Pular para o conteúdo principal

CRESCIMENTO ORDENADO

São célebres e recorrentes exemplos de cidades que, ao experimentar ciclos duradouros de crescimento, deixaram de lado o planejamento urbano e viram parte dos avanços conquistados se converter em degradação. 
 
Para fugir desse indesejável efeito colateral do desenvolvimento, Pouso Alegre, no Sul de Minas, se dedica à modernização das leis que regimentam o uso, a ocupação do solo e a disposição urbana em todas as suas dimensões. Não se trata de uma discussão trivial. Até o final de 2013, ao menos quatro projetos de leis foram elaborados pelo Executivo e aprovados pela Câmara de Vereadores com a missão de estabelecer as regras fundamentais sobre as quais será baseada a expansão urbana da cidade pelas próximas décadas, quando sua população pode triplicar, se aproximando de 500 mil habitantes.

O conjunto de leis moderniza e complementa o Plano Diretor Municipal, estabelecendo critérios a serem observados na construção e disposição de imóveis, conforme sua localização e finalidade. Dentre as mudanças mais importantes está a reformulação dos zoneamentos urbanos, regiões cuja finalidade de ocupação é pré-definida no Plano Diretor. 
 
A partir de agora, além de definir áreas de ocupação residencial, comercial, industrial e de interesse social, ao zoneamento urbano foram agregados dispositivos para preservação do patrimônio histórico, incentivos para a verticalização em locais delimitados e medidas mitigadoras para preservação do meio ambiente. “São alterações que projetam o crescimento da cidade de forma ordenada, democratizam o espaço urbano e orientam a expansão urbana de forma a preservar a qualidade de vida das pessoas”, explica a secretária de Planejamento Urbano, Sandra Matos.

Para preservar o patrimônio histórico foi criado o hipercentro, uma delimitação precisa do espaço mais tradicional do Centro. Ali, as regras de proteção impedem que as características arquitetônicas dos prédios históricos sejam alteradas. A ação preservacionista vem associada a uma medida modernizadora. A zona mista de verticalização também foi reformulada, estabelecendo-se razão entre o tamanho da área disponível para construção e o número máximo de andares das construções verticais. Na prática, permitirá o surgimento de arranha-céus, aumentando a oferta de imóveis e diminuindo a especulação imobiliária.

A preocupação com o meio ambiente está presente nos dispositivos que atrelam concessões previstas em lei mediante adoção de medidas sustentáveis. É possível, por exemplo, reduzir a taxa de permeabilidade legal de uma determinada construção desde que sejam apresentadas medidas mitigadoras, como a colocação de recipientes para captação e aproveitamento da água da chuva.

Racionalização do espaço
Com uma concentração crescente de pessoas e veículos, um dos objetivos do conjunto de leis é a racionalização dos espaços urbanos. Nesse quesito, a legislação urbana foi adaptada ao à legislação federal, que já traz essa preocupação, de modo a padronizar os recuos entre áreas edificadas e calçamento, além de estabelecer as diretrizes para as dimensões de vagas de estacionamento.

Regularização
Mas para seguir em frente, tomando como base um novo conjunto de diretrizes, o município fez concessões para garantir uma transição sem impactos sociais. Abre-se às construções cujas dimensões estejam dissonantes dos padrões técnicos e urbanísticos a possibilidade de negociar com a Secretaria de Planejamento Urbano medidas mitigadoras a serem definidas pelo órgão. Terão direito à concessão, apenas obras iniciadas até a data de publicação da lei, que é de 13 de dezembro de 2013. A regularização se torna possível através da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e pagamento de taxa pecuniária de regularização.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TOMBAMENTO DE CARRETA

Tombou, agora, uma carreta de cerveja na Rodovia Fernão Dias (BR-3821), na pista sentido Belo Horizonte, no km 721, na região de Carmo da Cachoeira. A faixa da esquerda está interditada em os ambos sentidos. No momento, trânsito está fluindo sem lentidão. Motorista sem ferimentos graves. Imagens @transitofernaodias *Por Sebastião Filho 

BOLSONARO CONDENADO

Nesta quinta-feira (11), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, condenar os oito réus do Núcleo 1 da ação penal 2668, a trama golpista. A AP 2668 tem como réus os oito integrantes do Núcleo 1 da tentativa de golpe, ou “Núcleo Crucial”, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR): o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF; o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu-colaborador); o ex-presidente da República Jair Bolsonaro; o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa. A acusação envolveu os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de E...

FESTANÇA COM ORÇAMENTO PÚBLICO: MUNICÍPIOS MINEIROS DESPEJAM MILHÕES EM SHOWS E EVENTOS

Por muito pouco, duas dúzias de municípios mineiros não colocaram R$ 18,9 milhões do orçamento público em contratos de shows e infraestrutura de eventos. Este movimento é um exemplo concreto de inversão de prioridades, quando o orçamento da administração pública segue a trilha do capital político de curto prazo em detrimento à obrigação constitucional de garantir serviços básicos e contínuos à população. Relatório elaborado pela Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) brecou gastos que estavam na mira das prefeituras de Capelinha, Crucilândia, Ipaba, Ipatinga, Nazareno, Peçanha, Sacramento, Santa Bárbara do Tugúrio, São João da Ponte, São João do Oriente, São Vicente de Minas e Várzea da Palma. O escopo do estudo elaborado pela área técnica do Tribunal abrangeu o exercício orçamentário desses municípios em 2024 e o planejamento para 2025, auditando contratos de shows e aluguel de equipamentos e infraestrutura. O r...