Pular para o conteúdo principal

ALIANÇA NACIONAL LGBTI+ APOIA A PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO DE COTAS PARA TRANS E TRAVESTIS NA UFLA

Pesquisa feita pela Andifes mostra que só 0,3% dos alunos de instituições federais se identificam como transgênero

A Aliança Nacional LGBTI+, organização sem fins lucrativos que luta pelos direitos das pessoas LGBTI+ no Brasil, declarou apoio à proposta de implementação de Cotas para pessoas Trans e Travestis na Universidade Federal de Lavras (UFLA). 

Em ofício com data de hoje, domingo, dia 11, destinado ao reitor da UFLA, professor João Chrysostomo de Resende Júnior, a organização destaca que "em vista da problematização no contexto social quanto ao reconhecimento das diferenças no que tange ao gênero e à sexualidade, nota-se que há uma parcela da sociedade que carece de inclusão nos espaços sociais. Há uma necessidade de provocar mudanças culturais, onde possamos promover a inclusão de indivíduos considerados invisíveis em nossa sociedade."

O documento é assinado por Toni Reis, diretor presidente; Gregory Rodrigues Roque de Souza, coordenador titular da Aliança Nacional LGBTI+ em Minas Gerais; Silvio Geraldo Ferreira da Silva, coordenador municipal da Aliança Nacional LGBTI+ em Lavras e Douglas Dominciano Almeida, colaborador da Aliança Nacional LGBTI+.

Pesquisa produzida a partir de dados de levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2018 com estudantes de graduação, mostra que só 0,3% dos alunos de instituições federais se identificam como transgênero. De acordo com estudo conduzido pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa (Gemaa) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o perfil da população transexual estudante de universidades federais no Brasil são em sua maioria pobres, negros, mais dependentes de programas de permanência estudantil e mais envolvidos em programas de assistência psicológica.

Este cenário leva a reflexão sobre como as cotas cumprem um papel de inserir e garantir a continuidade de pessoas trans na universidade, já consolidadas como políticas de acesso para aquelas pessoas que enfrentam violações e violências ao longo de suas vidas que impedem o processo educativo devido a sua condição, identidade e expressão de gênero.

"Sabe-se que a população Trans ocupa uma posição de vulnerabilidade, que tende a perpetuar sua marginalização. Em sua maioria, esta parcela situa-se em lugares desprovidos de oportunidades, não por uma questão de escolha, mas por uma imposição social. O preconceito enraizado as impossibilita de ter acesso ao emprego, à saúde e à educação. A violência física e moral são constantes. A violação de direitos atinge todos e todas a partir do momento em que revelam a sua identidade, onde fatos comprovam a crueldade social pela intolerância com as diferenças", destaca a Aliança Nacional LGBTI+, no documento encaminhado à UFLA.

Pesquisa feita pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostra que o emprego formal ainda é exceção para a população trans, em que 90% das pessoas têm como principal fonte de renda a prostituição. E, entre as mulheres trans negras, são 85% que ganham até 1,5 salário per capita, o maior percentual entre todos os grupos analisados pelo Gemaa.

Conforme matéria publicada pela Folha de Pernambuco, questões de ordem financeira, porém, não são as únicas que devem ser tratadas quando se fala no ingresso e permanência de transexuais na universidade. Na matéria, Sara York, mestra em educação pela UERJ e responsável pelo setor de educação da Antra, diz que a própria formação de transexuais e a presença dessas pessoas em outros espaços será importante para ampliar o número que chega à graduação.

"A Aliança Nacional LGBTI+ compactua com os propósitos da Clínica de Direitos Humanos da UFLA e todos os envolvidos, em buscar desenvolver projetos que visam a defesa de direitos fundamentais, mantendo a finalidade em dar respaldo às minorias quanto a reivindicações de direitos que ultrapassam as vontades individuais e estatais", conclui a entidade.


*Por Sebastião Filho

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

VARGINHA COMEMORA AVANÇO NA CONCESSÃO DO CORREDOR FERROVIÁRIO MINAS-RIO

Varginha celebra um importante avanço para o futuro da infraestrutura ferroviária da região. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, na última quinta-feira (27/8), a versão definitiva do edital de concessão do Corredor Ferroviário Minas-Rio, que possui cerca de 733 quilômetros de extensão atualmente operados pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A concessão prevê a divisão do corredor em dois lotes. Um deles compreende o trecho entre Iguatama (MG) e Barra Mansa (RJ), incluindo o ramal ferroviário entre Varginha e Lavras, o que representa uma perspectiva importante para o município e para toda a região do Sul de Minas. O segundo lote contempla o trecho entre Barra Mansa e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Pelo modelo de concessão, o futuro operador será responsável pela manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura ferroviária. Também deverá apresentar, no prazo de até dois anos, um plano de recapacitação da ferrovia Para Varginha, a medida é vista com e...

POÇOS DE CALDAS AVANÇA NA ORGANIZAÇÃO DO ECOSSISTEMA LOCAL DE INOVAÇÃO

Desenvolvido com apoio do Sebrae Minas, plano de ação reúne empresas, instituições e poder público para definir iniciativas e fortalecer oportunidades de inovação O Sebrae Minas apoiou, na última sexta-feira (28), o lançamento do Plano de Ação do Ecossistema Local de Inovação (ELI) de Poços de Caldas, no Sul do estado. Apresentado no Centro Administrativo, o documento define prioridades para fortalecer a inovação no município e ampliar a conexão entre empresas, instituições de ensino e pesquisa, ambientes de inovação e poder público. Cerca de 40 representantes participaram do encontro. A proposta é aproveitar melhor as competências e estruturas já existentes na cidade, estimulando parcerias e novas oportunidades de negócios. O plano também orienta os próximos passos do ecossistema, com ações voltadas à integração dos diferentes atores e ao desenvolvimento de soluções para o território. Diagnóstico e oportunidades A primeira etapa do trabalho foi conhecer melhor o ambiente de inovação d...

TRF6 CONDENA SAMARCO E TRÊS-GERENTES POR ROMPIMENTO DE BARRAGEM EM MARIANA

Decisão atende parcialmente a recurso do MPF ao absolver ex-diretor presidente da empresa, diretor operacional, engenheiro e outras 3 empresas rés A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) acolheu parcialmente o recurso do Ministério Público Federal (MPF) e condenou a empresa Samarco Mineração S.A. e três de seus ex-gerentes pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG),  ocorrido em 5 de novembro de 2015. A decisão colegiada e unânime reformou a sentença de primeira instância de 2024, que havia absolvido os réus. Os ex-dirigentes e técnicos foram responsabilizados pelo crime de provocar inundação com resultado morte, além de condenação por crimes ambientais. A empresa foi penalizada com multa penal de mais de R$ 6 milhões, repasse de R$ 1 milhão ao Fundo Nacional do Meio Ambiente e proibição de contratar com o poder público por dez anos. O procurador regional da República Darlan Airton Dias destacou a importância de ter sido revertida a decisão anterior ...