
A região do Sul de Minas apresenta número insuficiente de leitos de UTI. Atualmente existem centrais de regulação de vagas, mas o problema ainda não foi resolvido. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o estado mineiro possui 1.307 leitos de UTI, mas seriam necessários ao menos 1.828 vagas. Na região sul, o déficit é de 48 leitos. Atualmente há 181 leitos disponíveis, mas a demanda é de 229 vagas. Uma central de regulação de vagas foi criada na região em 2006 e ao todo são 13 unidades espalhadas pelo estado. Em Alfenas, ela é responsável por 14 mil internações por mês e mais de 2 mil transferências. O coordenador da central, Cláudio de Lima Alves, explica que o sistema funciona 24h e trouxe vantagens.
“Acabou aquilo de você pegar o paciente, colocar numa ambulância e sair passeando pela estrada, buscando leito, para internar em algum hospital que tivesse vaga”, garante ele, “a partir do SUS Fácil, passou-se a ser feito via internet e, com isso, o paciente é transferido com a vaga reservada para chegar naquele hospital e ter um atendimento adequado”. Na prática, no entanto, o caso da família de Ana Paula Pereira prova que nem sempre o sistema funciona. De acordo com ela, o site estava fora do ar quando procurou ajuda para seu pai: “como esse é o SUS Fácil? É o SUS mais difícil do mundo! Foi terrível, aquele sofrimento terrível de ver meu pai morrer ali e nós não podíamos fazer nada”, reclama. O pai da costureira teria batido a cabeça em um acidente e morreu três dias depois, no feriado de 1º de maio deste ano. Apesar de ter sido socorrida no hospital de Cambuí, a vítima precisava de um neurologista e foi transferida para Pouso Alegre. O hospital de Cambuí informou que não há um neurologista pela falta de recursos. A costureira conta que tentou transferi-lo para São Paulo, mas lhe foi dito que era necessário que ele fosse atendido no Sul de Minas. Agora, sua família pretende levar o hospital à Justiça.
O coordenador da central de Alfenas explica que, para que o sistema funcione de forma eficaz, é preciso uma participação mais intensa dos hospitais e com informações certas. “Responder no tempo correto, mandar as informações para nós de forma completa, de forma consistente, para que a interpretação por parte do médico regulador seja a interpretação correta do caso”, informa ele. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, uma reunião entre o governo e representantes dos municípios que têm interesse em leitos de UTI deve ser feita no mês que vem e as propostas serão enviadas ao Ministério da Saúde.
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