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PESQUISA IDENTIFICA COMPOSTOS QUÍMICOS INÉDITOS QUE ATUAM CONTRA FUNGOS CAUSADORES DE DOENÇAS

Trabalho desenvolvido por egresso do mestrado em Ciências Farmacêuticas da UNIFAL-MG é publicado em revista importante da área de produtos naturais

Em busca da identificação de compostos químicos com propriedades antifúngicas, o ex-aluno do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), Marcelo José Dias Silva, tem realizado estudos com o objetivo de descobrir os compostos presentes nas folhas de Mimosa caesalpiniifolia, mais conhecida como “cerca viva” ou “sansão do campo”, que agem contra Candida Krusei e Candida glabrata. Tais seres microscópicos são fungos causadores de doenças, principalmente em pessoas hospitalizadas e em pacientes com baixa proteção contra vírus e bactérias, com câncer ou com HIV-Aids.

Na continuação do trabalho iniciado no curso de mestrado na UNIFAL-MG, Marcelo, em parceria com a Instituição, pode identificar 28 compostos, incluindo 5 inéditos, encontrados por meio de fracionamentos bioguiados. De acordo com o pesquisador, durante esse procedimento foram usados diferentes líquidos a fim de extrair as substâncias químicas das folhas, que foram separadas em frações. “Cada fração foi colocada em contato com o fungo e, a partir disso, observou-se em qual delas o fungo não cresceu. Depois, maiores estudos foram feitos com uso de ferramentas de laboratório na busca de quem seria responsável pelo não crescimento desse fungo”, explica.

Um dos compostos encontrados age contra Candida krusei, que possui resistência a um fármaco muito utilizado pela população, o fluconazol. “O uso de medicamento sistêmico (que chega à corrente sanguínea) e tópico (uso na pele) para o tratamento de doenças causadas por fungos ainda é restrito, e é clara a necessidade de novos agentes mais eficazes e menos tóxicos para a população. Nesse sentido, as substâncias químicas extraídas das folhas de “cerca viva” constituem uma importante fonte na busca de novos medicamentos com atividades terapêuticas, em especial pela crescente resistência dos fungos aos medicamentos atuais”, afirma Marcelo.

Para alcançar os resultados, o pesquisador conta que foram realizados ensaios bioguiados antifúngicos no Laboratório de Microbiologia da UNIFAL-MG sob a supervisão da professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Amanda Latércia Tranches Dias, com o auxílio de sua aluna de pós-doutorado, Naiara C. Silva. Já os estudos químicos foram realizados na UNESP, universidade em que Marcelo faz o pós-doutorado, sob supervisão do professor Wagner Vilegas e em parceria internacional com o grupo de Alelopatia da Universidade de Cádiz (UCA), na Espanha, coordenado pelo professor Francisco António Macías. Atualmente, estudos preliminares no desenvolvimento de uma formulação farmacêutica estão sendo realizados pelo professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Mateus Freire Leite, no Laboratório de Cosmetologia da UNIFAL-MG.

Dada a relevância da pesquisa, o trabalho foi recentemente publicado pela “Journal of Natural Products”, importante revista na área de produtos naturais. “O Brasil possui uma biodiversidade enorme, mas ainda pouco explorada. Nosso objetivo foi tentar buscar, na natureza, alternativas para tratamento de doenças causadas por fungos que sejam mais viáveis, menos tóxicas, mais baratas e que estejam à disposição da população. Ao observar essa planta na beira de estradas, rodovias e campus, as pessoas nem imaginam o seu grande potencial terapêutico”, finaliza Marcelo.

com Milena Favalli Simão - da assessoria da UNIFAL-MG

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