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MEIO AMBIENTE: BOLSA VERDE COMPROVA EFICÁCIA NA PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Universidade Federal de Lavras aponta que apenas 0,77% da área total monitorada pelo programa sofreu supressão de vegetação nativa entre 2012 e 2015

Monitoramento realizado pela UFLA
revelou baixo índice de supressão da vegetação nativa

Apenas 0,77% da área total inserida no Programa de Apoio à Conservação Ambiental Bolsa Verde, do governo federal, sofreu supressão de vegetação nativa entre 2012 e 2015. 

O dado é da Universidade Federal de Lavras (UFLA), resultante de estudo que monitorou 35 milhões de hectares. Isso corresponde a 4% do território nacional, nas cinco regiões do País e em 22 Estados.

Lançado em setembro de 2011, o Bolsa Verde concede, a cada trimestre, benefício de R$ 300 a famílias em situação de extrema pobreza que vivem em áreas consideradas prioritárias para conservação ambiental. Atualmente, o programa alcança 76.795 beneficiários.

A divulgação dos dados do monitoramento foi feita na última sexta-feira, 19, durante seminário no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília. 

Ribeirinhos estão entre os beneficiários

Participaram gestores, técnicos e pesquisadores do MMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, da UFLA, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), além de organizações da sociedade civil que representam o público beneficiado pelo programa.

Metodologia
No início do seminário foi apresentada, pelo coordenador de Geoprocessamento da UFLA, Antônio Carlos Couto Júnior, a metodologia utilizada no monitoramento ambiental. 


A base principal para extrair as informações são imagens de satélites coletadas a partir de duas fontes: o United States of Geological Survey (USGS, um mecanismo da Nasa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). São analisadas imagens LandSat e ResourceSat, e todas as imagens utilizadas no trabalho são validadas manualmente por vários técnicos.

Ponto de partida
Para o ministro em exercício do Meio Ambiente, Carlos Klink, o Bolsa Verde congrega várias ações que vão além da conservação ambiental.  


"Devemos estar atentos para realizar o enraizamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU),  nas ações do governo. O monitoramento do programa mostra quais serão os nossos desafios no futuro e os avanços que tivemos até agora", afirmou.

O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Carlos Guedes de Guedes, disse que o Bolsa Verde é um ponto de partida e não de chegada. Ele destacou a contribuição do programa para a inclusão socioprodutiva dos beneficiados. 

"As famílias passam a ser protagonistas das políticas públicas, unindo desenvolvimento ambiental com desenvolvimento sustentável e social."

A diretora do Departamento de Extrativismo do MMA, Juliana Simões, adiantou que o próximo passo será incluir no Bolsa Verde o monitoramento da biodiversidade, como as ararinhas azuis que serão reintroduzidas à natureza em 2019, na Bahia.

Bolsa Verde
O Bolsa Verde faz parte do Programa Brasil Sem Miséria e destina-se a famílias que desenvolvem atividades de uso sustentável dos recursos naturais em reservas extrativistas, florestas nacionais, reservas de desenvolvimento sustentável federais e assentamentos ambientalmente diferenciados da reforma agrária. 

Territórios ocupados por ribeirinhos, extrativistas, populações indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais também podem ser inclusos no programa, além de outras áreas rurais definidas por ato do Poder Executivo.

Como 47% das 16,2 milhões de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza estão na área rural, a proposta é aliar o aumento na renda à conservação dos ecossistemas e ao uso sustentável dos recursos naturais.
com Letícia Verdi e Marta Moraes - da Agência Brasil
com edição de Alethea Muniz - da Agência Brasil

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