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APLICATIVO INÉDITO E LIVRO DIGITAL POPULARIZAM INFORMAÇÕES SOBRE A BACIA DO ALTO RIO GRANDE

Coordenador do projeto, professor João José Marques, que também é pró-reitor de Extensão e Cultura da UFLA

A Bacia do Alto Rio Grande é uma importante região pecuária, de produção de grãos e plantio de eucalipto. Além disso, chama atenção de visitantes por sua beleza natural. Mapear a região e conhecer os tipos de solos que a integram, facilitando o acesso a essas informações com um aplicativo para smartphone, foi o objetivo de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Por se tratar de uma região extensa, os pesquisadores da UFLA delimitaram como Alto Rio Grande a seguinte área: do reservatório de Itutinga/Camargos à nascente do Rio Grande, na divisa de Minas Gerais com o Estado do Rio de Janeiro. 

Os pesquisadores identificaram e mapearam oito classes de solo. De acordo com o coordenador do projeto, professor João José Marques, do Departamento de Ciência do Solo (DCS) da UFLA, duas delas se destacam, por serem as mais abundantes na área: os Latossolos e os Cambissolos.

 "Latossolos tendem a ocorrer em relevo mais plano; são profundos e com poucas pedras e pouco cascalho. Embora apresentem baixa fertilidade natural, possuem facilidade de manejo, sendo preferido pelos agricultores. Já os Cambissolos são mais rasos, pedregosos e de baixíssima fertilidade; quando não tóxicos às plantas, apresentam susceptibilidade alta à erosão, sendo importante que a área seja preservada, e não se faça uso excessivo dela", explica.

As informações sobre essas e as demais unidades de mapeamento podem ser obtidas pelo aplicativo denominado JM Ground. O software pode ser baixado no Play Store para plataforma Android, de forma gratuita.

"O aplicativo desenvolvido é inovador, pois não há outras ferramentas que disponibilizem as informações de forma tão fácil e direta, trazendo identificação simples e prática dos solos, sem necessidade de conhecimentos especiais por parte do usuário", ressalta João José.

Para utilizar o software, é necessário indicar as coordenadas geográficas (latitude e longitude) da área para a qual se deseja informações ou, caso o acesso ocorra dentro da Bacia do Alto Rio Grande, utilizar a função GPS do smartphone. O próximo objetivo é estender esse aplicativo para outras regiões do Brasil. O tema também não ficará restrito a solos, podendo ser direcionado a vegetação, geologia, entre outros temas.

O software foi desenvolvido em parceria com o professor Rafael Durelli, do Departamento de Ciência da Computação (DCC), com o auxílio dos estudantes Diego Adenir Ferreira de Paula Carvalho, Polyana Pereira, Edney Pereira Pinto e William Gontijo. Diego e Edney já formaram e hoje trabalham na área de computação aplicada.

O nome do aplicativo é uma homenagem à geógrafa e pós-graduanda Juliana Mara de Oliveira, que teve a ideia de desenvolvê-lo.

Mais resultados
A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Ciência do Solo (DCS) da UFLA em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). 

"A UFLA possui uma parceria já de muitas décadas com a Cemig, que tem um interesse muito grande em conhecer o entorno de seus reservatórios para preservá-los, garantir um adequado fluxo de água e diminuir o aporte de sedimentos que tiram a vida útil deles", destaca o coordenador do projeto.

Além da Cemig, que tem grande interesse no mapeamento dessa área, agricultores que trabalham ou possuem interesse nessa região, extensionistas como agrônomos, zootecnistas, engenheiros florestais, engenheiros agrícolas, beneficiam-se com as informações disponibilizadas, sabendo quais técnicas aplicar em cada tipo de solo.

Entre os resultados da pesquisa também se destaca a publicação de um e-book pela Editora UFLA. O livro "Geomorfologia, solos e aptidão agrícola das terras da Bacia do Alto Rio Grande, Minas Gerais" foi publicado em 2018 e encontra-se disponível no repositório da Editora, com acesso gratuito. O e-book também apresenta as informações sobre os solos que existem na área, suas propriedades e características.

A pesquisa também resultou em uma tese, defendida pelo pesquisador da Embrapa, Alexandre Romeiro de Araújo.

com Greicielle dos Santos - da assessoria da UFLA

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