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TRANSVEST ALÇA NOVOS VOOS

ONG que atua na educação de trans e travestis quase fechou as portas mas se reergueu através do financiamento coletivo

Durante 4 anos, a Tansvest deu aulas regulares de supletivo e pré-vestibular diariamente, com turmas cheias. Oficinas profissionalizantes e artísticas também estiveram em pauta. O resultado, muitas pessoas trans em universidades, empregos, universo artístico, fazendo sucesso por aí!

Mas por pouco a ONG que muda a vida tantos em Belo Horizonte e região fecha as portas. Por meio de um financiamento coletivo na Evoé, conseguiram não só alcançar a meta, mas conseguir verba para novos projetos. 

“Fico muito feliz com o sucesso dessa campanha, mostra como a causa trans é sim assunto urgente para muitos”, fala Bruna Kassab, diretora da Evoé. Ela afirma que em Belo Horizonte, a Transvest tem a campanha mais bem-sucedida do momento, inclusive se comparada a outras plataformas de financiamento coletivo. “As doações chegam de todas as partes do país”, completa.

“No meio de tanta coisa, tanta luta, tantas ameaças (até contra a vida de alunes e voluntaries) continuamos resistentes. Mesmo com um país violento e assassino contra pessoas LGBT (agora mais ainda com a maioria dos governantes LGBTfóbicos) e mesmo com o medo tomando conta do nosso cotidiano (agora ainda mais), estivemos sempre de peito aberto”, conta Bruno Uno, da comunicação da Transvest.

A meta agora é viabilizar a “Casa Transvest”, um abrigo para pessoas trans/travesti. “Recebemos todos os dias mensagens de diversas trans/travestis de todo canto de Minas dizendo que ouviram falar da gente, que foram expulsas de casa e que precisam de lugar. A gente precisa pra fazer esse lugar acontecer, de alcançar a nossa meta! Precisamos viabilizar que várias mulheres e homens trans expulsos de seus lares todos os dias, tenham um lugar onde se apoiarem”, explica Bruno.

Um sonho grande para ser realizado junto. As doações podem ser feitas através do link https://evoe.cc/transvest

Sobre a Transvest
No Brasil, cerca de 90% das travestis e transexuais vivem da prostituição, ficando sob perigos diários de morte e infecções sexualmente transmissíveis. A expectativa de vida de pessoas trans no país é de apenas 35 anos, só em 2017 cerca de 179 transgêneros foram mortas assassinadas por transfobia. Mortas apenas por serem quem são. E além de tudo, a maioria delas se encontra na miséria, morando nas ruas.


“Somos um projeto artístico-pedagógico que objetiva combater a transfobia e incluir travestis, transexuais e transgêneros na sociedade. Já estamos no nosso quarto ano de trabalho em Belo Horizonte e precisamos de ajuda.” explica Duda Salabert, fundadora.

O projeto pedagógico oferece, além das aulas preparatórias para o Enem e Encceja, oficinas educativas e eventos culturais. Com o tempo, o projeto ganhou novos núcleos, como o ensino de idiomas, as aulas de defesa pessoal e o apoio jurídico. O perfil das (os) estudantes reflete o contexto de precariedade enfrentando pelas pessoas trans no Brasil, sendo frequentes trajetórias marcadas pela expulsão de casa, evasão escolar e exclusão do mercado de trabalho formal.

“A necessidade de oferecer um espaço educativo de acolhimento é muito importante dadas as dinâmicas de violência e exclusão radical a que as pessoas trans estão sujeitas nas instituições de educação formal” completa Duda.

Atualmente, a Transvest conta com poucos recursos para sobreviver e manter suas atividades. Para isso conta com a ajuda de doações de no mínimo 10 reais mensais (uma cerveja por mês!) para continuar o excelente trabalho.

Sobre a Evoé
Evoé é uma plataforma de crowdfunding/financiamento coletivo que mescla apoio via imposto de renda com apoio direto. Pouca gente sabe, mas apenas ¼ dos projetos aprovados em Leis de Incentivo conseguem financiamento. 

A falta de recursos é uma das maiores dificuldades do empreendedor criativo. Em paralelo, 84% dos brasileiros não sabem que podem destinar parte do Imposto de Renda para doação.

“Sentimos que fazemos acontecer, permitindo que projetos se tornem realidade, como o Lá da Favelinha, que impacta vários jovens da periferia de BH, gerando oportunidade para eles” conta Bruna Kassab, fundadora da Evoé. 

“Acreditamos no impacto coletivo para o desenvolvimento do país. Nós nos sentimos realizados quando vemos as ideias saírem do papel, é um grande orgulho ver um projeto que auxiliamos ganhar vida, sentimos parte dele”, completa.

Em uma pesquisa realizada pela Evoé, a falta de recursos e inexperiência são dificuldades recorrentes em projetos culturais. É difícil um projeto sem experiência e visibilidade ser financiado no modelo tradicional, ao mesmo tempo que sem recursos o produtor também não consegue se desenvolver.

Os próprios produtores experientes também vem enfrentando dificuldades de se manter em um contexto de incertezas econômicas nacionais e internacionais. “É problemático que eles dependam somente do patrocínio de empresas, pois a falta dele inviabiliza o projeto, além de faltar a conexão com o public”, explica Bruna.

Para conhecer um pouco mais da Evoé, colaborar com um projeto ou apresentar uma ideia, acesse https://evoe.cc

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