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CAPOEIRA É TEMA DE PROJETO DESENVOLVIDO NA UNIDADE DA UEMG EM DIVINÓPOLIS

Aulas de capoeira na quadra da Unidade Divinópolis. Ao centro, Eudes Misael

A roda de capoeira é uma das mais importantes representações da cultura do Brasil e, por compreender sua força, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a reconheceu como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, em 2014. 

No site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é explicada a importância deste reconhecimento: “É uma conquista muito importante para a cultura brasileira e expressa a história de resistência negra no Brasil, durante e após a escravidão. Originada no século XVII, em pleno período escravista, desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados, estratégia para lidarem com o controle e a violência. Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo o território nacional, além de praticada em mais de 160 países, em todos os continentes”.

Percebendo a representatividade desta arte, desde 2011 é desenvolvido, na UEMG Unidade Divinópolis, o projeto “Capoeira: das senzalas à universidade”, do curso de Educação Física (Bacharelado), sob orientação do professor Fábio Peron Carballo, coordenador do curso. 

Em seis anos de trabalho, cerca de 200 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, já participaram do projeto, que é gratuito e acontece às segundas, quartas e sextas-feiras, das 17h40 às 18h40, na quadra da unidade.

O responsável por ministrar as aulas é o mestre de capoeira Eudes Misael da Silva, voluntário no projeto, formado em Educação Física (Licenciatura) na UEMG Divinópolis e estudante do mesmo curso, no Bacharelado. 

Para ele, o desenvolvimento deste projeto, sobre capoeira, dentro do ambiente acadêmico torna-se uma ferramenta de fomento, transformação e ação social. 

“Manter um projeto de capoeira na universidade é garantir o diálogo entre a comunidade, estudantes, professores e funcionários da instituição”, complementa Eudes.

Além dos estudantes dos cursos de Educação Física – Bacharelado e Licenciatura –, outros acadêmicos participam do projeto. 

Estudantes dos cursos de História, Pedagogia, Engenharia Civil e Letras também frequentam as aulas, como é o caso de Elizamara Marçal Pelegrino, do 9º período de Engenharia Civil, que participa do projeto desde janeiro de 2017. 

Para a estudante, o projeto é importante para acabar com o preconceito que o envolve: “Ainda se vê muito preconceito com a capoeira. Às vezes, ela estar em um ambiente acadêmico pode ajudar a acabar com esse preconceito e mostrar para as pessoas que capoeira é coisa séria e independe de cor, raça ou gênero; qualquer um pode praticar”.


Ralder Marco Aurélio dos Santos também é egresso do curso de Educação Física (Licenciatura) e está no 7º período do mesmo curso, agora no Bacharelado. Para ele, o projeto é de extrema importância para a universidade, pois proporciona às comunidades acadêmica e externa a prática de atividade física e também propaga toda a questão cultural e histórica da capoeira. 

“Além disso, a instituição possui os cursos de Educação Física, que têm, em sua grade, disciplinas sobre lutas. Dessa forma, este projeto dá aos estudantes que têm interesse a possibilidade de aprender mais, na prática, além de tirar dúvidas”, expõe Ralder. 

Portanto, o projeto, que começou com o objetivo de descriminalizar a capoeira e gerar material acadêmico, ainda serve como laboratório para os estudantes.

Sobre este aspecto, Eudes, que pratica capoeira há mais de 20 anos, destacou quais foram os seus maiores aprendizados: “A licenciatura me proporcionou melhores dinâmicas e metodologias de ensino. Agora consigo montar um plano de aula adequado para qualquer faixa etária, analisar movimentos, investigar se estão adequadas para o desenvolvimento geral do indivíduo. A licenciatura é a base para qualquer professor. Associando o conhecimento de capoeira, ao longo desses 20 anos de prática, me tornei um professor mais seguro e preparado. Já o bacharelado tem me possibilitado melhorar a parte técnica do capoeirista. Refinar movimentos, melhorar a condição física e o rendimento. Trabalhar a capoeira como esporte e luta. Com o conhecimento da anatomia e biomecânica, consigo prolongar o rendimento do atleta/capoeirista e seu tempo na capoeira, proporcionando, assim, melhora na qualidade de vida”.

Daniel Aparecido Ferreira, que é egresso do curso de Educação Física (Licenciatura) e participa do projeto desde 2012, conta que se interessou pelo curso depois que começou a participar do projeto. 

“A capoeira, no meu período de formação na faculdade, foi o meu diferencial. Hoje, posso contar que tenho duas formações: sou educador físico e professor de capoeira”.

Além das aulas, o projeto participa de alguns eventos, como o que ocorreu em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, no último 8 de abril, na Praça da Catedral, no Centro de Divinópolis. 

O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis (Semusa), em parceria com três instituições de ensino – UEMG, Universidade Federal de São del-Rei (UFSJ) e Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas). 

Durante o evento, os cerca de 30 capoeiristas que participam do projeto em 2017 puderam expor o que foi aprendido até agora.

Dia Mundial da Saude

Já entre os dias 28 e 30 de abril, foi realizado o 3º Festival Internacional Capoeira Sião, que contou com a presença de vários mestres de capoeira, não apenas da região, mas também de outros países, como a Alemanha. 

“Durante os três dias de evento, foram realizadas várias rodas de capoeira com o intuito de integrar os alunos aos mestres. Aconteceram, também, oficinas, em que mestres e professores convidados puderam aumentar o conhecimento dos alunos sobre técnicas e musicalidade”, destaca Eudes.

No festival, ocorreu a troca de cordas, que é o momento em que o aluno recebe a graduação equivalente ao seu esforço e dedicação na prática da capoeira. 

No evento, 21 alunos trocaram suas graduações, inclusive o mestre Eudes, que também recebeu uma graduação surpresa: a corda marrom, em reconhecimento aos 20 anos de dedicação à capoeira.

3º Festival Internacional Capoeira Sião

As perspectivas do projeto são, entre outras, tornar-se uma referência nacional para difundir ainda mais a prática da capoeira, principalmente no meio acadêmico. 

“Esperamos melhorar e manter o projeto, atingir cada vez mais pessoas, promover mais ações junto à comunidade e fazer do projeto uma referência nacional, pois já é pioneiro na cidade e aqui se tornou referência”, finaliza Eudes.

As inscrições para participar do projeto devem ser feitas no próprio local onde são realizadas as aulas de capoeira.

por Isabella Marques - da assessoria UEMG Divinópolis

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