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"NÃO SE CALE": TÉCNICA DE ENFERMAGEM VÍTIMA DE OFENSAS RACISTAS EM POÇOS É HOMENAGEADA PELO COREN-MG

Vice-presidente do Coren-MG, Maria do Socorro Pacheco Pena, com a técnica de Enfermagem Najila Passos da Silva

A técnica de Enfermagem Najila Passos da Silva, vítima de ofensas racistas durante o plantão em um hospital particular de Poços de Caldas, foi a convidada especial do lançamento da campanha “Basta de Violência contra a Enfermagem”, realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG). O evento foi realizado na capital Belo Horizonte, na última terça-feira (20).

O Coren-MG elaborou uma pesquisa que vai ajudar a mapear situações de violência contra a Enfermagem e nortear ações efetivas de combate a episódios inaceitáveis como o vivenciado por Najila. Além do lançamento da campanha, ela também participou da mesa redonda com o tema “Enfrentando a violência ocupacional na Enfermagem: assédio, violência física e desafios cotidianos”, na programação da 26ª Semana da Enfermagem, que debate a temática “Saúde mental e o bem-estar do profissional de Enfermagem: superando obstáculos”.

Em março, durante o trabalho no hospital, Najila teria sido chamada de “urubu preto” e de “escura” por uma paciente. A profissional não se calou, registrou boletim de ocorrência, foi às redes sociais para denunciar o caso e recebeu apoio do Coren, em âmbito estadual, da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica e da Rede da Igualdade Racial do município. Em Belo Horizonte, ela esteve acompanhada da integrante da Rede, Cíntia Bernardes Penha.

“Eu fui chamada de urubu preto, é uma coisa que me comove, me machuca e me magoa demais. Em pleno século XXI, as pessoas ainda são racistas e isso é uma coisa que tem que acabar. Eu estudei para salvar vidas, estou preparada para tudo, mas não para ser ofendida no meu local de trabalho, na frente de pacientes e acompanhantes. Eu só quero que a justiça seja feita porque tudo isso dói. Eu mereço respeito”, enfatiza a técnica de Enfermagem.

A coordenadora da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, Nanci de Moraes, informa que o caso vem sendo tratado com a seriedade que exige. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que concluiu as investigações relacionadas ao caso e que o inquérito policial foi remetido ao Poder Judiciário, com o indiciamento formal da autora. Uma audiência está agendada para o dia 17 de junho.

“Queremos destacar a importância da denúncia nos casos de racismo para que as pessoas vejam que injúria racial é crime e todo crime tem que ser julgado. Não podemos deixar passar. No dia 17, a Rede da Igualdade Social estará mobilizada para apoiar a Najila durante a audiência”, ressalta Nanci de Moraes. A suspeita pode ser condenada a até 5 anos de prisão.

O caso ganhou grande repercussão e ganhou destaque em canais de imprensa de alcance nacional, como O Globo, por exemplo, além de diversos veículos estaduais, regionais e locais. Nos casos de racismo, a denúncia é fundamental para combater a discriminação, assegurar a igualdade de direitos e promover uma sociedade mais justa e inclusiva. Ao denunciar, as vítimas e testemunhas contribuem para que os casos sejam investigados e os responsáveis sejam responsabilizados.

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