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PROGRAMA ESTAÇÃO DE MEMÓRIAS DA VLI SERÁ INAGURADO EM DIVINÓPOLIS

Com a iniciativa, a história da ferrovia, que faz parte do patrimônio local, permanecerá preservada

Com o objetivo de preservar a memória ferroviária, que faz parte do patrimônio material e imaterial dos municípios, bem como criar espaços para que as novas gerações conheçam a história da ferrovia, a VLI – administradora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) –, juntamente com a Prefeitura de Divinópolis, inaugura no próximo dia 19, a Estação de Memórias de Divinópolis, que funcionará na estação ferroviária da cidade, localizada na Praça Pedro Xisto Gontijo, 21, Centro.

O evento terá início às 10h30, com a abertura cultural da Escola Municipal de Música Maestro Ivan Silva e recitação de poesia, e contará com a presença do prefeito Gleidson Azevedo e da vice-prefeita Janete Aparecida. Às 11h será apresentado o cerimonial da inauguração. Das 11h30 às 12h ocorrerá a visita guiada pelo Espaço de Memórias. No período da tarde serão promovidas atividades culturais.

Nos últimos anos, a iniciativa recebeu mais de R$ 10 milhões para a reforma de seis ativos. Em 2022, o programa chegou a Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e a Cachoeira, na Bahia. Neste ano, além de Divinópolis, o projeto está previsto para ser implantado em Três Rios (RJ), Contagem (RMBH) e Uberaba, no Triângulo Mineiro. Outra cidade que receberá iniciativa será Campos Altos, também no Triângulo Mineiro.

A gerente-geral de Sustentabilidade da VLI, Francielle Pedrosa, ressalta a companhia, ao resgatar e preservar a memória ferroviária, reforça seu conceito de que, para pensar no futuro, é preciso valorizar o passado. “Preservar as histórias para a presente e futuras gerações faz parte de nosso compromisso de deixar legado e compartilhar valor com a sociedade. A VLI se orgulha por estar em Divinópolis e fazer parte da história do município, profundamente entrelaçada à atividade ferroviária”, afirma.

Segundo o secretário municipal de Cultura de Divinópolis, Diniz Borges, é importante abraçar projetos que destacam o papel da ferrovia dentro do munícipio. “Dar visibilidade a registros da trajetória ferroviária é extremamente importante para ilustrar nossa história para toda a população, para que se tenha uma maior conscientização de como a ferrovia influenciou e influência na evolução de nossa cidade e região. A ferrovia fez com que um pequeno arraial se transformasse em cidade de destaque em desenvolvimento em Minas Gerais”, afirma.

Divinópolis está inserida no Corredor Centro-Leste da Ferrovia Centro-Atlântica, por onde são transportadas riquezas de uma série de segmentos da economia para abastecimento do mercado interno e para exportação, por meio do complexo portuário de Tubarão, no Espírito Santo.

História
Em Divinópolis, a estação que leva o nome do município foi inaugurada em 22 de fevereiro de 1916, em substituição à antiga "Estação Henrique Galvão", inaugurada em 30 de abril de 1890 e cujo nome homenageava o engenheiro-chefe responsável pela construção, em apenas um ano, do ramal da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) que, a partir de 1910, faria a ligação ferroviária com Belo Horizonte, e transformaria o então arraial do Espírito Santo do Itapecerica em próspero entreposto comercial e entroncamento estratégico.

Ele foi o primeiro prédio construído na Praça da Estação e, desde então, se mantém em funcionamento. Devido a seu valor histórico, o imóvel foi tombado pela Lei Municipal 2.457, de 15 de dezembro de 1988. O Estação de Memórias reconta o passado, a partir de um processo de cocriação com as comunidades. Encontros e entrevistas identificam casos, lembranças e histórias de quem vivenciou o vai e vem dos trens. Esse conteúdo é transformado em um acervo de fotos e vídeos que é disponibilizado na estação.

Acervo
Toda a pesquisa feita – que inclui mais de 900 fotografias e imagens, bem como os 56 objetos históricos e documentos – será doada ao acervo público de Divinópolis. A partir desse levantamento, foi feita curadoria dos itens para exposição, que contará com: diversos conteúdos de textos descritivos, objetos cenográficos e fotografias a respeito da história da ferrovia na cidade; 35 objetos históricos em exposição; personagens anfitriões interativos; e oito pílulas de vídeo produzidas com ferroviários locais (todas com versões de acessibilidade em libras e audiodescrição).

