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FABRICAÇÃO DE BLOCOS NO PRESÍDIO DE NEPOMUCENO OFERECE OPORTUNIDADES E REDUÇÃO DE GASTO PÚBLICO

Produção é feita com o apoio do município e da rede local de empresários, que mantêm parcerias para além do projeto

Com a colaboração de comerciantes locais e da prefeitura municipal, o Presídio de Nepomuceno, no Sul de Minas, iniciou, na segunda quinzena de novembro, a fabricação de blocos de concreto. A produção é de, aproximadamente, cem peças por dia. Dois detentos atuam na confecção dos materiais, que estão sendo utilizados para reformas de celas e do prédio administrativo. O diretor-geral do presídio, Dione Almeida, afirma que o material também poderá ser utilizado em uma futura reforma ou ampliação da unidade.

A fabricação dos blocos dentro do presídio, além de trazer sustentabilidade financeira, otimizando os cofres públicos, ainda gera oportunidade de ressocialização, profissionalização e remição de pena para os custodiados. Geralmente, os presos que já trabalham no presídio são indicados para empresas parceiras.

Dione conta que a gestão do presídio está diretamente ligada à comunidade, que entende a sua responsabilidade social e está sempre disposta a ajudar. “Alguns construtores, que nos apoiam em diferentes projetos, costumam receber egressos em suas empresas, após eles demonstrarem suas aptidões intramuros, dando-lhes uma oportunidade no mercado de trabalho”, destaca o diretor.

Um dos empresários que abre portas para contratação da mão de obra do sistema prisional é o engenheiro Luiz Fernando Simão. Ele, que também apoia o projeto da fabricação de blocos, conta que, nos últimos oito anos, mais de cinquenta egressos já passaram por sua construtora e, atualmente, seis integram o quadro funcional.

“Acredito que eles devem ter o direito de se reintegrar, e esse primeiro contato da pessoa que sai do cumprimento da sentença para a sociedade, é muito difícil. A maior dificuldade, quando se conquista a liberdade, é o primeiro emprego. Por isso, sempre temos um grupo de egressos que trabalha conosco. Para eles se reintegrarem à sociedade no campo profissional, procuramos capacitá-los diante de suas necessidades, e muitos vão angariando novos postos na empresa ou, até mesmo, em outras”, pondera Fernando. O empresário acredita que a ideia da fabricação de blocos na unidade é importante, não só pela sustentabilidade que ela proporciona, mas também porque “um dos ramos que mais emprega, atualmente, é a construção civil”.

Experiência
Com experiência de quatro anos como serralheiro e montador de estrutura elétrica, James Gonçalves, de 24 anos, fez o primeiro molde, após pesquisas orientadas pela gestão da unidade. Ele é um dos dois detentos que integram o processo de fabricação. “Nunca tinha feito um bloco antes, mas achei que tinha capacidade. Meu colega também nunca trabalhou com isso, estamos pegando a prática juntos”, compartilha.

Na adolescência, James não terminou o segundo grau, por conta do trabalho, mas finalizou os estudos no presídio, por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Entretanto, conta que seus planos para o campo acadêmico vão além do já alcançado. “Pretendo fazer engenharia mecânica ou mecatrônica, por isso, farei o Enem PPL (Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade) em janeiro. Passei pela fatalidade de ir pela influência de outras pessoas. Quero ter a oportunidade de reconstruir a minha história”, ambiciona.

O colega mencionado por James na confecção de blocos é Everton da Silva, de 26 anos, que trabalha como pedreiro desde os 18 - profissão que aprendeu com o pai. Ele, que pretende retomar a vida, voltando para o ofício na reforma e construção, conta que o novo aprendizado pode contribuir para sua jornada. “O bom é que trabalho com isso e aprendi uma coisa a mais. É importante para o reeducando ter oportunidade de trabalhar e voltar para a sociedade de cabeça erguida. Tenho apenas que agradecer”, observa.

Além dos blocos
O secretário municipal de Obras, Eder Nascimento, conta que a parceria do município com o presídio não se resume apenas ao projeto de fabricação de blocos. Há um diálogo próximo, que beneficia a população de Nepomuceno. “Firmamos projetos, constantemente, com a unidade, que são de mão dupla. Temos detentos, por exemplo, que, com autorização do juiz e acompanhamento, fazem a manutenção de algumas áreas urbanas do município: corte de grama, limpeza de rua e limpeza de praças”, esclarece.

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