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LAVRAS DEVERÁ ABRIGAR ESCOLA FERROVIÁRIA

Comissão discute criação de instituição de ensino que também deve ter cursos nas áreas de turismo e comércio
Na reunião, foram discutidas não apenas a implantação da escola com cursos profissionalizantes, mas também a revitalização das linhas ferroviárias

Investir em ferrovias não para acabar com as rodovias, mas para complementar o transporte e, assim, criar um sistema intermodal. Essa foi a defesa dos participantes da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, na qual foi discutido o projeto de implantação de uma escola ferroviária em Lavras no ul de Minas, que deverá oferecer cursos profissionalizantes para quem deseja atuar na área. A reunião aconteceu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã desta quinta-feira (2/8/18).

Alguns dos convidados já têm trabalhado para garantir a criação da Escola Ferroviária de Lavras, que, segundo eles, deve começar a funcionar já no próximo ano.

De acordo com o diretor-geral da Escola Técnica Estadual de Transporte Engenheiro Silva Freire, do Rio de Janeiro, Roberto Santana, a pretensão é de que a instituição de ensino ofereça cursos específicos para trabalhos em ferrovias, como maquinistas e  técnicos de manutenção, mas também em outras áreas, como turismo e comércio. 

“A ferrovia é fonte primária de ação econômica e essa interdependência pode ser trabalhada a partir da escola”, explicou.

Nos encontros e conversas para criar a Escola Ferroviária de Lavras, uma instituição que, segundo Roberto Santana, tem participado ativamente é o Exército brasileiro. 

Assim, deve ser realizado, em breve, um seminário nacional civil e militar para tratar da revitalização das ferrovias brasileiras. O diretor da Escola Técnica afirmou, ainda, que já existiram 22 escolas ferroviárias no País e hoje só existem duas.

Outros pilares apresentados por ele para a Escola de Lavras seriam a criação de uma ferramenta online de encaminhamento dos estudantes para o mercado de trabalho e o envolvimento de universidades para incentivar que os alunos atuem também na área de pesquisa.

Roberto Santana salientou também parcerias com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça com a intenção de participar em projetos de reinserção social e econômica de egressos do sistema prisional. Por fim, há planos, de acordo com o convidado, de oferecer cursos semipresenciais para contemplar interessados de todo o Estado.

Convidado defende uso de multas devidas na revitalização de linhas
O diretor da ONG Trem, André Tenuta, destacou que muitas linhas ferroviárias foram entregues à iniciativa privada na década de 1990 e, já nos anos 2000, devolvidas para a União em situação de abandono e degradação. 

Em função das condições da devolução, as empresas devem multas altas e uma das preocupações é garantir que esses recursos sejam revertidos para a revitalização das ferrovias. Ele acredita que essa é a ação mais importante para retomar o uso das ferrovias.

O deputado João Leite (PSDB), presidente da comissão, disse que também é preciso inserir a preocupação com as ferrovias nos planos de atuação governamentais, especialmente nas leis orçamentárias.

Ele lembrou que as discussões sobre o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) começarão este semestre na ALMG e a ideia é incluir nele um Plano Estadual de Revitalização Ferroviária. “Colocaríamos aí tudo aquilo que é importante para alcançar esse objetivo nos próximos cinco anos, que é o tempo de abrangência do PPAG”, disse.

Uma boa notícia foi dada pelo presidente do Circuito Ferroviário Vale Verde, César Mori Junior. Segundo ele, no próximo ano já devem começar a funcionar três novos carros trens de passageiros, que cobrirão trechos a partir de Lavras. 

O trecho inicial iria até Carmo de Cachoeira, mas o plano é chegar até Varginha. O grupo já opera duas linhas de passageiros, as Estradas de Ferro Carajás e Vitória a Minas, além do trem turístico Ouro Preto-Mariana.

César Mori disse que a instituição que representa também tem participado da mobilização pela Escola Ferroviária em Lavras e afirmou que eles possuem equipamentos, como cabine de simulação para treinamento de condutores, que poderão, por meio de parcerias, ser cedidos.

Ocupação - Membros da Guarda Municipal de Mariana, na Região Central do Estado, estiveram na reunião para denunciar a depredação de linhas e estações ferroviárias no município. Segundo o guarda municipal Antônio Marcos Ramos de Freitas, várias áreas da rede têm sido ocupadas por movimentos por moradias.

Isso estaria resultando em depredação das linhas e de patrimônios históricos, já que alguns dos prédios das estações têm quase 300 anos. O deputado João Leite disse que a comissão vai apoiar a luta contra essas depredações.

da assessoria da ALMG

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