Pular para o conteúdo principal

REPRESENTANTE DE CARVOARIA ASSINA TAC APÓS RESGATE DE 2 TRABALHADORES

Trabalhadores passavam fome e não tinham acesso a banheiro e água potável


O Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou termo de ajustamento de conduta (TAC) com o empregador após resgatar dois trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravo, nesta segunda-feira, 09, em uma carvoaria de Guimarânia/MG, na região do Alto do Paranaíba.

Dentre as mais de 30 obrigações assumidas, o proprietário da carvoaria deverá se abster de manter empregados sob condições contrárias às disposições de proteção do trabalho. Deve observar principalmente as que caracterizem redução à condição análoga à de escravo ou tráfico de pessoas, o que inclui não recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoas mediante ameaças, violações ou abusos.

Compromissos de registro dos contratos e proteção ao salário também foram ajustados. Assim, o empregador deve registrar todos os empregados; observar o valor do salário-mínimo ou piso salarial hora, os quais devem ser efetuados até o 5.º dia útil de cada mês; além de não realizar descontos indevidos e conceder um descanso semanal de 24 horas consecutivas.

Em relação ao meio ambiente de trabalho, o proprietário da carvoaria deve, por exemplo, elaborar, implementar e custear o PGRTR (Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural), por estabelecimento rural, a fim de prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho nas atividades rurais. Esse programa deve ser revisto a cada 3 anos, em regra. Deve também proibir o uso de motosserras e equipamentos similares que não possuam os dispositivos de segurança determinados na Norma Regulamentadora n.º 31 (NR 31). Promover o treinamento aos operadores dessas máquinas também está entre os compromissos.

São providências também de saúde e segurança, disponibilizar dormitórios de alojamento adequados; assim como água potável, protetor solar, locais para banho, para preparo de refeições, além de instalações sanitárias.

Especificamente em relação aos dois trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravo, além do registro dos vínculos trabalhistas, receberão aproximadamente R$ 30 mil, cada um. Tais valores são referentes às verbas salariais, rescisórias e indenização por danos morais individuais.

O empregador custeou a hospedagem dos trabalhadores, alimentação e passagens de retorno ao município de origem. Os trabalhadores receberam um adiantamento de R$ 2.500, cada, e retornaram para suas casas.

As indenizações firmadas são valores mínimos obtidos por meio de negociação com o empregador. Os trabalhadores, caso queiram, poderão tomar medidas judiciais para obter indenizações complementares. Além disso, as investigações prosseguirão para tentar identificar outros elos da cadeia produtiva, o que pode levar ao aumento das indenizações aos trabalhadores resgatados e à sociedade, por meio do pagamento de dano moral coletivo.

O TAC possui vigência por prazo indeterminado e prevê também multas de até R$ 20 mil por eventual descumprimento das obrigações ajustadas.

Evitar novas ocorrências de desrespeito à integridade, à saúde, às condições de trabalho e à vida dos trabalhadores é um dos objetivos da atuação do MPT, por meio das obrigações expressas no TAC, por exemplo. Para tanto, as denúncias de situações como essa são fundamentais.

Jornada de até 14 horas diárias, todos os dias e sem salário

Os dois trabalhadores eram submetidos jornadas que poderiam chegar a 14 horas diárias de trabalho intenso, em condições degradantes, todos os dias da semana. A alimentação era insuficiente, a água não era potável e as barracas eram de lona.

Eles também não tiveram suas carteiras de trabalho assinadas, não haviam recebido salário ainda, mesmo trabalhando há mais de 30 dias, sendo que as despesas de transporte e alimentação seriam descontadas.

Trabalhadores passavam fome e não tinham acesso a banheiro e chuveiro, além de conviverem com animais peçonhentos

"Passamos fome pelo menos três vezes por semana e estamos há mais de três dias comendo só arroz e feijão", relataram os trabalhadores. Eles também não tinham acesso a banheiro e nem a chuveiro. Nos abrigos, ainda conviviam com escorpiões, cobras e ratos. Outro problema era a ausência de energia elétrica, o que fazia com que os alimentos estragassem, por falta de refrigeração.

*Da assessoria do MPT-MG 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INSEGURANÇA NO CAMPUS

Nas últimas semanas aumentou os casos de crimes ocorridos no campus da UFLA. Setor 'sensível', segurança interna sofreu redução de gastos com mudança do quadro funcional  Segurança interna foi uma das primeiras a sofrer baixas na politica de redução de gastos e prioridades A segurança pública é uma das grandes preocupações da sociedade brasileira. Mesmo municípios pequenos e as zonas rurais estão vivenciando o aumento alarmante da prática de crimes contra o patrimônio e a vida. E nos campi das instituições federais de ensino superior (IFES) a situação não tem sido diferente. A comunidade acadêmica da Universidade Federal de Lavras (UFLA) tem vivido às voltas nas últimas três semanas com uma onda de crimes praticados dentro do campus. Os fatos ocorridos tem se concentrado na região do Ginásio Poliesportivo e do setor de Hidráulica, na parte de baixo do campus, em uma região onde existem passagens para o perímetro urbana da cidade e bairros vizinhos. Até o...

ESTUDANTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS NECESSITA DE DOADOR COMPATÍVEL DE MÉDULA ÓSSEA

A estudante de Medicina da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Giovana Baptista Caldas, 27 anos, está à espera de um doador compatível de medula óssea.  Diagnosticada com leucemia mieloide aguda em abril, a estudante está na cidade de Nova Lima para tratamento médico. Após sentir desconfortos constantes, Giovana compareceu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lavras e, após encaminhamento para o hospital Vaz Monteiro e a realização de exames minuciosos, chegou ao diagnóstico da doença.  Em poucos dias, deu início ao tratamento com quimioterapia no hospital Biocor, a 20km da capital mineira, onde está atualmente. A busca por um doador compatível ocorre por meio do Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), o qual faz a busca automática no Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome). A cada novo doador ou paciente cadastrado, a compatibilidade é verificada entre os dois sistemas. A chance de encontrar um doador compatível na famíl...

BAIRRO DE IJACI ESTÁ SEM ÁGUA HÁ 9 DIAS

Moradores não sabem mais a quem recorrer O município de Ijaci, no Sul de Minas, tem experimentado um grande crescimento urbano nos últimos anos. Este crescimento, aliado a intensa especulação imobiliária, se dá sobretudo após a instalação da fábrica de cimento e com o surgimento do reservatório da Usina Hidrelétrica do Funil, formando um imenso lago que banha entre outras cidades, o município de Ijaci. Diante disso, surgiram diversos problemas, sendo que muitos ainda se encontram diante da omissão ou mesmo ineficiência por parte do poder público local. É o caso do sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto em Ijaci. Os moradores do bairro Córrego Pintado em Ijaci, no Sul de Minas, não sabem mais o que fazer com a falta d'água em suas residências. Já são 9 dias sem água nas torneiras, o que tem dado uma enorme dor de cabeça aos moradores do bairro. De acordo com o documento  de 2018 do Plano Municipal de Saneamento Básico de Ijaci (PMSB), ano que em foi prop...