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MAIS DE 100 MIL VÃO ÀS RUAS DE BELO HORIZONTE

Manifestação histórica para a capital mineira. Dezenas de categorias paralisam atividades. Manifestações acontecem no interior e mobilizações continuam

por Rogério Hilário

Em uma manifestação histórica, mais de 100 mil pessoas foram às ruas de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira, 15, para protestar contra a PEC 287, que significa a destruição da Previdência Social.

O protesto fez parte do Dia Nacional de Paralisação contra a reforma da Previdência. Metroviários, trabalhadoras e trabalhadores dos Correios, da Copasa, da Cemig, da educação estadual, da rede de ensino privada, servidores públicos municipais de Belo Horizonte, técnico-administrativos do ensino superior,  servidores da Justiça de 1ª Instância, auditores fiscais da Receita de Minas Gerais, metalúrgicos de BH,

Contagem e Betim, entre outras categorias, paralisaram as atividades. Manifestações e paralisações aconteceram em todo Estado. A rede estadual de ensino, que também luta pelo piso nacional e cumprimento de acordo assinado pelo governo do Estado, segue em greve por tempo indeterminado.

Em Belo Horizonte, as concentrações aconteceram em três locais, a maior delas na Praça da Estação – as outras foram da Praça 7 e na Praça Afonso Arinos.


A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), a CTB, demais centrais, dezenas de categorias, organizadas por sindicatos, federações e confederações, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, estudantes, dirigentes e militantes de movimentos sociais participaram da manifestação.

Em discursos e palavras de ordem, eles defenderam a Previdência Social, a democracia, direitos e conquistas e gritaram “Fora, Temer”, “Não aceitamos mudanças de retirem nossos direitos”, “Aposentadoria digna não é a favor”, “Ou para a reforma, ou paramos o Brasil”.

Em passeata, os manifestantes deixaram a Praça da Estação. No trajeto até a Assembleia Legislativa (ALMG), eles dialogaram com a população sobre a importância da união de todos contra a PEC 287 e receberam várias manifestações de apoio de motoristas, transeuntes, trabalhadores e de moradores de prédios, que balançaram panos vermelhos.

A marcha passou pela Praça 7 e Praça Raul Soares, antes de chegar ao Hall das Bandeiras da ALMG, onde foi realizada uma audiência pública contra a reforma da Previdência Social, com a presença de Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência no governo Dilma Roussef.

“Não podemos parar um dia só de protestar. Esta proposta não tem emendas, precisa ser barrada totalmente. Somos mais de 100 mil aqui na Praça da Estação, e outras concentrações acontecem por Belo Horizonte. Dezenas de categorias paralisaram as atividades na capital e no interior do Estado, onde os protestos acontecem hoje em todas as regiões, mas a educação estadual vai ficar parada por tempo indeterminado. Temer se aposentou cedo, assim como muitos políticos, mas nós, trabalhadoras e trabalhadores, e não vamos nos aposentar, se passar esta reforma. Tentam nos iludir com o falso discurso do déficit. Para as profissionais de educação a reforma significa adoecimento e expulsão do mercado de trabalho. Quem vai conseguir ficar numa sala de aula por 49 anos? Não há emenda,  vamos barrar a PEC 287 totalmente”, afirmou Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT/MG.

As manifestações começaram de madrugada. Ainda pela manhã, por volta de 6h30, petroleiras e petroleiros e integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fecharam a BR-381 no sentido São Paulo.

A mobilização durou aproximadamente 1h30 e os manifestantes seguiram em passeata até a portaria da Regap, onde houve um ato em repúdio à PEC 287. De lá, eles seguiram para a Praça da Estação.

Segundo Leopoldino Ferreira de Paula Martins, da diretoria colegiada, na produção, 70% pararam e, na administração, a adesão foi de 60%.

“Desde as 6 horas paramos a Refinaria Gabriel Passos (Regap) e trancamos a BR-381. Nós debatemos muito, em assembleias, as consequências da PEC 287, e os efeitos da privatização da Petrobras, que estamos sofrendo.”

Nos Correios, a adesão à paralisação superou os 70% no total, avaliou Robson Gomes Silva, do Sintect-MG.

“Algumas unidades pararam totalmente, outras, parcialmente. A categoria entendeu que não há outra saída, temos que lutar, e muito, contra a reforma da Previdência. E precisamos estar nas ruas para barrar esta proposta. Debatemos muito o assunto em assembleias, distribuímos panfletos nas agências. E nossa luta também é contra a terceirização e um projeto, ainda pior que o PL 4.330, está na pauta do Congresso”, disse Robson Gomes Silva.

As ações contra a reforma da Previdência Social e a pauta golpista de retirada de direitos e conquistas continuam.

Os deputados federais mineiros foram convidados para um café da manhã na Assembleia Legislativa (ALMG), às 9 horas da próxima segunda-feira, 20 de março, para  dizer, publicamente, seu posicionamento sobre o projeto.

No dia 31 de março, acontece o Congresso Extraordinário da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), que também será na ALMG.

“Vamos aglutinar forças em defesa da democracia, num dia em que o golpe de 1964 completa 53 anos. Vivemos uma ruptura democrática. O dia 31 é um momento de Minas parar novamente.  Vamos debater as pautas da conjuntura nacional”, disse Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT/MG.
da assessoria CUT-MG

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