Pular para o conteúdo principal

PROJETO REMONTA HISTÓRIA SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DA CRIAÇÃO DA USINA DE FURNAS

Documentário lançado na UNIFAL-MG reúne relatos sobre "quando a água chegou"

No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas impactou a vida de muitas pessoas que viviam na região Sul de Minas. 

O tema foi destaque em um documentário produzido por um projeto de extensão da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), lançado no último dia 1º, no auditório Doutor João Leão de Faria, no campus sede, em Alfenas, no Sul de Minas.
O vídeo intitulado "Histórias de quando a água chegou: Antônio Adauto e os índios" reúne o depoimento e os relatos de Antônio Adauto Leite, morador de Carmo do Rio Claro, que foi responsável pela criação do Museu Arqueológico ou Museu do Índio, dedicando 47 anos de sua vida a resgatar mais de 4 mil peças arqueológicas indígenas à beira do Lago de Furnas. 

Suzana Leite Hervas, filha do pesquisador e coordenadora do museu, também participa do documentário, contando como o interesse do pai pelas peças, acabou se tornando uma brincadeira de arqueologia em família. 

“Em final de semana, a brincadeira de domingo era andar na beirada da represa para ver quem achava a primeira peça inteira, porque as peças quebradas não valiam”, narra.

A produção do vídeo, bem como o roteiro cinematográfico, faz parte de um projeto que teve início em 2015, sob a responsabilidade do aluno Paulo César de Carvalho, do curso de Letras, orientado pelo professor Ítalo Oscar Riccardi León, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

Em cerimônia de lançamento realizada na UNIFAL-MG, o aluno fez um agradecimento especial ao Prof. Ítalo, e explicou como a ideia do documentário foi desenvolvida, oportunidade em que destacou o fato de haver muitos vilarejos, fazendas e pequenas propriedades rurais, pertencentes às 34 cidades banhadas pelo lago, que foram atingidas e hoje estão submersas. 

“Eu cresci à beira desse lago, ouvindo histórias de pessoas que morreram, de pessoas que sofreram, de pessoas que perderam tudo. Então uma das motivações de desenvolver esse projeto foi justamente essa: de lembranças pessoais, mas um pouquinho de trabalhos que fui desenvolvendo durante o curso de Letras e de histórias que estão registradas também na literatura”, enfatizou.  

Após a exibição do vídeo, a organização surpreendeu Antônio Adauto com uma homenagem, na qual reconhece a sua contribuição e de sua filha, Suzana, para a cultura e a preservação da memória dos índios Catu-auá que habitaram a região do Lago de Furnas, antes da construção da barragem.

O lançamento contou com a presença da vice-reitora da Universidade, Profa. Magali Benjamin de Araújo; da pró-reitora de Extensão, Profa. Eliane Garcia Rezende; da pró-reitora de Administração e Finanças, Vera Rosa; do diretor do ICHL, Prof. Sandro Amadeu Cerveira; da servidora Áurea Lopes, representando a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação; também de Soloni Viana, representando o Conselho de Política Cultural de Alfenas; de Sônia Vieira do Departamento de Educação de Cultura e Cidadania; de Fábio Folgoni da  Associação de Proteção aos Condenados (Apac).

O momento foi abrilhantado pela apresentação musical dos professores do ICHL, Mário Danieli e Walter Lowande, interpretando, na viola e no violão, respectivamente, “Rio de Lágrimas” do Tião Carreiro e Lorival dos Santos, “Asa Branca” de Luiz Gonzaga e “Trenzinho Caipira” de Heitor Vila Lobos.
por Ana Carolina Araújo - da assessoria UNIFAL-MG

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PREFEITO SANCIONA LEI DO SILÊNCIO EM LAVRAS

Até gritos de pessoas e barulhos de animais serão enquadrados como perturbação do sossego Lei sancionada por Cherem passa a vigorar a partir do dia 15 de março O prefeito de Lavras, no Sul de Minas, José Cherem (PSD), sancionou a Lei nº 4393, que dispõe sobre a perturbação do sossego.  A nova legislação é fruto do Projeto de Lei (PL) nº 4.393, de autoria dos vereadores Coronel Claret (PSD) e Marcos Possato (PSDC) e recebeu emendas da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara local. O PL 06/2017 foi protocolado no dia 19 de janeiro deste ano na Câmara Municipal e teve tramitação rápida devido ao forte lobby de um pequeno grupo de moradores de classe média alta de uma região da cidade, interessados diretamente na rotina de um grupo de repúblicas. Já no dia 30 de janeiro o projeto foi votado por unanimidade pelos parlamentares lavrenses. De uma pequena parcela interessada em sua aprovação, agora sancionado o projeto passa a afetar toda a sociedade lavrense. A ...

COPASA IMPLANTA NOVA MODALIDADE DE TARIFA SOCIAL COM DESCONTO DE 65%

Nova categoria garante maior redução na conta de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza A Copasa implantou, desde 22 de janeiro, uma nova modalidade de Tarifa Social, ampliando o alcance do benefício destinado às famílias de baixa renda em Minas Gerais. A nova categoria concede desconto de 65% nas contas de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza, sem limite de consumo. Prevista pela Lei Federal nº 14.203/2021, a Tarifa Social assegura desconto na fatura mensal para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Desde dezembro de 2024, uma nova legislação federal também passou a garantir automaticamente o benefício aos contemplados pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), independentemente da condição socioeconômica. O BPC é destinado a idosos e pessoas com deficiência, incluindo crianças com transtorno do espectro autista. Seguindo critérios de composição familiar registrados no CadÚnico, o program...

AXIA ENERGIA FAZ TESTES DE ROTINA NAS SIRENES DA USINA DE FURNAS

Objetivo é assegurar a plena operação do sistema implantado nos municípios de São José da Barra , São João Batista do Glória e Capitólio O sistema de comunicação e alerta da Usina de Furnas, operada pela AXIA Energia, passará por testes acústicos entre os dias 24 e 26 de fevereiro. A ação ocorre nos municípios de São José da Barra, São João Batista do Glória e Capitólio, e conta com o apoio das defesas civis locais. A atividade faz parte do Plano de Ação de Emergência (PAE) da usina. O objetivo é assegurar o pleno funcionamento do sistema, garantindo o alcance da comunicação nas comunidades onde os equipamentos estão instalados.    De acordo com o coordenador do PAE pela AXIA Energia, Cristiano Simão , os moradores não devem se preocupar e nem modificar seu cotidiano quando ouvirem as sirenes. “Trata-se somente de um teste. A usina segue em pleno funcionamento, sem qualquer anormalidade em sua operação”, afirma.    O PAE estabelece critérios e ações de segurança para as usinas fiscal...