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INSTITUTO DE BIOLOGIA DA UFMG TESTA VACINA CONTRA A DENGUE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

 
Crianças saudáveis, que já tenham tido ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem nas faixas etárias de 2 a 6 anos e de 7 a 17 anos, podem participar como voluntárias de pesquisa que testa vacina contra dengue em seres humanos. A expectativa é de que a eficácia seja superior a 90%.

Os testes em Belo Horizonte são coordenados pelos pesquisadores Mauro Teixeira e Helton Santiago, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e vêm sendo realizados desde outubro de 2016, apenas com voluntários adultos, com idade entre 18 e 59 anos.

A adesão (que, no caso de crianças, precisa de autorização dos pais) e a aplicação da vacina são feitas diretamente no Centro de Saúde do bairro Jardim Montanhês, na regional Noroeste (Rua Padre Leopoldo Pereira, 407).

Desenvolvida inicialmente pelo National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, a vacina (TV003) estimula a imunidade contra os quatro sorotipos de vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Segundo o professor Helton Santiago, mais de 90% das pessoas que participaram dos testes até o momento apresentaram resposta imunológica compatível com proteção total, o que demonstra seu elevado nível de imunogenicidade, ou seja, grande capacidade de induzir uma resposta imunológica que leve à formação de anticorpos específicos.

A vacina foi transferida para o Instituto Butantan, que aperfeiçoou a fórmula clínica da substância. Originalmente líquida, o Instituto adaptou a vacina à forma liofilizada (em pó), o que simplifica e facilita o transporte e a sua conservação, além de torná-la mais barata.

“Para o Ministério da Saúde, essa vacina já é considerada segura como qualquer outra distribuída nos postos”, observa Helton Santiago. Ele garante que não há riscos de a vacina causar dengue. “Os voluntários podem apresentar sintomas leves, como febre e manchas avermelhadas no corpo”, diz.

Entenda as fases de testes da vacina
O desenvolvimento de uma vacina passa por cinco fases. Na fase pré-clínica, os testes são feitos exclusivamente em animais, e o objetivo é observar se a substância avaliada é tóxica e quais reações pode ocasionar.

Na fase um, os testes são conduzidos em pequenos grupos de pessoas, por meio da administração de doses diferentes, a fim de averiguar a segurança. Nessa etapa, são medidas todas as reações apresentadas. Em seguida, a vacina é encaminhada para a fase dois, na qual o laboratório testa um número maior de pessoas para verificar se a segurança se mantém e se a substância utilizada induz uma resposta imunológica.

Helton Santiago explica que, depois de considerada segura e imunogênica, a vacina segue para fase três, na qual se testa a eficácia. O Instituto Butantan patrocina os estudos dessa fase.

Após a conclusão dessa etapa, a vacina poderá receber o licenciamento, documento exigido para que os estudos possam seguir para a fase quatro, última etapa antes de ser utilizada na imunização em massa da população.
 
da assessoria UFMG

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