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CENÁRIO DA SUCESSÃO JÁ SE DESENHA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS


Neste segundo semestre de 2023 a comunidade acadêmica - servidores técnicos-administrativos, professores e estudantes de graduação e pós-graduacão - da Universidade Federal de Lavras (UFLA) irão às urnas para a escolha dos cargos de reitor e vice-reitor.

O próximo dirigente terá o grande desafio de suceder ao atual reitor professor João Chrysóstomo de Resende Júnior, cuja gestão é altamente rejeitada interna e externamente.

Os desafios a serem herdados são grandes, como a consolidação do Hospital Universitário, retomada da presença da UFLA nos grandes rankings nacionais e internacionais, uma vez que a instituição caiu progressivamente nestes índices, combater a alta evasão escolar e o sucateamento estrutural, retomar o diálogo com a comunidade interna e externa, além de dar andamento a planos e projetos e resgatar a força e o respeito no meio político que a UFLA sempre possuiu, porém que foi sendo minado na atual gestão, devido a postura do atual dirigente. Está dificuldade de articulação e habilidade política, influenciou principalmente, na demora em resolver a situação do hospital e captar recursos para o mesmo.

Candidaturas
Até o momento, já figura como virtual candidato pela ala do atual dirigente, o seu pró-reitor de Planejamento e Gestão (PROPLAG), professor Márcio Machado Ladeira. Como chefe da PROPLAG, Ladeira detém um dos cargos mais importantes e influentes da universidade, sendo responsável por todo o caixa da instituição, compras, licitações, convênios, contratações e demissões. E é neste campo das demissões que a sua passagem pela Pró-Reitoria fica marcada.

A Universidade Federal de Lavras é uma das maiores empregadora e geradoras de renda no município de Lavras e, em abril de 2021, uma circular da PROPLAG, comandada pelo professor Márcio Ladeira, gerou um clima de medo e apreensão na instituição e nos lares da cidade. Pelo documento, encaminhado as chefias dos setores, a instituição iria cortar 10% dos postos de trabalho em todos os contratos de terceirização nas Pró-reitorias e suas Diretorias vinculadas, assim como, em todas as unidades acadêmicas. Ainda de acordo com a circular, o contrato de limpeza deveria ser revisto e o contrato do Restaurante Universitário (RU) analisado. A medida veio em um momento que vários servidores efetivos estavam se aposentando ou estavam próximos da aposentadoria e o governo federal liberou concursos públicos, além da grave crise que os trabalhadores já enfrentavam devido à pandemia de Covid-19.

No mês de julho de 2022, a péssima notícia aos trabalhadores se concretizou. Os funcionários terceirizados que atuam no campus foram oficialmente informados da demissão de 148 deles, o que significou que ¼ do número de pessoas vinculadas às empresas prestadoras de serviço na UFLA perderam seus empregos. Foi a maior demissão em massa da história da instituição.

A redução do número de funcionários terceirizados, fruto da falta de habilidade política e dificuldade da atual gestão em buscar apoios junto ao Governo Federal, uma vez que está não foi a primeira grande crise enfrentada pela universidade em sua história, sendo que em outras gestões os impactos foram bem menores, principalmente para evitar as demissões, desta vez teve um impacto direto sobre a rotina da comunidade universitária nos meses seguintes.

Além da demissão de terceirizados, a universidade, por meio da PROPLAG, programou cortes em investimentos, como aqueles reservados para a retomada da construção de duas obras do câmpus de São Sebastião do Paraíso. Também sofreram cortes os recursos das unidades acadêmicas para compras de materiais para aulas práticas e no investimento em equipamentos, o que até hoje influencia a vida dos acadêmicos e contribui para o sucateamento estrutural da instituição.

Consolidando-se realmente como candidato, Ladeira terá pela frente o desafio de uma campanha com uma ingrata herança. Em relação a seu vice, ainda não foram revelados nomes.

Já no grupo de oposição a atual gestão, ainda não foram definidos os candidatos a reitor e vice.

O processo
Após a eleição, chamada de consulta à consulta a comunidade, três nomes serão definidos e submetidos ao Conselho Universitário, órgão máximo da instituição, para a formação da lista tríplice que será encaminhada ao presidente da República.

A pesquisa de opinião, feita por meio da consulta informal à comunidade universitária, pode ser admitida como subsídio para a composição da lista tríplice pelo Colégio Eleitoral, composto pelo Conselho Universitário (CUNI), Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e Conselho de Curadores. (CCUR).

Historicamente o primeiro colocado na eleição interna sempre foi o escolhido pelo presidente da República e nomeado para a reitoria.

Posteriormente, durante a posse, que ocorrerá em maio de 2024, o reitor escolhido nomeia seu vice.

*Por Sebastião Filho

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