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CATEGORIA ANUNCIA GREVE GERAL NOS CORREIOS A PARTIR DE 15 DE SETEMBRO

Pedro Paulo informou que as agências franqueadas já respondem por 42% do faturamento da ECT

Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) lotaram o Auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira, 22, para denunciar o aprofundamento do que consideram um processo de sucateamento da empresa, com vistas à sua privatização.

Terceirização, precarização das condições de trabalho, troca de agências convencionais por franqueadas e privatização do plano de saúde foram alguns dos problemas relatados na audiência da Comissão de Direitos Humanos, requerida pelo deputado Rogério Correia (PT). A categoria anuncia greve geral a partir de 15 de setembro.

A categoria criticou a terceirização, as condições de trabalho, a troca de agências convencionais por franqueadas e a privatização do plano de saúde

Vários participantes da audiência lembraram que a ameaça aos Correios já dura anos e teve momentos marcantes como a abertura às franquias, na década de 1990, ou a privatização do plano de saúde dos trabalhadores, em 2011.

Mas até 2015, a empresa ainda era maior que todas as suas concorrentes no mundo, conforme acentuou o coordenador do Movimento Mundo do Trabalho contra a Precarização e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e similares do Estado de Minas Gerais (Sintect-MG), Pedro Paulo de Abreu Pinheiro.

Pedro Paulo informou que a ECT tem hoje 118.500 funcionários próprios e cerca de 85 mil temporários, número inuficiente de acordo com padrões internacionais, que consideram o tamanho da população.

A terceirização, na opinião do sindicalista, envolve riscos para a natureza do serviço, que requer sigilo e privacidade. Assim também a privatização comprometeria o papel social dos Correios, que prestam serviços variados, como o de banco postal, em pequenas cidades.

“Tudo isso está caindo por uma clara política de desmanche. Os grandes clientes foram transferidos para as franqueadas, que são de apadrinhados políticos e já respondem por 42% do faturamento da ECT”, aponta o sindicalista.

Ameaça de privatização estaria mais clara
Para os trabalhadores e deputados, a ameaça de privatização está mais clara e concreta no governo do presidente interino Michel Temer (PMDB). 

“O movimento é conhecido e atinge não só os Correios, mas a Petrobras e a Caixa Econômica. O governo sucateia e cria a opinião pública favorável para a entrega da empresa, como ocorreu com a Vale”, afirmou Cristiano Silveira (PT), presidente da comissão. Para ele, a ECT é estratégica, por sua capilaridade e por ser um patrimônio do País.

Segurança – Até mesmo a onda de assaltos a agências dos Correios pode ter relação com a terceirização, acrescentou Pedro Paulo, já que um setor estratégico, que organiza o trabalho na empresa, está há tempos nas mãos de funcionários temporários. “Tudo indica que há informações sendo repassadas”, aponta.

Ele leu carta da Prefeitura de Brás Pires, na Zona da Mata, onde o banco postal deixou de funcionar depois de sucessivos roubos à agência local dos Correios. “A direção não faz nada. É a política do quanto pior, melhor”, lamentou.

O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Jairo Nogueira Filho, também assinala que estão ocorrendo atrasos nas entregas, assim como violações de correspondências. “Só com um quadro próprio forte conseguiremos manter o nível de qualidade a que a população está acostumada”, defendeu.

Plano de saúde dos servidores foi extinto
Uma das queixas recorrentes na audiência foi o fim do plano de saúde próprio dos Correios, considerado uma das maiores conquistas dos trabalhadores. 

O presidente do Sintect-MG e também diretor da federação da categoria, Robson Gomes da Silva, afirma que o plano foi “doado” a uma instituição que gasta o dobro do antigo plano. Vários servidores reclamaram que atendimentos estão sendo suspensos pelo não pagamento aos credenciados. “O Sul de Minas está sem plano”, acrescentou Robson.

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