Pular para o conteúdo principal

MP PROPÕE AÇÃO CONTRA A COPASA E O MUNICÍPIO DE CAMANDUCAIA

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) propôs Ação Civil Pública contra a Copasa e contra o município de Camanducaia, com o objetivo de regularizar os serviços de esgotamento sanitário na sede do município e no distrito de Monte Verde, importante polo turístico do Sul de Minas.

Conforme exposto na ação, em 2006, foi firmado entre o município e a Copasa contrato de concessão cujo objeto é a prestação de serviços de esgotamento sanitário. O Plano Municipal de Saneamento Básico, aprovado pela Lei Municipal nº 2.109/15, estabeleceu como meta a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, com tratamento de 100% dos efluentes coletados, até 2018 na área urbana da sede do município, e até 2026 no distrito de Monte Verde.



No entanto, em procedimento instaurado pela Promotoria de Justiça de Camanducaia, constatou-se uma série de irregularidades como: baixa cobertura da rede coletora, falta de manutenção nos equipamentos, lançamento de esgoto in natura diretamente no ambiente ou na rede de drenagem pluvial, ineficiência do tratamento dos efluentes que efetivamente chegam às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Para a Promotoria de Justiça, são evidentes "os impactos e riscos advindos da poluição ocasionada pelas falhas nos serviços de esgotamento sanitário de responsabilidade da Copasa e cujos acompanhamento e fiscalização competem ao município”.

A ação questiona ainda a cobrança da "tarifa cheia" pelos serviços de esgotamento sanitário, implementada em 2019, ainda que os serviços estejam sendo prestados de modo inadequado e insuficiente.

A ação requer à Justiça que seja determinada à Copasa a adoção de medidas para evitar o extravasamento de esgoto in natura diretamente no ambiente e na rede de drenagem de águas pluviais; a implementação de melhorias nas ETEs, de modo que a totalidade dos efluentes coletados seja tratada de forma eficiente; a apresentação ao município e a execução de projeto de ampliação da rede coletora de esgotamento sanitário, de forma a atender as localidades não abrangidas pelo serviço.

Requer ainda que o município elabore e institua planejamento de fiscalização de imóveis não conectados à rede coletora, nas localidades em que ela está disponível, e de lançamento de efluentes sanitários não tratados diretamente no ambiente e na rede pluvial, bem como o acompanhamento e fiscalização dos serviços prestados pela Copasa, devendo adotar as providências pertinentes, inclusive de natureza sancionatória, quando constantes irregularidades.

Pede ainda a condenação da Copasa a abster-se de lançar efluentes não tratados ou tratados de forma ineficiente diretamente no ambiente e a restituir aos consumidores, nas localidades em que há coleta de esgoto, a diferença entre a “tarifa cheia” cobrada e aquela correspondente ao serviço efetivamente prestado, e nas localidades em que não há ligação com a rede coletora, a integralidade das tarifas cobradas até que o serviço esteja efetivamente implementado. De forma solidária, condenar a Copasa e o município, a indenizar os danos ambientais decorrentes de lançamento de efluentes não tratados diretamente no ambiente e indenizar os danos morais coletivo e social, em valores a serem arbitrados pelo Juízo.

Assinam a ação o promotor de Justiça de Camanducaia, Rodrigo Fabiano Puzzi, e o coordenador regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente da Bacia do Rio Grande, Rodrigo Caldeira Grava Brazil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INSEGURANÇA NO CAMPUS

Nas últimas semanas aumentou os casos de crimes ocorridos no campus da UFLA. Setor 'sensível', segurança interna sofreu redução de gastos com mudança do quadro funcional  Segurança interna foi uma das primeiras a sofrer baixas na politica de redução de gastos e prioridades A segurança pública é uma das grandes preocupações da sociedade brasileira. Mesmo municípios pequenos e as zonas rurais estão vivenciando o aumento alarmante da prática de crimes contra o patrimônio e a vida. E nos campi das instituições federais de ensino superior (IFES) a situação não tem sido diferente. A comunidade acadêmica da Universidade Federal de Lavras (UFLA) tem vivido às voltas nas últimas três semanas com uma onda de crimes praticados dentro do campus. Os fatos ocorridos tem se concentrado na região do Ginásio Poliesportivo e do setor de Hidráulica, na parte de baixo do campus, em uma região onde existem passagens para o perímetro urbana da cidade e bairros vizinhos. Até o...

ESTUDANTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS NECESSITA DE DOADOR COMPATÍVEL DE MÉDULA ÓSSEA

A estudante de Medicina da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Giovana Baptista Caldas, 27 anos, está à espera de um doador compatível de medula óssea.  Diagnosticada com leucemia mieloide aguda em abril, a estudante está na cidade de Nova Lima para tratamento médico. Após sentir desconfortos constantes, Giovana compareceu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lavras e, após encaminhamento para o hospital Vaz Monteiro e a realização de exames minuciosos, chegou ao diagnóstico da doença.  Em poucos dias, deu início ao tratamento com quimioterapia no hospital Biocor, a 20km da capital mineira, onde está atualmente. A busca por um doador compatível ocorre por meio do Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), o qual faz a busca automática no Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome). A cada novo doador ou paciente cadastrado, a compatibilidade é verificada entre os dois sistemas. A chance de encontrar um doador compatível na famíl...

BAIRRO DE IJACI ESTÁ SEM ÁGUA HÁ 9 DIAS

Moradores não sabem mais a quem recorrer O município de Ijaci, no Sul de Minas, tem experimentado um grande crescimento urbano nos últimos anos. Este crescimento, aliado a intensa especulação imobiliária, se dá sobretudo após a instalação da fábrica de cimento e com o surgimento do reservatório da Usina Hidrelétrica do Funil, formando um imenso lago que banha entre outras cidades, o município de Ijaci. Diante disso, surgiram diversos problemas, sendo que muitos ainda se encontram diante da omissão ou mesmo ineficiência por parte do poder público local. É o caso do sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto em Ijaci. Os moradores do bairro Córrego Pintado em Ijaci, no Sul de Minas, não sabem mais o que fazer com a falta d'água em suas residências. Já são 9 dias sem água nas torneiras, o que tem dado uma enorme dor de cabeça aos moradores do bairro. De acordo com o documento  de 2018 do Plano Municipal de Saneamento Básico de Ijaci (PMSB), ano que em foi prop...