Pular para o conteúdo principal

COMO NASCE UM ATLETA OLÍMPICO?

O professor Raoni Perrucci Toledo Machado é o coordenador do Grupo de Estudos Olímpicos da UFLA

Você já parou para pensar o que fez o velocista jamaicano Usain Bolt, a tenista norte-americana Serena Williams, o ginasta brasileiro Arthur Zanetti e tantos outros esportistas chegarem ao pódio olímpico? Atletas olímpicos são considerados deuses do esporte. E não é por menos. Eles chegam ao limite do corpo na busca do alto desempenho e do nome eternizado na história.

Segundo o coordenador do Grupo de Estudos Olímpicos da Universidades Federal de Lavras (UFLA), professor do Departamento de Educação Física (DEF) Raoni Perrucci Toledo Machado, desde as raízes históricas do olimpismo na Grécia antiga até os dias de hoje, o esporte é um fenômeno sócio cultural diretamente relacionado ao tempo. Na antiguidade, os relatos demonstram que as pessoas eram movidas pela glória.

“Desde o século XX, um apanhado de histórias de vida, origens sociais e culturais dos atletas revelaram que alguns deles tiveram acesso a bons clubes desde criança, o incentivo do professor de educação física foi essencial para outros e há, por exemplo, no caso dos velejadores, quem conseguiu bons resultados porque tinha acesso a barcos”, conta.

Embora o caminho para se chegar às medalhas seja complexo, o professor do DEF explica que o esportista precisa ter, pelo menos, acesso a um clube que o inicie na modalidade esportista de maior nível de competitividade. “Se ninguém teve acesso a um arco e flecha, não é possível saber se haveria medalhista olímpico na modalidade. É preciso dar condições para o salto entre a prática esportiva prazerosa e a competitiva de alto rendimento”, ressalta.

Brasil
O Brasil, infelizmente, está na posição oposta aos países líderes dos rankings de medalhas em Jogos Olímpicos.  O baixo desempenho dos atletas olímpicos brasileiros acontece independente do país ser uma das 10 maiores economias do planeta. Para um país continental e populoso, o Brasil não desponta com chances de fazer uma campanha sólida e sonhar com muitos pódios em Campeonatos Mundiais e nos Jogos Olímpicos, exceto pelo alto rendimento de talentos individuais. “O modelo esportivo brasileiro é de sorte”, afirma Raoni Perrucci Toledo Machado.

É que, tradicionalmente, o país aposta no modelo piramidal cuja base seria a introdução do jovem no esporte por meio da educação física escolar. Na sequência, o atleta partiria para o segundo nível (clubes), seguido do terceiro nível (profissional) e o quarto (elite internacional esportiva).

O erro brasileiro é contabilizado no baixo quadro de medalhas. “Se esse modelo fosse verdadeiro, países com maior número populacional conseguiriam as maiores quantidades de medalhas. No entanto, países com populações pequenas como Cuba, França, Alemanha e Inglaterra chegam às finais dos Jogos Olímpicos”, frisa.

No caso do futebol profissional, os resultados brasileiros são satisfatórios à medida que a modalidade esportiva causa grande empatia no mundo inteiro. “Desde a década de 1920, o futebol está muito na mídia e as pessoas procuram o esporte por inércia. Como muita gente joga futebol no Brasil, saem bons jogadores, embora pequemos na especialização desse modelo”, explica.

Medalhistas
Nações que prezam pela qualidade de vida, com elevado nível de educação, e investem pesado na formação de atletas têm mais chances de conquistar medalhas em Jogos Olímpicos. O incentivo dos jovens também tem papel importante na formação de ícones esportivos.

Um dos casos mais cativantes foi o da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, com o lema “Inspirando uma geração”. “Todas as ações de marketing e educativas trabalharam o legado olímpico direcionado à comunidade escolar da Inglaterra. Muitas crianças participaram da abertura no intuito de aproximá-las do ambiente esportivo”, disse o professor da DEF, Raoni Perrucci Toledo Machado.

Criado nos Jogos de 1924 em Paris, na França, o slogan olímpico surgiu para transmitir a mensagem positiva do esporte e do espírito olímpico entre as nações.

por Pollyanna Dias - da assessoria da UFLA

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOTA À IMPRENSA

Mesa diretora expede ofício para a Comissão de Ética realizar abertura de eventual apuração ético-parlamentar relacionada ao vereador Evandro Oliveira Miranda A Câmara Municipal de Lavras informa que, na tarde desta segunda-feira (28), a Mesa Diretora se reuniu e deliberou pelo encaminhamento do pedido de abertura do processo ético-parlamentar envolvendo o vereador Evandro Oliveira Miranda para análise e avaliação da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. A medida segue os procedimentos previstos nas normas internas da Casa Legislativa e da Lei Orgânica do Município, garantindo que o processo seja analisado pelo órgão competente, com observância dos princípios legais, do direito à ampla defesa e ao contraditório. A decisão acontece após um cidadão solicitar a representação para instauração de apuração ético-parlamentar e análise de medidas cautelares cabíveis, diante da decretação de prisão preventiva do parlamentar citado, ocorrida em 16 de setembro de 2026. Isso posto, a Comissão de...

MPF BUSCA ACORDO COM MINERADORA PARA REPARAÇÃO SOCIOAMBIENTAL A COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE PARACATU

PARACATU (MG) - O Ministério Público Federal (MPF) atua para firmar um acordo com a multinacional canadense Kinross Gold Corporation voltado à reparação de danos socioambientais, territoriais e culturais causados às comunidades quilombolas de Machadinho, Amaros e São Domingos, em Paracatu (MG), no Noroeste de Minas Gerais. A negociação, conduzida pelo procurador regional da República José Adércio Leite Sampaio em ação civil pública no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), estrutura-se em três eixos principais: reconhecimento oficial das comunidades, garantia dos direitos territoriais e definição de critérios para indenizações e reassentamentos. A iniciativa busca reparar violações registradas ao longo de décadas de exploração minerária na Mina Morro do Ouro. Para acompanhar a realidade enfrentada pelas populações atingidas, o MPF visitou as instalações da mineradora e promoveu reuniões com representantes das três comunidades quilombolas. A presença no local permitiu verificar...

BOLSONARO CONDENADO

Nesta quinta-feira (11), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, condenar os oito réus do Núcleo 1 da ação penal 2668, a trama golpista. A AP 2668 tem como réus os oito integrantes do Núcleo 1 da tentativa de golpe, ou “Núcleo Crucial”, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR): o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF; o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu-colaborador); o ex-presidente da República Jair Bolsonaro; o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa. A acusação envolveu os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de E...