Pular para o conteúdo principal

REGULAMENTAÇÃO DA UNIÃO EUROPEIA DEVE DIFICULTAR EXPORTAÇÃO DE CAFÉ

Advogado Vinicius Souza Barquette comenta a necessidade de atenção dos players do mercado se adaptarem às normas

O Regulamento 1.115/23 do Parlamento Europeu veta a importação de diversos produtos provenientes de áreas de desmatamento. Aprovada em abril deste ano, e em vigor desde junho, as exportações brasileiras devem obedecer às novas normas, que prevê que importação de itens como couro, soja, carne bovina, cacau, madeira, borracha e café serão proibidos se vierem de terras desmatadas após dezembro de 2020.

Em relação ao café, principal produto agrícola de Minas Gerais, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, em entrevista concedida a um programa agropecuário, manifestou que essa lei é inadequada em relação ao café brasileiro, já que o Brasil se destaca, entre os produtores do grão, nas questões sociais e ambientais.

“O Brasil possui uma legislação social muito importante, o único país produtor de café que tem salário determinado, 13° salário, férias, FGTS, horas extras e SUS. Na área ambiental, o café não desmata, ele provoca pesquisa, ciência e conhecimentos para aumentar a produção dentro da mesma área. Portanto, em relação a outros países, o Brasil já está em uma situação mais privilegiada”.

O advogado Vinicius Souza Barquette, especialista em agronegócio café, concorda com o presidente do CNC, mas também faz um alerta para a importância de se levar a sério a nova lei. Para ele, “o Brasil tem certa facilidade de se enquadrar às exigências dessa regulamentação europeia. Mas são determinações impositivas e, por isso, produtores, cooperativas, trades companies e outros players do mercado precisam repensar suas dinâmicas a fim de adequarem a comercialização futura do café. O tema exige atenção, muito estudo e trabalho; só assim poderá ser administrado com sucesso”.

Fiscalização e Due Diligence
O advogado também chama a atenção para dois pontos importantes da regulamentação: a fiscalização e o Due Diligence. Barquette explica que “a fiscalização em si ainda está sendo formatada, mas o Regulamento já aponta como essa fiscalização irá ser realizada por meio da declaração Due Diligence. Quando o café sair do Brasil e se destinar à União Europeia, o produto terá que apresentar três pontos essenciais: primeiro, não pode ser produzido em áreas de desflorestamento; segundo, deve estar acompanhado de uma declaração de que aquele produto não tem nenhuma desobediência em relação à legislação brasileira; e o terceiro, deve estar acompanhado de Declaração Due Diligence, que é o cerne dessa discussão”.

A Due Diligence deve abranger uma análise quanto à legislação do país produtor, incluindo os direitos de uso da terra, proteção ambiental, regulação florestal, direitos trabalhistas, direitos humanos protegidos pelo direito internacional, Consulta Prévia, Livre e Informada de povos indígenas, tributação, anticorrupção e outros.

Para o advogado, no entanto, uma preocupação está no artigo 9 da Regulamentação, que trata sobre o descumprimento à legislação nacional. “Na verdade, ainda há várias questões que ainda estão em aberto e que precisam ter o máximo de atenção por parte dos produtores e exportadores de café. Portanto, é preciso que o compliance seja levado muito a sério por todos os atores. Temos que lembrar que, no momento, é a União Europeia que apresenta várias exigências, mas outros países importadores também podem vir a seguir essa regulamentação europeia”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

REDAÇÃO DE ALUNO DE TRÊS CORAÇÕES É SELECIONADA NO "EPTV NA ESCOLA"

“A Fábrica Perfeita” foi uma das redações selecionadas no Projeto EPTV na Escola 2022. A redação é do aluno Leonardo Viana de Souza, da Escola Municipal Professora Henriqueta Gomes de Três Corações, no Sul de Minas. A redação aborda sobre o tema “Por que acreditamos que o mundo virtual é real?”, conforme critério estabelecido pelo projeto que tem apoio das Secretarias Municipais de Educação e Superintendências Regionais de Ensino. Leonardo, de 14 anos, cursa o 9º ano e sempre gostou de literatura e português. Ele é aluno da professora Thaiza Helena Moura e sonha, um dia, em ser médico. Filho de Amanda Viana e de Lúcio Mauro de Souza, mora no bairro Nossa Senhora Aparecida. Incentivado pela professora e com o apoio dos pais, Leonardo disse aceitar o desafio de participar do concurso e fez o texto, de acordo com o que ele percebia, no dia a dia, em conversas com amigos que utilizam as redes sociais: “Minha maior inspiração é o desejo de expressar que todos temos valores, independente das...

CAFÉ BOM DIA DUPLICA PRODUÇÃO EM VARGINHA

Maior exportadora de café industrializado do País, a mineira Café Bom Dia, responsável por mais da metade dos embarques de café torrado e moído para o exterior, especialmente para a América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia, vai duplicar a sua capacidade produtiva. Nos próximos anos, a produção da fábrica, localizada em Varginha, no Sul de Minas, deve passar para 260 toneladas por dia. O plano de expansão é motivado pelo aquecimento dos negócios. Desde 2007, as vendas da Café Bom Dia, tanto para o mercado externo quanto para o doméstico, cresceram em torno de 14% ao ano, o dobro da média do setor. "No mercado externo, o potencial é enorme", diz Sydney Marques de Paiva, presidente da empresa, que emprega 450 funcionários e é dona de sete fazendas de café em Minas Gerais. Segundo ele, a participação do Brasil no mercado mundial de café não chega a 1%, a despeito de sua condição de maior produtor mundial do grão. Alemanha e Itália lideram as exportações do produto industr...

BRILUX ANUNCIA INAUGURAÇÃO DA NOVA FÁBRICA EM ITAJUBÁ PARA MAIO DE 2021

Fábrica da Brilux em Horizonte, no Ceará  A Brilux confirmou que a inauguração de uma unidade da empresa em Itajubá, no Sul de Minas, está mantida e deverá ocorrer em maio de 2021. Em nota enviada à imprensa, a fabricante de produtos de higiene e limpeza informou que “o projeto está em andamento e o novo cronograma está mantido”. Segundo a empresa, “a nova planta reforçará a operação logística e comercial na região Sudeste”. A chegada da Brilux deverá gerar, inicialmente, 350 postos de trabalho na cidade. A indústria investiu na compra do prédio da antiga AFL/PKC, que será reformado e ampliado para suportar a fabricação e logística dos produtos. A nova unidade fabril produzirá materiais do portfólio de higiene e limpeza, entre eles a água sanitária Brilux. Líder no Norte, Nordeste e no Rio de Janeiro de água sanitária, alvejante com cloro, amaciantes e sabonetes, a Indústria Reunidas Raymundo da Fonte, fabricante da Brilux, tem hoje mais de 350 produtos em seu portf...