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PESQUISA DA UFLA AVALIA SUBSTITUIR ÓLEO MINERAL POR ÓLEO VEGETAL EM PROCESSOS INDUSTRIAIS

Objetivo é garantir a sustentabilidade ambiental e manter a qualidade das peças de aço

Poucas pessoas sabem o que significa o termo Têmpera, e tampouco sabem em quê tal processo é utilizado. Esse procedimento, muito comum em grandes siderúrgicas, nada mais é que um tratamento térmico (superaquecimento) realizado em aços para aumentar a dureza e a resistência desses materiais, que são formados essencialmente por ferro e carbono. Mas, para ser resfriado, o aço precisa ser mergulhado em soluções, usualmente, de óleos minerais, que, ao serem descartados, prejudicam o meio ambiente. 

Partindo dessa temática, a estudante Fernanda Rezende Lima, recém-formada do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de Lavras (UFLA), avaliou, em seu projeto de monografia, a substituição do óleo mineral por óleo vegetal como meio de beneficiar a natureza.

O professor do Departamento de Engenharia (DEG) da (UFLA) e também orientador da pesquisa, Leonardo Pratavieira Deo, explica que o processo de resfriamento dos aços tem um papel muito importante: “é a partir dele que garantimos maior qualidade às peças, evitando assim distorções e trincas”.

Além do óleo mineral, é possível realizar o resfriamento com água e também salmora, mas, ao executar o processo utilizando-se óleo, nota-se que os resultados finais são melhores. “Eles conferem um aumento significativo nas propriedades de resistência, estabilidade e durabilidade do aço que passa por esse tipo de tratamento, mas, em contrapartida, o óleo mineral, além de ser poluente, é também tóxico”, enfatizou Leonardo.

Nesse contexto, os óleos vegetais, mais especificamente o de girassol, tornaram-se alvos dos estudos como potenciais substitutos dos óleos minerais no processo de têmpera. O professor reforça que os óleos vegetais são extraídos de fontes renováveis e são biodegradáveis. “Tal característica favorece o meio ambiente, o que já é grande motivação para andamento dos estudos”, ressalta.

Durante a pesquisa, foram realizados tratamentos térmicos (têmpera) utilizando os dois tipos de óleo, mineral e vegetal, para comparação dos efeitos que cada um conferia à peça de aço escolhida* e utilizada. “Nesse período, diversas avaliações foram feitas e, comparando o resultado final, foi possível observar que o óleo de girassol, como meio de resfriamento, é tão eficiente quanto o mineral, mostrando-se assim como um potencial substituto dos óleos minerais.”, concluiu.

De acordo com o professor orientador da monografia este foi apenas o pontapé inicial.  “Ainda há muito que pesquisar, nessa mesma linha de tratamentos de aços é possível encontrar diversos outros estudos que vão ao encontro do desenvolvimento sustentável. Nós focamos inicialmente na sustentabilidade ambiental e na qualidade das peças de aço ao realizar essa troca, mas existe uma variável grande que pode se tornar objeto de estudo como é o caso da análise dos custos após a substituição. São ações assim que conscientizam e transformam não só as pessoas, mas tudo ao seu redor”, finalizou.

*Nessa pesquisa utilizou-se o aço (AISI 8640)

da assessoria da UFLA

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