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LAVRAS AMARGA DEMISSÕES NA INDÚSTRIA

Com pátios lotados, montadores diminuem o ritmo de produção
Lavras, no Sul de Minas, começa a semana com um cenário sombrio na economia local. As paradas de produção que vêm sendo realizadas na indústria de veículos desde o início do ano vão se estender, no mínimo, até julho, conforme indicam as programações das empresas. No mês de março deste ano, as grandes montadoras continuaram paralisando linhas para ajustar estoques e adequar a produção a um mercado menor.

A desaceleração do setor automotivo tem reflexos diretos na economia lavrense, que possui plantas de multinacionais do setor do autopeças. A maior delas é a Magneti Marelli-Cofap, pertencente ao Grupo Fiat, que possui na cidade a maior fábrica de amortecedores da América Latina e é a maior geradora de empregos no setor industrial.

Ainda que não possua números especifícos para o setor na cidade, vários trabalhadores já teriam sido dispensados do trabalho no setor de autopeças em Lavras desde o mês de março. Há a possibilidade de que mais demissões e férias ocorram ainda nesta semana.

No polo metalúrgico do ABC Paulista, na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo, estima-se que as demissões já passam de 2.000. No ramo do plástico, desde o início do ano já foram 1.500 demissões em Jundiaí, no Estado de São Paulo. Segundo o sindicato desta categoria, metade dos cortes se deve ao setor automotivo. O setor de embalagens também deve ser afetado.

O corte de produção já chegou as fábricas da Fiat Automóveis, de Betim e da marca Mercedes Benz, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ambas em Minas Gerais. A montadora italiana confirmou na semana passada ter reduzido à metade o ritmo fabril da linha 4, responsável pelos modelos Linea, Idea e Bravo, para se ajustar ao mercado.

A fábrica da Mercedes Benz diminuiu em 20%, neste mês, a jornada, passando a trabalhar quatro dias por semana, depois de já ter concedido férias coletivas de 20 dias em abril e maio a 450 empregados, dos atuais 900. Informações relativas a volume de produção não foram divulgadas pela Fiat Automóveis, mas a montadora informou que está adequando a fábrica ao momento de desaquecimento do mercado brasileiro, assim como adotou medidas restritivas com este fim à produção em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Números da Fenabrave, a entidade das concessionárias de carros, mostram que a queda nas vendas de veículos, que fechou o primeiro trimestre em 2,1%, subiu para 5% no acumulado de janeiro a abril. Além de um mercado que diminui de tamanho com a retirada de incentivos fiscais do governo, as montadoras enfrentam restrições na Argentina que vêm derrubando suas exportações e agora lutam para normalizar estoques que chegaram, em março, a níveis mais críticos desde a crise financeira de 2008.

No momento, as montadoras ainda aguardam do governo medidas de estímulo ao crédito de veículos, assim como um entendimento entre Brasil e Argentina para destravar o comércio bilateral.

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