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"O BRASIL É UMA POTÊNCIA EM TERMOS DE PRODUÇÃO DE ALGODÃO!"

Sarufu Ferro, extensionista rural do Projeto Shire-Zambeze, fala sobre duplicação da produção local de algodão, após o projeto de cooperação técnica

“O Brasil é uma potência em termos de produção do algodão!”. Essa foi a impressão trazida pelo extensionista moçambicano Sarufu Raiva Ferro [foto], um dos técnicos africanos selecionados para participar do curso “Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão”, realizado no âmbito do “Projeto regional para o aperfeiçoamento de técnicos africanos em cotonicultura”, que aconteceu em 2017, no Brasil, com duração de três meses.

Coordenado e financiado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (AMIPA), com o apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o curso promoveu a transferência de tecnologias e conhecimentos sobre a cadeia produtiva do algodão ao trazer 35 africanos para Catuti, no estado de Minas Gerais, para que eles conhecessem cases de sucesso na produção do algodão. 

“Foi impressionante visitar um produtor de algodão que tem praticamente as mesmas condições climáticas, de vegetação e de solo que temos em Moçambique e que produz 6 toneladas de algodão por hectare”, atesta Sarufu. “Aqui em Moçambique nós tínhamos uma média de quinhentos, seiscentos quilos por hectare, mas desde a implantação do projeto já conseguimos, em alguns casos, duplicar a produtividade”, comemora o extensionista.

Esses resultados e impressões foram dados na entrevista que Sarufu concedeu ao pesquisador da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), Flavio Avila, durante o processo de avaliação do “Projeto Regional de Fortalecimento do Setor Algodoeiro nas Bacias do Baixo Shire e Zambeze”, que está em fase final. Representantes da ABC, da Embrapa e do Centro Internacional de Agricultura Tropical da Colômbia (CIAT) encontram-se essa semana em Moçambique para a realização de uma série de entrevistas que sustentarão análise sobre os resultados e impactos do projeto.

O testemunho de Sarufu tem um peso diferenciado do testemunho dos produtores que estão sendo entrevistados durante as duas últimas semanas, tanto no Malawi como em Moçambique. Isso porque, como ponto focal do projeto na região e multiplicador das capacitações e diretrizes do projeto, o extensionista consegue ter uma visão mais global sobre como cada produtor está se desenvolvendo e sobre como a região, como um todo, está reagindo aos impactos do projeto, sendo eles sociais, ambientais, econômicos e institucionais. 

Dando o máximo
Sarufu faz parte do projeto Shire-Zambeze há 3 anos. Técnico agropecuário, 35 anos, 2 filhos, um de 6 anos e outro de 3 anos, Sarufu é funcionário público do Serviço de Atividade Econômica de Mágue, um dos distritos participantes do projeto. O técnico é ponto focal da região e atende aos 3 produtores que participam do projeto. O extensionista é o primeiro contato dos produtores quando acontecem problemas ou dúvidas relativas ao processo de produção do algodão. Com os conhecimentos adquiridos por meio das capacitações pelas quais já passou, Sarufu apoia e compartilha o conteúdo com os agricultores participantes.


“As capacitações são essenciais”, atesta. “Eu mesmo, com o projeto, conheço muito mais o algodão, mas recomendo que haja mais ofertas de capacitação em diferentes temas para que os produtores fiquem mais preparados ainda e possamos alavancar ainda mais nossa produtividade”.

O questionário aplicado pelo especialista da Embrapa tem um campo de sugestões para a melhoria do projeto. Surufu não se intimidou e sugeriu pontos que acreditam ser importantes para os produtores da região. Todas essas sugestões, assim como respostas objetivas relacionadas com os impactos em diferentes frentes, farão parte do relatório final de avaliação do projeto que vai permitir o processo de viabilização de uma segunda fase de atividades, já em negociação.

Sarufu espera que a segunda fase aconteça e que ele possa continuar trabalhando junto aos produtores familiares. “Eu dou o máximo de mim para ajudá-los”, disse. “E mesmo que o projeto não tenha continuidade eu vou continuar ajudando os produtores da região a produzir mais algodão”.

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