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PESQUISADOR IDENTIFICA DIMINUIÇÃO DOS CAMPOS DE ALTITUDE NA ÁREA URBANA DE POÇOS

Perda está relacionada ao crescimento urbano, ao aumento da presença de espécies exóticas invasoras e à silvicultura

Um estudo técnico desenvolvido por um pesquisador da área de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) apontou alterações do uso e cobertura do solo das áreas dos campos de altitude na região urbana de Poços de Caldas. O resultado mostrou que, em um período de 13 anos, houve a redução de mais de 1/4 das áreas de campos de altitude do município.

A pesquisa foi desenvolvida por Rafael de Souza Mendes da Silva, formado em Engenharia Ambiental e em Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia pela UNIFAL-MG, em colaboração com os colegas pesquisadores: Angela Liberali Pinheiro (Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas), Flávia Nogueira Pereira (UNIFAL-MG), João Paulo de Lima Braga (Prefeitura de Poços de Caldas), Mariana Azevedo Rabelo (Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas) e Ernesto de Oliveira Canedo-Júnior (UEMG). Rafael Silva atualmente é aluno especial do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da Universidade.

Ao explicar o que são campos de altitude, Rafael Silva detalha que são os campos inseridos no bioma Mata Atlântica, que se configuram como locais onde existem plantas de pequeno porte, como capins, orquídeas, samambaias e outras ervas, além de alguns arbustos esparsos. “Isso acontece pois o solo destes lugares é bastante raso e repleto de rochas, o que impede o crescimento de árvores de porte maior”, conta.

Conforme explica o engenheiro ambiental, o que motivou o estudo foi a observação das diversas atividades humanas que estavam provocando a diminuição dos campos de altitude em Poços de Caldas. Como analista ambiental da Fundação Jardim Botânico da cidade, Rafael Silva atua nas áreas de conservação ambiental, propagação vegetal, legislação ambiental e geoprocessamento.

“Como exemplo dessas atividades humanas, há a expansão urbana e o aumento da presença de espécies exóticas invasoras, aquelas que foram trazidas pelos seres humanos de outros países ou regiões, e se espalham de forma muito agressiva, como a braquiária. Então, decidiu-se analisar melhor a questão, no intuito de contribuir com ações conservacionistas”, explica.

O embasamento teórico sobre os campos de altitude, sua importância e as ameaças à sua conservação, foi construído por meio de pesquisa em diversas plataformas, como Scielo, Google Scholar, CAFe Capes. Já os resultados foram obtidos por meio de observações de campo e principalmente imagens de satélite da área de estudo. O trabalho foi realizado entre os anos 2021 e 2023.

Segundo o engenheiro ambiental, o fato de impedir o crescimento das árvores não significa que esses campos não tenham valor. “Muito pelo contrário”, ressalta. “Esses campos possuem centenas de espécies de plantas, muitas delas raras e ameaçadas de extinção. Além disso, fornecem diversos elementos importantes, como plantas medicinais e comestíveis, ainda pouco estudadas, servem como área de recarga de lençóis freáticos, contribuem com a absorção de carbono e a redução da temperatura, ajudam na regulação do ciclo hidrológico e assim, diminuem a chance de enchentes e inundações, como aquela que prejudicou a região central de Poços de Caldas em 2016”, relata.

O pesquisador esclarece que a árvore é um antigo símbolo da natureza, o que leva a sociedade a proteger com mais empenho os ambientes onde elas se encontram em maior número, como as matas ou até mesmo a arborização urbana. “Aqueles ambientes que não possuem ou têm poucas árvores, como os campos de altitude, são desvalorizados, muitas vezes confundidos com simples pastagens e desta forma têm sua proteção negligenciada”, analisa.

As mudanças avaliadas pelos pesquisadores foram as de cobertura nas áreas de campos de altitude ocorridas no período entre 2007 e 2020. “O ano inicial, 2007, foi escolhido pois é posterior à Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) que apresenta as diretrizes para a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica e seus ecossistemas associados, como os campos de altitude”, diz Rafael Silva.

Duas imagens de satélite da área de estudo capturadas com uma diferença de cerca de 13 anos foram comparadas pelos pesquisadores. “Observamos na imagem mais recente, onde ocorreram mudanças nas áreas de campos de altitude vistos naquela mais antiga e de que tipo eram essas alterações”, detalha. “Estas áreas de mudanças foram demarcadas, identificadas e quantificadas utilizando um programa computacional de mapeamento e assim, descobrimos os tipos de alterações e quais eram as mais expressivas”, complementa.

*Da assessoria da UNIFAL-MG

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