Pular para o conteúdo principal

EMPRESAS MINERADORAS RETIRAM BILHÕES DO BRASIL SEM PAGAR A DEVIDA TRIBUTAÇÃO

Estima-se que o subfaturamento nas exportações de minério de ferro produziram a fuga de US$ 39,1 bilhões entre 2009 e 2015, uma perda média de mais de US$ 5,6 bilhões por ano

As práticas de evasão fiscal realizadas pelas empresas extrativas minerais e seus prejuízos causados ao país, Estados e Municípios foi assunto discutido durante o painel "O Comércio Internacional e os Mecanismos de Evasão utilizados pelo Setor Extrativo Mineral Brasileiro e seus efeitos nas receitas públicas da União, Estados e Municípios" – ministrado pelo diretor de assuntos institucionais do Instituto de Justiça Federal (IJF), Dão Real, e pelo auditor Fiscal da Receita Federal de Minas Gerais, Isac Moreno Falcão. 

Palestra ocorreu durante II Encontro Nacional dos Municípios Mineradores, promovido pela Associação dos Municípios Mineradores de MG (AMIG). 

Dão iniciou fazendo uma análise dos fluxos financeiros no setor de mineração no Brasil, encontrando evidências de como as empresas extrativas minerais aplicam práticas de evasão fiscal e como consequência proporcionando lucros elevados no exterior em territórios com baixa carga tributária. 

“Estima-se que o subfaturamento nas exportações de minério de ferro produziram a fuga de US$ 39,1 bilhões entre 2009 e 2015, uma perda média de mais de US$ 5,6 bilhões por ano. Ao valor subfaturado foi associada uma perda de receitas fiscais de US$ 13,3 bilhões para o mesmo período, o que representa uma perda média anual de US$ 1,9 bilhão”, destacou.

No caso do Brasil, esse impacto é grande, pois a economia mineral tem participação bastante relevante nas exportações do país e os municípios mineradores perdem muito com o valor subfaturado declarado pelas mineradoras. 

“Com o valor do imposto menor, consequentemente o repasse da CFEM é bem menor do que o valor real que os municípios mineradores deveriam receber”, descreveu Dão.

Com base no estudo, estima-se que 70% de todo o comércio exterior brasileiro ocorra entre empresas vinculadas ou com subsidiárias em guaridas fiscais – sendo que 82% do minério de ferro comprado no Brasil vai para a Suíça. 

“O agravante das mineradoras é que elas trabalham com um recurso não renovável e que pertence legalmente a toda à sociedade. Ou seja, o que uma mineradora extrai e exporta, desaparece. Não poderá mais ser extraído, é colheita única. As gerações futuras não terão mais como explorar este recurso”.

O diretor de relações institucionais do IJF destacou que além de uma fiscalização rigorosa em torno dessa evasão fiscal praticada pelas mineradoras, o Brasil precisa repensar o modelo tributário praticado. 

“A contrapartida dada pelas mineradoras à sociedade não é suficiente, pois a participação do país na renda do setor extrativo mineral ainda está muito aquém da ideal sem compararmos com a arrecadação de outros países, inclusive concorrentes, como a Austrália. Ele citou que o aumento da CFEM para 3,5% foi uma grande conquista, mas acredita que o cenário ainda precisa melhorar e, muito. 

“O Brasil continua sendo um dos 10 países mais desiguais do planeta. Esse cenário precisa mudar”, defendeu. 

Dão finalizou sua palestra com a seguinte frase de Darcy Ribeiro como forma de motivar os gestores e demais público presente: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”.

Setor de siderurgia também pratica evasão fiscal
O auditor Fiscal da Receita Federal de Minas Gerais, Isac Moreno Falcão, deu continuidade ao painel reforçando a afirmativa de Dão: “A carga tributária paga pelas mineradores é muito pequena se formos analisar o custo alto da mineração para o país. Seja social, ambiental e pessoal”. 

Em seguida ele destacou que não somente a atividade que tem commodities que utiliza essa prática. “Empresas de siderurgia também utilizam esse ‘artifício’ para pagar menos tributos em território nacional”. 

Ele citou um exemplo didático de uma empresa que exporta produtos siderúrgicos utilizados na China, mas faturados para a Ilha da Madeira por um valor muito inferior.

“Percebemos que as notas fiscais emitidas para a Ilha da madeira eram feitas no mesmo equipamento, emitidas no mesmo momento e assinadas pelo mesmo funcionário que as notas que eram emitidas da Ilha da Madeira para a China. Então vimos que não existia empresa na Ilha da Madeira e esse refaturamento para essa localidade era meramente formal, eram só papéis. A venda era realizada diretamente para a China”, explicou.

