Pular para o conteúdo principal

FORTIM DOS EMBOABAS, UM DOS CASARÕES MAIS ANTIGOS DE SÃO JOÃO DEL-REI, É RESTAURADO


Transforme a memória em futuro. Esse é o tema da campanha #PreserveOPatrimônio, promovida pela Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) para valorizar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto. Além da campanha, a universidade também realiza ações concretas em prol do nosso Patrimônio Histórico. A reforma do Fortim dos Emboabas é uma delas.

Doado para a UFSJ em 2009, o Fortim dos Emboabas, localizado no Alto das Mercês e gerido pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEX), passou por um processo de restauração no primeiro semestre de 2024. Com foco no restauro das esquadrias de madeira, na pintura do casarão, na reparação do telhado e na remoção do reboco, o projeto contou com o envolvimento da PROEX e das pró-reitorias de Administração (PROAD) e de Planejamento e Desenvolvimento (PPLAN), bem como de estudantes e professoras do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Artes Aplicadas (DAUAP) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O edifício, tombado na instância municipal e federal, dado o seu inestimável valor histórico, é sede do Centro de Referência de Cultura Popular Max Justo Guedes (CMAX), projeto de extensão da UFSJ que contempla o Museu de Vivências, coordenado pelo professor Rogério Picoli (DFIME), e o Museu do Barro, organizado pela professora Zandra Miranda (DAUAP). O imóvel era de propriedade do Almirante Max Justo Guedes, alto escalão da Marinha do Brasil, falecido em 2011. Ainda em vida, o Almirante doou a casa e todo seu acervo de cerâmica indígena, popular e contemporânea para a UFSJ.

Em 2020, foi criado o Comitê de Desenvolvimento do Centro de Referência de Cultura Popular Max Justo Guedes (CDC-CMAX), delegação encarregada de acompanhar a aplicação das diretrizes e normas para o desenvolvimento de ações da UFSJ no âmbito do CMAX e no contexto das comunidades nas quais a universidade está inserida.

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Chico Brinati, conta que chuvas intensas naquele ano, atreladas ao distanciamento social, causaram degradação do espaço do Fortim dos Emboabas. “Então, todos nós nos movimentamos, e tantos outros, na busca de alternativas para a gente conseguir fazer a restauração do casarão”, acrescenta.

Mobilização para a restauração
Dado esse cenário, a PROEX montou uma comissão para criação de um projeto de restauro do edifício, que contou com a atuação das professoras do DAUAP Liziane Mangili, Luzia Abreu e Ana Cristina Reis Faria. Além disso, bolsistas da graduação em Arquitetura também contribuíram com o desenvolvimento dos esboços.

Liziane Mangili, que foi a coordenadora do projeto de restauro das alvenarias externas e esquadrias, explica que uma restauração é muito diferente de uma reforma, porque compreende um levantamento minucioso da situação da edificação. Assim, a equipe, para planejar o restauro, apontou levantamentos e, depois, desenvolveu os desenhos técnicos da situação do casarão.

A professora conta que, nesses desenhos, a comissão apresentou as patologias da edificação, que se referem às trincas, ao desprendimento do reboco, à presença de cupim, umidade, sujidades e outras características do patrimônio. “A gente representa isso num desenho, faz alguns testes para saber o estado de conservação do reboco e, a partir desse mapeamento das patologias, especificamos o que será feito na edificação”, complementa.

A pró-reitora de Administração, Fernanda Resende, comenta que a PROAD é responsável pela limpeza, manutenção e vigilância do Fortim. Após a delimitação do projeto de restauro, Fernanda menciona que “foi feito o processo de licitação para a parte técnica, que envolveu a PROAD e os engenheiros da Divisão de Projetos e Obras.”

Segundo a chefe do escritório técnico do IPHAN em São João del-Rei, Raymara Gama da Luz, o Instituto tem papel fundamental na fiscalização do conjunto acautelado da cidade e na comunicação de quando há necessidade de intervenção. Por isso, mantém uma relação de parceria com a Universidade e esteve presente durante todas as fases do projeto de restauração.

