Moradores e políticos de Bom Sucesso e cidades vizinhas, no Sul de Minas, lotaram o Clube dos 70, onde foi realizada a audiência pública na última sexta-feira, 25, para fazer denúncias contra a Hidrelétrica Funil e reclamar da pesca predatória no Rio das Mortes. Muitos afirmaram que pescadores profissionais utilizam redes de até 6 quilômetros de extensão, matando peixes de diferentes tamanhos, inclusive filhotes. Isso estaria provocando o sumiço de algumas espécies como o Dourado, que já foi comum na região. Alguns também responsabilizaram o sistema de elevatória (uso de elevadores para transposição) como responsável pelo desaparecimento de espécies que não conseguem completar o ciclo migratório entre os dois lados do rio - cortado pela barragem. O ex-funcionário da empresa, Jeferson Alves de Andrade, afirmou que o elevador só consegue capturar espécies muito pequenas “e muito lixo como garrafas pet”.A sugestão geral foi para se implantar, também o sistema de escadas que podem ser escaladas pelos peixes maiores. A bióloga Zoraia Silva, da Bios Consultoria, empresa que faz o monitoramento dos peixes na usina fez uma apresentação para explicar que e elevatória foi escolhida por representar um sistema mais evoluído que as escadas. Segundo ela, das 51 espécies identificadas na área, 44 conseguiram ser transpostas na época da reprodução. Ela afirma que este nível é muito alto, especialmente ao se considerar que algumas espécies não são migratórias e não precisam ser transportadas.
O presidente da Associação dos Moradores do Recanto dos Dourados, no município de Ibituruna, Francisco Cláudio Cavalcanti reclamou da proibição da pesca em comunidades ribeirinhas como Pilares, Aureliano Mourão e Recanto dos Dourados. A major Rosangela explicou que o local é formado por corredeiras que levam os peixes para o alto do rio e por isso não pode ser liberado nem mesmo para o lazer. “Precisamos cumprir a lei”, justificou. Quanto à pesca predatória, a policial admitiu nos últimos 12 meses foram feitas 71 ocorrências de pesca irregular na área, mas assegurou que nunca foram encontradas redes maiores que 40 metros.
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