Casos como o citado pelo auditor, apesar de não serem de uma empresa do setor extrativo mineral, mas sim da siderurgia, também impactam na arrecadação dos municípios mineradores, conforme explicado pela advogada e consultora tributária da Associação Mineira dos Municípios Mineradores (AMIG), Rosiane Seabra. 

“Impacta diretamente no repasse do ICMS e também no Imposto de Renda, pois o preço subfaturado, reflete em menos participação no índice de ICMS para repasse do imposto ao município. O imposto de renda, compõe o FPM dos municípios, com essa situação haveria menos repasse no fundo

A advogada finalizou destacando a importância de uma parceria entre a Agência Nacional de Mineração e Receita Federal para compartilhamento dessas informações. 

“O Ministério de Minas e Energia precisa se comunicar com o Ministério da Fazenda por meio dos órgãos competentes que acompanham a arrecadação das empresas mineradoras para compartilhar essas informações e evitarem prejuízos à arrecadação da CFEM”.

com assessoria

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LEI DE TRÂNSITO DE VEÍCULOS PESADOS PASSA JÁ ESTÁ VALENDO EM SÃO JOÃO DEL-REI

Neste domingo, dia 20 de novembro, passou a vigorar a nova legislação de trânsito para veículos pesados no município e normas para carga e descarga. A circulação livre de veículos pesados e de grande porte, como os de cargas e passageiros será permitida apenas nos bairros Colônia, Matosinhos e Tijuco (com total liberdade apenas no Colônia).  No centro histórico e área restrita à circulação de veículos cujo peso bruto total seja de até 8 toneladas. As operações de carga e descarga no centro da cidade serão permitidas obedecendo-se aos dias e horários estabelecidos: de segunda a sexta feira, das 08h às 18h; aos sábados das 08h às 13h; Nos domingos e feriados livres. Haverá tolerância de 30 minutos, após o término dos horários estabelecidos aos veículos que já se encontrarem em operação de descarga. A nova legislação vale para os ônibus que viajam entre estados e municípios quanto carretas e caminhões pesados. A determinação não se aplica aos ônibus que realizam o transporte dentro da...

CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE SÃO LOURENÇO, LAVRAS, VARGINHA E POÇOS DE CALDAS PARTICIPAM DE GRANDE EVENTO ESPORTIVO DO SESC EM CONTAGEM

Arena Sesc reuniu cerca de mil participantes, de várias partes do estado, que vivenciaram uma experiência similar à dos Jogos Olímpicos. O evento é um diferencial para quem participa das Escolas de Esportes nas unidades do Sesc em Minas Uma genuína experiência olímpica para crianças e adolescentes. É isso que o Arena Sesc proporcionou para 165 integrantes das Escolas de Esportes do Sesc São Lourenço, Sesc Lavras, Sesc Varginha e Sesc Poços de Caldas. Realizado anualmente pelo Sistema Fecomércio MG desde 2024, a atual edição do evento reuniu cerca de mil participantes, entre 9 e 17 anos de idade, de várias partes do estado, no Sesc Contagem, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Foram cinco dias de disputas em diferentes modalidades esportivas, palestras e uma programação dedicada a promover a integração, o respeito e o desenvolvimento pessoal e social através do esporte. A abertura oficial, com direto a cerimônia, aconteceu no dia 20 de julho (segunda-feira) e o ence...

SISTEMA REGIONAL DE INOVAÇÃO DO SUL DE MINAS CONQUISTA R$ 1,85 MILHÃO PARA IMPULSIONAR STARTUPS

Com articulação do Sebrae Minas, programa regional vai acelerar 17 startups e fortalecer o ecossistema de inovação sul-mineiro O Sistema Regional de Inovação (SRI) do Sul de Minas alcançou uma importante conquista para o fortalecimento do ecossistema de inovação sul-mineiro: a proposta “Acelera Vibra” foi contemplada na Chamada FAPEMIG/Sede 03/2026 – Novo SEED, garantindo R$ 1,85 milhão em investimentos para a execução de um programa regional de aceleração de startups. O resultado faz parte de uma seleção estadual que aprovou apenas nove projetos em Minas Gerais, entre 33 propostas submetidas. O recurso permitirá a aceleração de 17 startups do Sul de Minas, que receberão acompanhamento especializado, mentorias, conexões com o ecossistema de inovação e aporte financeiro de até R$ 70 mil cada, para impulsionar o desenvolvimento de soluções inovadoras e ampliar sua competitividade no mercado. O projeto reúne uma ampla rede de ambientes promotores de inovação distribuídos por cinco cidades...