Na avaliação de Raymara, a troca entre a UFSJ e a Instituição é imprescindível, dado que “a proteção do patrimônio cultural é feita por meio de todos os agentes sociais de um local. O IPHAN é apenas mais um personagem desta engrenagem, e poder contar com a parceria com a universidade, seja na produção do conhecimento sobre esse bem cultural, seja na gestão dos bens, nos permite avançar na quantidade de trabalho executado.”

Impacto social e perspectivas futuras
Agora, o Fortim dos Emboabas se restabelece e abre novas possibilidades para a Extensão na UFSJ, revelando a importância da preservação destes espaços para a comunidade e a responsabilidade da Instituição nesse processo.

Para Liziane Mangili, “a universidade, além da função de produção de conhecimento, é uma instituição que deve ser um exemplo para a sociedade. E, nesse sentido, eu acho que, por estar inserida em cidades que são consideradas patrimônio, é fundamental que a UFSJ não só preserve, quanto se posicione também em relação à preservação do patrimônio cultural.”

Chico Brinati reconhece o papel fundamental da Universidade na preservação destas memórias de São João del-Rei e avalia que as ações realizadas pela Extensão contribuem significativamente “na manutenção e valorização desses espaços.” O pró-reitor ressalta que o “esse planejamento é, com certeza, todo voltado para a comunidade. Não só do entorno, mas da comunidade externa.”

Nesse sentido, o professor diz que o plano agora é retomar as atividades no casarão com um cronograma frequente de uso do espaço, já que o edifício e os projetos têm uma relação histórica com a comunidade. Chico reitera o compromisso contínuo da UFSJ na manutenção do Fortim, de modo que a Universidade “consiga realmente dar o devido valor histórico que esse espaço tem, mas também usando ele num cenário atual de como que dá sua importância para aquela região e para São João del-Rei.”

Como chegar
O Fortim dos Emboabas está localizado na rua Altamiro Flôr, 103, no bairro Alto das Mercês, em São João del-Rei.

Atualmente acontecem no casarão aulas de capoeira, das 10h às 12h, todas as quartas-feiras. Você pode conferir essa e outras atividades promovidas pelos Museu de Vivências e Museu do Barro nas redes sociais dos projetos: @museudevivencias e @museudobarro.

*Por Clarice Muscalu

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TOMBAMENTO DE CARRETA

Tombou, agora, uma carreta de cerveja na Rodovia Fernão Dias (BR-3821), na pista sentido Belo Horizonte, no km 721, na região de Carmo da Cachoeira. A faixa da esquerda está interditada em os ambos sentidos. No momento, trânsito está fluindo sem lentidão. Motorista sem ferimentos graves. Imagens @transitofernaodias *Por Sebastião Filho 

BOLSONARO CONDENADO

Nesta quinta-feira (11), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, condenar os oito réus do Núcleo 1 da ação penal 2668, a trama golpista. A AP 2668 tem como réus os oito integrantes do Núcleo 1 da tentativa de golpe, ou “Núcleo Crucial”, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR): o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF; o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu-colaborador); o ex-presidente da República Jair Bolsonaro; o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa. A acusação envolveu os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de E...

FESTANÇA COM ORÇAMENTO PÚBLICO: MUNICÍPIOS MINEIROS DESPEJAM MILHÕES EM SHOWS E EVENTOS

Por muito pouco, duas dúzias de municípios mineiros não colocaram R$ 18,9 milhões do orçamento público em contratos de shows e infraestrutura de eventos. Este movimento é um exemplo concreto de inversão de prioridades, quando o orçamento da administração pública segue a trilha do capital político de curto prazo em detrimento à obrigação constitucional de garantir serviços básicos e contínuos à população. Relatório elaborado pela Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) brecou gastos que estavam na mira das prefeituras de Capelinha, Crucilândia, Ipaba, Ipatinga, Nazareno, Peçanha, Sacramento, Santa Bárbara do Tugúrio, São João da Ponte, São João do Oriente, São Vicente de Minas e Várzea da Palma. O escopo do estudo elaborado pela área técnica do Tribunal abrangeu o exercício orçamentário desses municípios em 2024 e o planejamento para 2025, auditando contratos de shows e aluguel de equipamentos e infraestrutura. O r...