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AÉCIO COMPRA "CAVEIRÕES" PARA A POLÍCIA MINEIRA

Sob a crítica de especialistas em segurança pública o governador Aécio Neves (PSDB) anunciou um investimento R$ 880 mil na compra de dois veículos blindados, semelhantes a tanques de guerra, conhecidos como “caveirões”, para a Polícia Militar de Minas Gerais. Um deles, que já se encontra à disposição do Batalhão de Polícia de Eventos desde o dia 22 deste mês, terá, entre outras funções, a missão de “acalmar manifestantes” lançando bombas de água de até 27 quilos por metro quadrado. Com 20 saídas para metralhadoras e fuzis, os PMs poderão utilizar armamentos de alto calibre durante as manifestações populares que ocorrerem em Belo Horizonte e região Metropolitana. O fuzil 762 ou 556 são alguns exemplos do poder de fogo do “caveirão” que não sofrerá grandes danos caso seja atacado. Sua blindagem nível três pode suportar disparos de fuzis de grosso calibre.

Pintado de preto, o blindado do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) é equipado com blindagem nível quatro e resiste a perfurações de munições antiaéreas. Uma das justificativas do governo de Minas para a aquisição do veículo é equipar a Polícia Militar de Minas Gerais para intervir, com segurança, em casos de atentados e ataques terroristas. O comandante-geral da PM, coronel Renato Vieira de Souza, diz que as unidades mineiras estão entre as melhores do mundo. “São as mais avançadas do Brasil. Em comparação ao equipamento usado pela Força Especial da Polícia da Alemanha, os nossos são mais bem equipados”, comemora o coronel.

Para o professor de sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio Souza, ao adquirir os veículos blindados o Governo de Minas transmite a ideia de que a violência no Estado não está sob controle. “Se fosse correta a premissa de que a violência em Minas está diminuindo, não haveria necessidade de investir tanto dinheiro em veículos blindados e com alto poder de ataque”. Ele também acredita que os “caveirões” representam um retrocesso na estratégia de combate ao crime. “As polícias que de fato se preocupam em combater o crime e reduzir os índices de violência investem em inteligência, investigação e prevenção. Hoje sabemos que o Estado que prioriza o uso das armas não consegue combater o crime com eficiência”, diz o professor.
Brasília Confidencial

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