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MEMÓRIA RESGATADA

Marco na vida industrial, econômica e social de Lavras, história da ferrovia é resgatada em maquete feita por radialista. Destaque do trabalho, trem de passageiros deixou saudades
Segundo publicações especializadas em ferrovias, os trens para Lavras eram muito procurados até o seu final, em 1995, pela beleza de seu trajeto e pela necessidade das populações locais do pé e da serra da Mantiqueira naquela região

Durante décadas a ferrovia marcou e transformou a vida industrial, econômica e social da cidade de Lavras, município do Sul de Minas, localizado a 239km da capital Belo Horizonte. 

De acordo com informações colhidas no site Estações Ferroviárias, a estação de Lavras Oeste foi aberta em 1895, na linha de bitola métrica da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), ligando-se a Ribeirão Vermelho, que tinha então o nome de Lavras. 

A partir de então, ficou convencionado que os nomes seriam Lavras (para Lavras Oeste) e Ribeirão Vermelho (para a antiga Lavras). 

Nesta estação, a partir de 1918, mesmo ano em que foi aberta a oficina da ferrovia, passou a chegar o ramal de Lavras, então da Estrada de Ferro Sapucaí e depois da Rede Mineira de Viação (RMV), vindo de Três Corações. 

A linha-tronco da RMV, pronta somente nos anos 1940 na extensão de Angra dos Reis (RJ) a Goiandira (GO), possuía dois trens de passageiros que partiam de Barra Mansa (RJ): um no sentido de Goiás e outro no sentido de Angra dos Reis.

No final dos anos 1970, já não era possível mais se seguir de Barra Mansa a Goiandira com um trem apenas, havendo necessidade de baldeações em Ribeirão Vermelho e em Garças de Minas. 

Logo depois, com a supressão da linha no norte de Minas próxima à divisa com Goiás por causa da construção de uma represa, sobraram somente as linhas de passageiros de Barra Mansa a Ribeirão Vermelho e a de Barra Mansa a Angra dos Reis, esta transformada em linha eventual turística.

Ainda de acordo com a publicação, a linha foi construída em duas frentes entre Ribeirão Vermelho e Barra Mansa, e coincidência ou não, o trem de passageiros que sobrou no final das atividades (anos 1980 até 1991) foi exatamente o que fazia esse percurso. Ele era o que restou do trem que fazia Barra Mansa a Goiandira até os anos 1970. A extensão total da linha Angra dos Reis-Goiandira ficou pronta somente nos anos 1940.

Segundo o site Estações Ferroviárias, o fim da linha Barra Mansa-Ribeirão Vermelho - também chamado de Barra Mansa-Lavras - deu-se em 26/08/1996 (segundo Eduardo F. de Paula em 24/2/2010.), com a privatização da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Esta linha era também chamada de Mineirinho ou de Trem Mineiro.

Os trens para Lavras eram muito procurados até o seu final, em 1995, pela beleza de seu trajeto e pela necessidade das populações locais do pé e da serra da Mantiqueira naquela região.

A partir de agora, uma parte destes tempos áureos da história lavrense estão sendo resgatados pelas mãos do ferromodelista e radialista Guilherme Henrique [foto]

Em homenagem aos ferroviários, ele fez uma maquete, que mede aproximadamente 3 metros, e em que se destaca o famoso Mineirinho, que transportava os passageiros entre Lavras e Barra Mansa. 

Já se completaram 10 anos da desativação desta linha de passageiros. "O meu sonho era ser maquinista. Além desse sonho, eu sempre quis ter uma réplica", afirma o radialista.

Para Guilherme, ver o trabalho pronto resume a sensação de viver naquela maquete, os momentos sublimes de uma época promissora da história local.

"Hoje montei a minha maquete e quero continuar  ainda desenvolvendo outras miniaturas", destaca ele.

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