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MUSCULAÇÃO NAS SESSÕES DE HEMODIÁLISE

O doutorando da UFJF, Antônio Paulo de Castro, em atendimento no Centro de Tratamento de Doenças Renais.

Segundo o Censo Brasileiro de Diálise de 2012, cerca de 100 mil indivíduos na população brasileira possuem doenças renais, fazendo hemodiálise periodicamente e/ou na fila de espera por um transplante. A doença renal crônica (DRC) é caracterizada por irregularidades estruturais ou funcionais dos rins, após um período igual ou superior a três meses.

A evolução da própria doença ocasiona uma série de alterações físicas, emocionais e sociais. Problemas cardiovasculares e perda do condicionamento físico estão entre as principais complicações. Por isso, o risco de morte por acidente vascular cerebral (AVC), infarto, entre outros, é 10 a 30 vezes maior que a população em geral.

Com o objetivo de minimizar todos os sintomas da doença renal e aumentar a expectativa de vida, o doutorando em Educação Física, Antônio Paulo de Castro, juntamente com outros pesquisadores da Faculdade de Educação Física e Desportos (FAEFID) e da Faculdade de Medicina, criaram em 2014 na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) um dos primeiros projetos de pesquisa no Brasil a promover exercício físico resistido para pacientes em hemodiálise.

As atividades de musculação consistem em exercícios de estímulo de força, como levantamento de peso, repetições de movimento, manuseio de equipamentos de força, entre outros. Comumente, o exercício mais recomendado pelos profissionais da saúde é o exercício aeróbico (caminhada, hidroginástica, corrida, ciclismo). 

A vantagem do treinamento resistido se deve, no entanto, por não favorecer a perda de peso ou sobrecarga da frequência cardíaca, comuns em vítimas de doença renal, e por não comprometer possíveis problemas ósseos e de articulação do paciente, como artrites e próteses. 

Além disso, no exercício aeróbico as disfunções hormonais, relacionadas à perda de massa muscular, parece não variar, enquanto podem ser amenizadas pelo exercício resistido.

Para que o paciente seja considerado um candidato apto aos exercícios, ele precisa ter de 18 a 69 anos, estar em hemodiálise por três meses ou mais e ter liberação médica. Além disso, ele é submetido a avaliações prévias de condições clínicas, cardiológicas, funcionais e físicas, e finalmente, recebe um protocolo de atendimento com duração de aproximadamente 16 semanas de exercício resistido.
Projeto prevê de 8 a 10 tipos de exercícios por sessão de hemodiálise

Os atendimentos são feitos no Centro de Tratamento de Doenças Renais (CTDR), no bairro São Mateus, com pacientes do SUS da região da Zona da Mata. São feitos em torno de 8 a 10 tipos de exercícios por sessão de hemodiálise, numa duração de aproximadamente 50 minutos de atividade física.

A avaliação dos resultados é feita por meio de exames clínicos, avaliações cardiovasculares, funcionais e de massa corporal e um questionário de estudo da qualidade de vida (questionário SF-36 – Medical Outcomes Study 36). 

Durante as reuniões do projeto, é feita um levantamento de dados do que tem sido desenvolvido na clínica para ajustes e melhorias, análise estatística e registro de resultados, discussão e produção de trabalhos para eventos acadêmicos.

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