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MULHERES AINDA SÃO MINORIA NA ÁREA TECNOLÓGICA

Lançamento do Programa Mulher, do Sistema Confea/Crea e Mútua, em Minas, busca diminuir essa desigualdade

A discrepância entre homens e mulheres no meio tecnológico ainda é uma realidade brasileira. Números do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) mostram que menos de 20% dos 981.380 profissionais registrados em todo o Brasil são mulheres. Em Minas, essa realidade não é diferente. 

Dos mais de 132 mil profissionais ativos registrados no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), 19,6% são do sexo feminino, contabilizando pouco mais de 26 mil registros. Mesmo em quantidade inferior em relação aos homens, houve um avanço no número de mulheres registradas nas diversas modalidades no Crea-MG nos últimos anos. 

Em 2010, por exemplo, foram 980 novos registros femininos, enquanto que em 2019 esse número saltou para 3.155, um aumento de 222%. A maioria dos registros foi na modalidade de civil, com 2.382, seguido por mecânica e metalúrgica, com 272, e elétrica, com 191.

Embora seja observada essa progressão, ainda há um longo caminho para diminuir a diferença entre os gêneros. Uma das ações para promover essa igualdade na engenharia, na agronomia e nas geociências é o Programa Mulher, do Sistema Confea/Crea e Mútua. 

Lançado em 2019, o programa tem como objetivo fomentar a elaboração de políticas de incentivo para a atuação e protagonismo de mulheres dentro das diversas entidades de classe e Regionais. Essa iniciativa também vem com o propósito de atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

A versão mineira do programa será lançada no próximo dia 04 de março, e terá 21 representantes de instituições de ensino, sindicatos, entidades de classe, poder público, profissionais do Sistema e Crea Jr. 

“Implantar um programa a nível federal e agora também a nível estadual para olhar para essas mulheres de forma igualitária é um avanço muito grande. Precisamos mostrar para as profissionais que o Sistema se importa com elas”, afirma a engenheira civil Flávia Roxin, que é representante das Coordenadorias Nacionais de Câmaras Especializadas no comitê gestor do Programa Mulher.

Flávia explica que será feito um levantamento detalhado trazendo um trabalho de pesquisa mais amplo, dados estatísticos e mapa da participação feminina, de forma a entender o que acontece com as profissionais desde a sua graduação. 

“É necessário fazer acontecer, tirar do papel e propor ações práticas que tragam resultados em curto prazo, trabalhar de uma forma que atraia o interesse das profissionais em participar das ações e contribuírem com as mudanças”, garante a engenheira.

No próprio Crea-MG, a representação feminina ainda é bastante tímida. No plenário da casa, as mulheres correspondem a 9,2% do número total de 108 conselheiros. No comando das 64 Inspetorias do Crea, espalhadas por todo o estado, são 10 mulheres como inspetoras-chefes. 

“Acredito que, por ainda sermos a minoria dentro do Conselho, ao contrário da população brasileira em que as mulheres são maioria, falta um movimento maior para que seja aplicada a igualdade na área tecnológica. As mulheres são tão capazes quanto os homens para fazer o que elas quiserem e trabalhar com o que se dispuserem”, pontua Flávia.

Para o presidente do Crea-MG, engenheiro civil Lucio Borges, o Programa Mulher vem reconhecer a importância da presença feminina nos espaços decisórios. 

“Na nossa gestão, sempre tivemos a participação de mulheres na diretoria. Entendemos a importância dessa participação e, por outro lado, sabemos das dificuldades que elas enfrentam no mercado de trabalho. Então, o Programa Mulher vai potencializar as vozes das profissionais para que elas tenham o devido reconhecimento de sua atuação e contribuição para o desenvolvimento da sociedade”, ressalta Lucio Borges.

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