mais de 100 mil habitantes, fatia que concentra 104 milhões de brasileiros, equivalente a mais da metade da população do país.

Debruçando-se sobre os cinco indicadores que compõem o chamado Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ), é fácil entender porque a imprensa de todo país quis saber a receita da cidade para oferecer a melhor qualidade de vida à fatia mais exposta da população brasileira. O estudo considera homicídios e mortalidade no trânsito, pobreza, desigualdade social, freqüência dos jovens nas escolas e acesso ao mercado de trabalho.

Fica claro que para se sair bem na avaliação, o município precisa conjugar boas performances em praticamente todos os campos de atividade, desde segurança pública, desenvolvimento social, econômico e planejamento urbano até educação e infraestrutura. “Não é uma tarefa fácil. Mas Pouso Alegre pode orgulhar-se de ser referência para todo o país na forma com que trata e oferece oportunidades aos seus jovens. Estamos semeando o futuro. E cada pouso-alegrense tem sua parcela de contribuição para esse grande feito”, comemora o prefeito Agnaldo Perugini.

Índices 
A régua usada pelo Ministério da Justiça baseia-se em dados de 2007 a 2010 fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Para cada um dos cinco indicadores medidos é dada uma nota que varia de 0 a 1. Quanto mais próxima de 1, maior a exposição dos jovens àquela forma de violência. A cidade ostenta o menor índice, de 0,153. O que a caracteriza como município menos vulnerável a todas as formas de violência verificadas.

O melhor desempenho da cidade se dá na mortalidade por homicídio. O município foi o único a obter índice 0. No quesito mortes por acidentes de trânsito o risco para os jovens também é baixíssimo, 0,058. No mais complexo dos indicadores, que avalia a mortalidade por freqüência à escola e situação de emprego, o desempenho também é considerado bom, com risco estimado em 0,252 na escala. Os indicadores sociais de desigualdade e pobreza ficam na escala de risco também considerada baixa, com 0,197 para o primeiro e 0,324 para o segundo.

Proteção social
Para a secretária de Desenvolvimento Social Maria Tereza de Andrade, Pouso Alegre pode tirar proveito da ampla estrutura de proteção social que criou ao longo dos últimos anos para melhorar ainda mais seus indicadores e fazer acontecer aqui aquilo que é uma das metas do governo brasileiro: erradicar a pobreza. “Com cinco centros de referência em assistência social espalhados por todas as regiões da cidade, estamos prontos para atender as famílias carentes e cada vez mais conhecer suas necessidades”, explica.

A pasta que atua para identificar e auxiliar famílias carentes também desenvolve projetos para emancipar essa parcela da população. Um deles é o Pronatec, um programa de educação profissional voltado para pessoas com renda de até três salários mínimos. Desenvolvido em parceria com o SENAI, o IF Sul de Minas, SENAC e SEST/SENAT, apenas em 2012, 826 pessoas concluíram ao menos um dos cursos oferecidos pelo programa.

Para este ano, as inscrições já estão abertas no CRAS Central, situado a Rua São José, 376. Das 08h às 17h. Os interessados poderão optar entre 23 setores de atuação, dentre eles: auxiliar administrativo, auxiliar de recursos humanos, operador de computadores, manicure e pedicure, ajustador mecânico, desenhista industrial, cadista e eletricista industrial.

Educação e oportunidades para todos
Para o prefeito Agnaldo Perugini, apesar de ser uma tarefa difícil de ser posta em prática, o caminho para indicadores positivos não é tão misterioso como pode parecer. “A pesquisa reflete os investimentos que fizemos na educação, no desenvolvimento social e a política de atração de investimentos e incentivo ao empreendedorismo. Hoje o conhecimento e as oportunidades estão libertando muitos pouso-alegrenses que, até outro dia, tinham um leque de escolhas muito reduzido. Com caminhos dignos e prósperos disponíveis para todos, o número de jovens que seguem por caminhos tortos tende a ser cada vez menor”, considera.

Acima de tudo, no entanto, Perugini destaca os investimentos em educação como fórmula do sucesso do município. Apenas em 2012, a cidade investiu R$ 22 milhões no programa ‘Escola sem Fronteiras’, um conjunto de ações voltado para a reestruturação física, pedagógica, tecnológica e para a valorização dos professores da rede municipal de ensino.

“Além de preparar nossos jovens para as vagas de trabalho nas inúmeras empresas que chegam à cidade, o ensino é também uma forma de proteção social. Ele oferece oportunidades e liberdade, tudo isso por meio do conhecimento, que é hoje nossa maior riqueza”, avalia Perugini. Os números refletem a importância que a administração petista tem dado para a educação. Em 2012, 29% das receitas municipais foram destinados ao setor. O percentual equivale a cerca de R$ 139,5 milhões e é 4% superior ao exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O resultado disso é que, enquanto no Brasil investiu-se em média R$ 2.096 por aluno no último ano, em Pouso Alegre, o investimento foi de R$ 4.049.

Economia pujante alavanca índices
A exemplo de outros índices em que a cidade tem apresentado excelentes colocações, como no Índice Firjan de Gestão e de Desenvolvimento ou no ranking de melhor ambiente para negócios do Sebrae, a pujança econômica de Pouso Alegre ajuda o município a subir degraus extras. Fruto de uma política proativa de atração de novos investimentos, a expansão industrial da cidade apresenta números polpudos. Entre 2011 e 2013, 21 empresas de médio e grande porte terão investido R$ 1,817 bilhão no município, fazendo com que o Produto Interno Bruto local passe dos atuais R$ 3 bilhões (referente ao ano de 2010) para R$ 8,3 bilhões ao final deste ano, um avanço de 173%.

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