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POLÍCIA FEDERAL PEDE A PROCURADOR INVESTIGAÇÃO DE CRIME ELEITORAL CONTRA REGINALDO LOPES

Lopes, que foi o federal mais votado de Minas Gerais, obteve em Lavras 9.569 mil votos nas eleições de 2014 (4.623 votos nas eleições de 2010)
A Polícia Federal (PF) solicitou ao procurador regional eleitoral do Estado, Patrick Salgado Martins, pedido de abertura de inquérito para investigar suposto crime eleitoral em favor das campanhas do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) e do deputado estadual Paulo Guedes (PT), atual secretário de Desenvolvimento do Norte de Minas. 

O pedido é um desdobramento da operação “Curinga”, deflagrada pela PF e Ministério Público Federal (MPF) em novembro de 2014 para coibir um esquema de fraude na Previdência Social na cidade de Monte Azul, no Norte de Minas. Benefícios previdenciários eram trocados por votos. No curso da investigação, no entanto, foram descobertos indícios de crimes eleitorais. O Hoje em Dia revelou o relatório da investigação com exclusividade, em uma série de reportagens em novembro. 

No ofício enviado ao MPF, o delegado Marcelo Freitas, chefe do Departamento policial em Montes Claros, sustenta ter encontrado elementos que denotam a prática de “graves delitos eleitorais” na campanha de 2014. Ele cita os crimes de compra de voto e transporte de eleitores no dia do pleito.

Já o procurador Patrick Salgado, por meio da assessoria, informou que cópias dos documentos da operação deram entrada na Procuradoria, em BH, no último dia 23, e que um procedimento foi instaurado para apurar o caso. Salgado pode instaurar um inquérito para aprofundar as investigações ou arquivar o pedido. 

Em entrevista, o deputado federal Reginaldo Lopes declarou não ter sido notificado, mas que irá constituir um advogado para ter acesso aos autos. Só depois disso ele vai se manifestar. Por meio de nota, o secretário Paulo Guedes afirmou estar à inteira disposição das autoridades.

Segundo a PF, aliados dos deputados em Monte Azul utilizaram recursos públicos para obter votos na eleição de 2014.Benefícios previdenciários, materiais de construção, combustível, dentaduras e até cadastros do programa Bolsa-Família teriam sido fornecidos aos eleitores em troca de apoio político.

Além da Prefeitura e Câmara Municipal, as estruturas do sindicato dos trabalhadores rurais, entidade controlada pelo PT local, e uma agência do INSS de Espinosa, cidade vizinha a Monte Azul, teriam sido usadas para captação de votos.

Inquérito mostra atuação de acusados em campanhas
Os nomes do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) e do deputado estadual Paulo Guedes, secretário do governo estadual, foram citados várias vezes no relatório da operação “Curinga” da PF pelos principais alvos do inquérito, o vice-prefeito da cidade, Toninho da Barraca (PT), e pelos vereadores Geraldo Ladim (PT) e Marineide do Sindicato (PT). 

Os três atuaram na campanha de Lopes e Guedes na cidade. Em várias situações, foram flagrados em grampos telefônicos negociando votos com eleitores. Em troca, ofereciam benesses com dinheiro público, conforme inquérito da PF, ao qual o Hoje em Dia teve acesso. É possível vê-los ainda participando de eventos de campanha ao lado dos deputados, como carreatas, caminhadas e reuniões. 

Apontado como cabeça do esquema, Toninho é acusado de usar o cargo para manter uma “cadeia de favores com o intuito de obter apoio político”. Nos diálogos interceptados, Toninho oferece material de construção, transporte e combustível em troca de votos. 

O vereador Ladim, de acordo com o relatório, atua para forjar os documentos necessários para obtenção de benefícios previdenciários. Já a vereadora Marineide oferece transporte para eleitores se deslocarem até a agência do INSS de Espinosa. Os três foram procurados, mas não foram localizados.

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