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ESCRITORES MINEIROS VENCEM CONCURSO LITERÁRIO DE OBRAS INFANTIS AFRO-CENTRADAS

Livros escritos pelos dois autores serão publicados pela Editora Eiros


A Editora Eiros, comprometida com a valorização da diversidade cultural, anunciou os dez vencedores do concurso “Histórias que Transformam”, iniciativa que visa revelar e dar visibilidade a novos talentos da literatura infantil. As obras selecionadas abordam temas da literatura afro-brasileira, afrifuturista, indígena e quilombola, reafirmando o papel da editora na promoção da representatividade e da diversidade cultural. Entre os vencedores, estão os mineiros Ricardo Evangelista e Sunamita Gonçalves.

Natural de Belo Horizonte, Sunamita Gonçalves foi uma das contempladas com sua obra Pedro e a Fruta Misteriosa. O livro conta a história de Pedro, um menino curioso que se encanta com uma fruta diferente que nunca tinha visto antes, o kiwano, e começa a fazer várias perguntas sobre ela para sua avó, que, com paciência e carinho, explica que a fruta vem da África, seu continente natal. A partir daí, Pedro se interessa pela cultura africana e fica animado ao saber mais sobre comidas, animais e brincadeiras típicas de lá. A história valoriza a curiosidade infantil, a conexão entre gerações e a importância de conhecer e celebrar as raízes culturais.

“Descobri o concurso por acaso, e quando vi o tema, foi impossível não querer participar. A cultura africana e indígena teve e tem um papel fundamental na identidade do Brasil em vários aspectos, e é claro, na literatura não seria diferente. A proposta do concurso da Eiros para o público infantil é interessante e necessária, pois a infância é uma fase crucial de aprendizado de valores, estes que nos acompanham por toda a vida”, conta Sunamita.

A ideia pra a história surgiu durante uma ida ao mercado, onde Sunamita se deparou com o kiwano e ficou intrigada. Ao perguntar no caixa se era uma variação do kiwi, foi informada de que era um tipo de melão africano. A experiência foi uma descoberta interessante e engraçada, pois não sabia se havia um jeito certo de comê-lo. No fim, concluiu que o sabor do kiwano era tão singular quanto seu exterior, e mais benéfico para a saúde do que imaginou.

“Acredito que a história pode inspirar os leitores a se conectarem com suas raízes culturais, esse livro pode inspirar os leitores nessa conexão, e isso seria uma coisa maravilhosa. Convivemos com aspectos da cultura indígena e africana diariamente, mas não nos atentamos tanto a eles. Essa é a importância das histórias. As crianças são curiosas, gostam de perguntar e isso é uma coisa muito boa. Essa troca entre perguntas e respostas é muito importante para o aprendizado e conexão emocional familiar, é uma forma de estimular o diálogo e a escuta, cria momentos de acolhimento, afeto e boas memórias, além de promover a identidade e o vínculo cultural”, ressalta.

Também de Belo Horizonte, Ricardo Evangelista, escreveu Cordel da Capoeira. O livro se trata de um cordel que conta, de forma rimada e envolvente, a origem, história e importância cultural da capoeira. Ele destaca suas raízes africanas, a resistência dos povos escravizados, a musicalidade, os movimentos característicos, os instrumentos como o berimbau e os mestres tradicionais como Pastinha e Bimba. A obra valoriza a capoeira como arte, luta, dança e herança viva da ancestralidade africana no Brasil.

Ricardo tem costume de participar de concursos na área literária no intuito de divulgar suas criações, submeter seu texto à crítica e interagir com o mundo por meio de seus versos e provocações poéticas. Para o escritor, a poesia é sua forma de atuação política cidadã, e é assim que se relaciona com o mundo.

“Cordel é poesia! A arte do Cordel é um sistema literário genuinamente brasileiro. Acredito que precisamos oferecer poesia desde a mais tenra idade, criando assim o hábito saudável da audição e da leitura. Os textos poéticos exigem que conheça os significados das palavras e a pontuação, o que faz com que a pessoa exercite mais a sua mente, além de desenvolver e enriquecer o universo vocabular. Quanto mais cedo a criança tiver contato com textos poético, mais vai se desenvolver intelectualmente”, conta o poeta.

Sua trajetória na escrita se encorajou pelo amor às palavras, principalmente pela palavra falada e cantada. Ricardo é pesquisador da oralidade e do ritmo, e se declara ativista "desde que me entendo por gente". Fez teatro popular, e escreve poemas e fala poesia em público desde a adolescência. Já atuou como professor de Sociologia e História, sempre fazendo uso da poesia e do teatro como ferramentas pedagógicas. Atualmente, trabalha no Centro de Referência da Cultura Popular Lagoa do Nado de PBH/FMC.

“Busquei como educador, promover mediação afro lúdica e criar alguns materiais afro centrados, em forma de cordel para as infâncias, auxiliando professores no ensino da história e da cultura afro-indígena das redes escolares públicas municipais e estaduais e particulares de BH. Busco incentivar a literatura cordel e contribuir para a formação de um repertório antirracista. O ‘Cordel da Capoeira’ é mais um dos vários cordéis produzidos nesta instituição”, conta.

O projeto é parte do compromisso contínuo da Editora Eiros com o fortalecimento da identidade cultural negra, indígena e quilombola, além de incentivar o diálogo entre gerações e comunidades. A proposta é estimular a produção de narrativas infantis que expressem a riqueza da diversidade brasileira, contribuindo para a construção de uma literatura transformadora e inclusiva. As obras selecionadas serão publicadas em Língua Portuguesa, com ampla visibilidade nacional e internacional. O lançamento está previsto para o final de novembro.

“Publicar por meio da Editora Eiros é um marco na carreira de qualquer autor, pois nosso compromisso com a qualidade, com o conteúdo transformador e com a visibilidade dos autores é incomparável. Para nós, cada autor publicado não apenas ganha uma plataforma de expressão, mas também se torna parte de um movimento literário de relevância nacional e internacional”, afirma Felipe Locatelli, CEO da Eiros.

As obras serão publicadas em novembro pela Editora Eiros. Mais informações podem ser consultadas no site da editora: https://editoraeiros.com.br

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