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PESQUISADORES DA UNIFAL-MG ESTUDAM O IMPACTO DE REJEITOS NO RESERVATÓRIO DE RETIRO BAIXO

Equipe realiza coleta de água e sedimento

Dias após o rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma equipe da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) percorreu mais de 500 km para coleta de água e sedimento no Reservatório de Retiro Baixo, que fica a 318 km da barragem do Córrego do Feijão. 

Esse reservatório está recebendo o resíduo transportado pelo Rio Paraopeba e terá a função de “segurar” esse resíduo, evitando com que chegue ao Reservatório de Três Marias, já no Rio São Francisco.

“Assim que ficamos sabendo do ocorrido, nossos esforços foram para realizar a coleta de amostras de água e sedimento do Reservatório de Retiro Baixo antes da chegada do resíduo”, relata o professor Gunther Brucha, do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), do campus Poços de Caldas da UNIFAL-MG. 


Com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), que viabilizou a logística da coleta, a equipe, composta pelos docentes Gunther Brucha e Diego Sardinha, e pelo técnico Deivid Saldanha, realizou coleta de água e sedimento no Rio Paraopeba e no Reservatório de Retiro Baixo.

Segundo professor Gunther, as coletas foram realizadas entre 2 de fevereiro e 29 de abril, sob a coordenação do professor Diego Sardinha e pelo técnico Cochise Ricci Libanio, do ICT. Durante o período, foram feitas análises de qualidade da água a partir das amostras coletadas em três profundidades (superfície, meio e fundo do reservatório). 

A equipe também está desenvolvendo ensaios de caracterização do metabolismos do reservatório com o sedimento coletado. 

“O reservatório tem uma profundidade que chega a 40 metros, portanto, no seu sedimento ocorre o predomínio do metabolismo anaeróbio”, explica, afirmando que estão em andamento ensaios de Atividade Metanogência, Sulfetogênica, Redutora de Ferro e Desnitrificante com as amostras de sedimentos coletados antes e após a chegada do resíduo.

Sob a coordenação do professor Gunther e da professora Renata Piacentini Rodriguez, os alunos do curso de Engenharia Ambiental foram envolvidos na realização dos ensaios feitos no laboratório. 

“A caracterização da comunidade microbiana, através de análises metagenômicas e ensaio de resistência microbiana, também estão sendo realizadas por alunos de Iniciação Científica voluntária com a participação da professora Maria José Santos Wisniewski e do técnico Deivid Saldanha, do Instituto de Ciências da Natureza da Universidade, em Alfenas”, conta. 

Conforme professor Gunther, essa equipe está responsável pelas análises da comunidade zooplantônica da coluna d’água e do banco de ovos no sedimento, visando avaliar os impactos da tragédia sobre estes organismos. 

“Esses organismos, importantes elo da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos, são fundamentais  para a ciclagem dos nutrientes, além de serem considerados ótimos bioindicadores de qualidade ambiental”, afirma o técnico Deivid. “Os resultados de todas essas análises serão analisados conjuntamente para que possamos determinar o grau do impacto causado do resíduo de Brumadinho”, enfatiza professor Gunther.

A equipe está em busca de parceira para financiamento do projeto. “Ainda pretendemos realizar mais três coletas de campo, mas para isso precisamos de apoio financeiro, pois as análises realizadas até o momento foram financiadas pelos próprios pesquisadores envolvidos no projeto com auxílio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós Graduação, mas com a atual crise na ciência brasileira, não teremos mais dinheiro para continuidade do projeto”, lamenta o pesquisador. 

O grupo pretende lançar uma campanha de financiamento coletivo para finalizar essa importante pesquisa.

Fazem parte da equipe UNIFAL-MG: professor Gunther Brucha (ICT), professor Diego  de Souza Sardinha (ICT), professora Maria José Santos Wisniewski (ICN), técnico Deivid Saldanha (ICN), técnico de Cochise Libanio (ICT) e a professora Renata Piacentini Rodriguez (ICT).

com Ana Carolina - da assessoria da UNIFAL-MG

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