Pular para o conteúdo principal

EM REUNIÃO COM PREFEITOS, AGOSTINHO PATRUS BUSCA SOLUÇÕES PARA AGILIZAR REPASSES DA VALE

Gestores municipais do Vale do Rio Paraopeba criticam demora na liberação de R$ 2,5 bilhões para obras em cidades atingidas por tragédia-crime

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Agostinho Patrus (PV), recebeu, na terça-feira, dia 17, prefeitos de 20 municípios do Vale do Rio Paraopeba. Os gestores das cidades diretamente atingidas pelo rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho, ocorrido em 2019, fizeram críticas à indefinição da mineradora quanto ao uso dos R$ 2,5 bilhões destinados a obras nessas localidades.

O principal entrave, segundo afirmaram os prefeitos presentes, é que a mineradora não iniciou as obras de reparação e, muito menos, definiu um cronograma para executá-las. Com isso, os municípios sequer têm condições de iniciarem os procedimentos burocráticos necessários para realização de obras, pois não sabem se de fato a Vale realizará esses serviços ou se as prefeituras terão que arcar com as despesas.


Os valores em questão não fazem parte do crédito suplementar ao Orçamento do Estado, apreciado pela ALMG, quando o Legislativo definiu o repasse direto aos municípios de R$ 1,5 bilhão. O montante de R$ 2,5 bilhões está incluído entre as chamadas “obrigações de fazer da Vale”, ou seja, são investimentos que a mineradora se comprometeu a fazer a título de reparação pela tragédia-crime ocorrida em Brumadinho.

Demandas dos municípios
O prefeito de Pará de Minas, Elias Diniz, resumiu o posicionamento majoritário na reunião, de que os recursos deveriam ser pagos diretamente aos municípios e, assim, as próprias prefeituras definiriam onde e como aplicá-los. Contudo, o acordo firmado entre a Vale e o Governo do Estado, com intermediação do Tribunal de Justiça e Ministérios Públicos Estadual e Federal, prevê que a mineradora executará as obras.

Os prefeitos apontaram que a empresa exigiu a entrega, até 5 de maio deste ano, de proposta com os projetos prioritários em cada cidade, o que foi plenamente atendido. Por outro lado, a Vale não deu sequência no processo, alegando que a população deveria ser previamente consultada. Para o prefeito de Caetanópolis, João Procópio, o acordo foi falho ao “não acreditar na capacidade dos municípios de administrar essas verbas”.

Outra preocupação dos gestores tem relação com a desvalorização dos recursos devido à inflação que vai se acumulando com o atraso nas obras. “A Vale está protelando o processo”, criticou de forma direta o prefeito de Pequi, André Melgaço, para quem essa situação vai representar um prejuízo nos investimentos. “Os R$ 80 milhões a que temos direito hoje, daqui a 4 anos, corresponderão a R$ 40 milhões”, lamentou Melgaço.

Na avaliação de Adair Divino, prefeito de Três Marias, a execução das obras pelos próprios municípios propiciaria maior economia e eficiência no uso dos recursos. Ele acredita que as gestões municipais realizariam o dobro de empreendimentos que a Vale ou o Estado conseguiriam. “Nós (prefeitos) temos plenas condições de realizar as obras, com celeridade e conforme as demandas da população”, avaliou Divino.

Apoio da Assembleia
Após ouvir os presentes, o presidente Agostinho Patrus reafirmou seu irrestrito apoio às prefeitas e prefeitos de Minas, e informou que será marcada reunião com representantes das instituições que assinaram o acordo e, ainda, com a participação da ALMG e de uma comissão formada pelos prefeitos de Três Marias, Pará de Minas, Juatuba e Papagaios.

Ao destacar a importância da interlocução promovida pela Assembleia com os outros Poderes e instituições na apresentação das demandas dos prefeitos, Agostinho Patrus citou pontos que considera essenciais: “É importante definir um cronograma de obras e obter uma forma desburocratizada e ágil de liberar os recursos”, destacou. O encontro com os prefeitos foi solicitado pelo líder da Maioria na ALMG, deputado Inácio Franco (PV), que ficou incumbido de marcar um novo encontro com os envolvidos.

Ao término da reunião, Agostinho Patrus voltou a afirmar que “a Assembleia de Minas está, e permanecerá, ao lado dos prefeitos”. “É nas cidades que as pessoas vivem. Os moradores de cada cidade sabem, mais do que ninguém, as verdadeiras demandas dos municípios e, por isso, os prefeitos são os gestores públicos com as melhores condições de administrar esses recursos”, concluiu o presidente da ALMG.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PREFEITO SANCIONA LEI DO SILÊNCIO EM LAVRAS

Até gritos de pessoas e barulhos de animais serão enquadrados como perturbação do sossego Lei sancionada por Cherem passa a vigorar a partir do dia 15 de março O prefeito de Lavras, no Sul de Minas, José Cherem (PSD), sancionou a Lei nº 4393, que dispõe sobre a perturbação do sossego.  A nova legislação é fruto do Projeto de Lei (PL) nº 4.393, de autoria dos vereadores Coronel Claret (PSD) e Marcos Possato (PSDC) e recebeu emendas da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara local. O PL 06/2017 foi protocolado no dia 19 de janeiro deste ano na Câmara Municipal e teve tramitação rápida devido ao forte lobby de um pequeno grupo de moradores de classe média alta de uma região da cidade, interessados diretamente na rotina de um grupo de repúblicas. Já no dia 30 de janeiro o projeto foi votado por unanimidade pelos parlamentares lavrenses. De uma pequena parcela interessada em sua aprovação, agora sancionado o projeto passa a afetar toda a sociedade lavrense. A ...

COPASA IMPLANTA NOVA MODALIDADE DE TARIFA SOCIAL COM DESCONTO DE 65%

Nova categoria garante maior redução na conta de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza A Copasa implantou, desde 22 de janeiro, uma nova modalidade de Tarifa Social, ampliando o alcance do benefício destinado às famílias de baixa renda em Minas Gerais. A nova categoria concede desconto de 65% nas contas de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza, sem limite de consumo. Prevista pela Lei Federal nº 14.203/2021, a Tarifa Social assegura desconto na fatura mensal para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Desde dezembro de 2024, uma nova legislação federal também passou a garantir automaticamente o benefício aos contemplados pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), independentemente da condição socioeconômica. O BPC é destinado a idosos e pessoas com deficiência, incluindo crianças com transtorno do espectro autista. Seguindo critérios de composição familiar registrados no CadÚnico, o program...

AGU GARANTE TETO DE R$ 180 PARA EXAMES DA CNH EM MINAS GERAIS

Justiça reconhece competência da Secretaria Nacional de Trânsito para regulamentar o tema. Limite era contestado por Tribunal de Contas estadual Iniciativa integra o programa CNH do Brasil e visa padronizar os preços em todo o País A atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) assegurou a manutenção, em Minas Gerais (MG), do teto nacional para os valores cobrados nos exames médicos e psicológicos exigidos para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em ação proposta pela Procuradoria-Regional da União da 6ª Região (PRU6), por meio de sua Coordenação-Geral Jurídica (CGJ6), a Justiça Federal suspendeu, em 10 de fevereiro de 2026, decisão do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) que se opunha à aplicação de norma federal sobre os valores dos exames. A decisão judicial reconheceu que a competência para definir os valores é da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), órgão responsável pela regulamentação no âmbito do Sistema Nacional de Trânsito. ...