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PROJETO DE PESQUISA DA UNIFAL-MG ESTUDA NOVO MÉTODO PARA REALIZAR TESTES RÁPIDOS

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Química da UNIFAL-MG, Laís Mendes Alvarenga, realizando um teste usando a técnica espectroscópica

Encontrar um método que permita a realização de teste diagnóstico rápido da infecção por SARS-CoV-2 na população é o principal objetivo de um estudo da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) aprovado na chamada de propostas de pesquisa para enfrentamento à Covid-19. 

Caso a metodologia investigada seja comprovada viável, ela poderá permitir que um grande número de pessoas sejam testadas rapidamente, com alta confiabilidade nos testes, possibilitando a identificação de pessoas contaminadas logo nos primeiros dias de infecção.

“Os atuais testes rápidos estão, na sua maioria, limitados a detecção de anticorpos nas pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus. O problema é que esses anticorpos só aparecem em quantidades que possam ser detectadas com confiabilidade a partir do 10º dia de infecção”, explicou o professor do Instituto de Química (IQ) e coordenador da pesquisa, Luciano Sindra Virtuoso.

De acordo com ele, o projeto, intitulado “Estratégias Integradas de biomarcadores do SARS-CoV-2 usando sistemas aquosos bifásicos e detecção – diagnóstico por espectroscopia Raman e Inteligência Artificial”, em sua primeira etapa, pretende alcançar uma melhor compreensão sobre como extrair proteínas e material genético (RNA) do vírus mantendo a integridade desses materiais de forma que possam ser preservados por longo tempo sem prejuízo para futuras análises. 

“Se conseguirmos desenvolver um novo sistema de extração-preservação da amostra à um custo viável e sem a necessidade de congelamento da amostra, isso será de enorme contribuição para garantir a confiabilidade de futuros testes de RT-PCR, principalmente, quando amostras forem coletadas em regiões do país com pouca ou nenhuma estrutura para esses procedimentos”, afirmou.

A foto mostra a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Química da UNIFAL-MG, Laís Mendes Alvarenga, realizando um teste usando a técnica espectroscópica (Crédito da imagem: Luciano Sindra Virtuoso)

A segunda etapa do projeto prevê o desenvolvimento de um sistema de detecção rápida do vírus SARS-CoV-2 a partir de amostras da saliva humana. A ideia é conseguir detectar proteínas e/ou material genético do vírus mesmo nas etapas iniciais da contaminação. Para isso, será usada uma técnica espectroscópica, chamada espectroscopia RAMAN, que se baseia na interação da luz com a amostra, para conseguir detectar componentes do vírus mesmo em pequenas proporções.

“A análise da luz espalhada permite identificar as vibrações dos diferentes componentes presentes nessa amostra gerando um gráfico (espectro) com diferentes picos, que correspondem às vibrações dos componentes presentes na amostra. Queremos tratar esses dados espectrais com uso de métodos matemáticos para identificar quais desses picos vibracionais correspondem ao material viral, separando-os daqueles relacionados a outros componentes da saliva humana”, contou o professor Luciano Virtuoso.

Segundo os pesquisadores, o método possui inúmeras vantagens, como a facilidade de coleta da saliva e a realização em curto tempo, além de baixo custo e execução por meio de um software de análise diagnóstica que elimina a necessidade de recursos humanos especializados. Outra característica ressaltada, é a de que o teste tem o potencial de fazer análises simultâneas em tempo real de forma a reconhecer diferentes biomarcadores do vírus, podendo ser utilizado para a detecção de outras infecções, como por exemplo, a dengue.

No momento, enquanto aguarda a liberação dos recursos aprovados para desenvolvimento do projeto, a equipe de pesquisa realiza testes preliminares com materiais já disponíveis em laboratórios da Universidade. 

“Nossa perspectiva é a de que conseguiremos realizar grande parte dos estudos interacionais dentro de três à cinco meses. Esperamos ainda, nesse mesmo período, já termos conseguido avançar bastante no cumprimento do primeiro objetivo da pesquisa. A segunda parte do trabalho também será iniciada em breve, mas a previsão é que seja cumprida até o final da vigência da proposta, que é de 12 meses”, finaliza o professor.

com assessoria da UNIFAL-MG

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