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O RIO GRANDE PERDE O FÔLEGO


Assoreamento, pesca predatória e poluição estão matando o grande rio da integração regional. Pescadores estão preocupados. O rio Grande está perdendo o fôlego


PRODUÇÃO E TEXTO: SEBASTIÃO FILHO

A pesca gostosa dos finais de semana não é mais a mesma,nem os peixes são os mesmos. Na pequena cidade de poucosde mais que 4 mil habitantes,pescar é uma tradição. Às águas calmas do grande rio não escoam mais com tanta força. Os peixes não querem mais o anzol,eles não estão mais ali,porque acima do rio foram vítimas da pesca predatória. Famílias que vivem desses seres de nadadeiras estão perdendo sua renda. A Polícia vem logo acima,mas os pescadores ilegais correm,se escondem,agem em grupo. A areia esta cada vez mais alta.Desce o rio com força. O castiga. Os ribeirinhos assistem o espetáculo de camarote,a morte do rio, ronda as suas portas. Não é um fenômeno,é a mão do homem,plantando seu próprio castigo. O rio desfalece,a espera de ajuda. Na esperança de um dia se ver bonito de novo. Uma Usina logo acima desponta com vitalidade,as águas correm para cortar grandes e pequenas cidades. O Rio Grande não tem preconceito. Passa o Imbezal e se faz lago em Ijací. Vai a Itumirim encontrar Capivarí,formando corredeiras.Se inundou Pedra Negra,preservou os manguezais. Quando vem para Ribeirão Vermelho,alegra a pequena cidade.Quem passa apressado na BR-381,se depara com a informação: “Ponte sobre o Rio Grande,extensão 382 metros,”realmente a ponte é extensa,mas,mais extenso e suntuoso e o Grande. Assim fala imponente o caboclo que depois de passar a semana na lida da roça,afoga o cansaço debaixo da ponte a pescar não somente peixes,mas sabedoria. Nos olhos castigados pela vida que teima não esperar,a tristeza de ser lavrense e saber que sua terra é a maior poluidora do que só a natureza sob força divina soube construir. “Este rio é nossa história.Se ele morrer,também vamos morrer,”matuta entendido.
Fomos atrás da prova,não é de toda mistério. Realmente o rio está morrendo. Enquanto um cria “circuito turístico,a fonte do turismo vai acabando”,indaga apreensivo o Turismólogo,que debaixo do braço carrega papéis que um dia será diploma. Se vai defender a causa do rio,não se sabe,certo só sua vontade. E os interlocutores dessa matéria vão aparecendo,mas não obrigam identidade,conhecido só o ‘riachão que vai a diante’. Os caminhões,sobre a referida ponte,passam oponentes.Embaixo ,uma turma desafia,mas a paciência,esperando um dia inteiro por um Lambari ,o trófeu. Quem sabe se descermos mais o rio. Será que Furnas será hospitaleira? Pergunta o empresário que “não perde negócios,nem o peixe no anzol”.Quis dizer com essa fala,segundo relatou,que o bom administrador arrebanha mais peixinhos.

Segunda-feira,07horas de uma manhã fria, ‘em que até pinguim ficaria com preguiça’,alguém disse ao fundo de um ônibus. As manhãs frias,agora existem por aqui. O progresso trouxe mudanças e com elas novos abitos.Pescar na Piracema,é mais proibido ainda. Os peixes sobem de elevador na Hidrelétrica do Funil,uma invenção que só estas paragens puderam testar primeiro. Mas custou caro,cerca de 7 mil peixes e alevinos morreram por asfixia.As autoridades ficaram em alerta.Mas o risco ainda está perto. Incerto só o futuro do que a natureza leva séculos para construir e o homem um minuto para destruir.
(Jornal O Corvo-10 de agosto de 2006)

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