Os personagens são moradores, historiadores, ferroviários e seus familiares. Entre eles está o ferroviário aposentado Antônio Ferreira de Castro, de 92 anos, que exerceu a profissão por 34 anos. Nascido no Norte de Minas, ele chegou em Divinópolis no dia 14 de janeiro de 1944. “A cidade é considerada hospitaleira. Naquela época, só mesmo a juventude nasceu aqui. A maior parte das pessoas idosas veio de fora, como eu. E, assim como eu, muitos outros foram acolhidos em Divinópolis”, conta Antônio de Castro.

Lembranças
Ele se recorda de quando vestiu um macacão azul, um casquete da mesma cor e o crachá, em seu primeiro dia de trabalho: 4 de setembro de 1947. “Ser ferroviário, para mim, foi um grande aprendizado. Comecei na escola profissional, instalada dentro das oficinas. Lá, tirei meu diploma na profissão de torneiro mecânico, após três anos de estudo. Sou agradecido pelo tempo que trabalhei nas oficinas. Lembro com saudade dos amigos que trabalharam ao meu lado. Quase todos já se foram”.

De acordo com ele, foram muitas viagens feitas de Divinópolis para Belo Horizonte. “Era a coisa mais linda ver as locomotivas puxando aqueles vagões. Elas eram pequenas e todas brilhavam. Os maquinistas eram muito caprichosos”, relembra. Antônio destaca que duas dessas locomotivas foram construídas pelos ferroviários que trabalhavam no município. “Inclusive quem desenhou tudo foi o falecido João Morato. Ele dirigiu o trabalho. Uma dessas locomotivas é a 340, que atualmente está em frente à oficina da VLI, na Praça dos Ferroviários”, comenta.

Para Antônio de Castro, todos que visitarem a Estação de Memórias conhecerão, de perto, “aquele saudoso tempo da Maria Fumaça, isto é, a locomotiva a vapor. Meu desejo é que a população tenha conhecimento e prestigie, com sua presença, o acervo de fotos, contos e reportagens que, nessa exposição, contam a história de uma época”. Ele frisa que ficou lisonjeado com o convite para fazer parte desta exposição, que o leva de volta aos anos 40. “Vejo em cada foto uma história e, em cada história, uma saudade”.

Herança de família
A paixão de Antônio de Castro pela ferrovia ultrapassou gerações e chegou ao filho e ao neto. O filho dele, Paulo Roberto de Castro, 66 anos, hoje atua como fotógrafo, mas trabalhou por 13 anos como ferroviário. O encanto pelo setor passou para Alexandre Konrad de Castro, que iniciou a carreira em 2007 e, desde março de 2010, trabalha na VLI. Atualmente ele exerce o cargo de técnico em Eletroeletrônica.

Conforme Paulo de Castro, a ferrovia sempre foi relevante para a família dele. “Para mim, ela foi muito importante desde a infância. Os trens, a locomotiva e os vagões de passageiros tinham me encantavam na infância. Meu pai fazia passeios conosco nas férias. O percurso era de Divinópolis a BH. Durava horas e eu achava super agradável. O barulho do trem, até hoje, parece até música para mim. Parece história infantil, mas está na minha memória até hoje e essa é a prova do quanto isso significou para mim”.

Paulo recorda que a ferrovia permitiu ao pai dar à família tudo que era necessário para sua sobrevivência, como um lar, sustento e escola. “E esse mesmo presente que a ferrovia deu ao meu pai, ela deu a mim e hoje está dá ao meu filho. Guardo lembranças de amizades e de pessoas que passaram nas nossas vidas nos ensinando muita coisa. A Estação de Memórias é muito importante, tanto para nós, que vivenciamos essa história, como para as pessoas que não desconhecem o papel da ferrovia no país. Divinópolis e outras cidades cresceram em função do setor. Fico feliz em saber que estou no quadro das pessoas que foram importantes para a ferrovia”, completa.

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