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COSTUREIRAS FABRICAM MAIS DE 2 MILHÕES DE MÁSCARAS

Com as máquinas e a produção paralisadas devido à quarentena, elas resolveram produzir o material para doar à Santa Casa de Monte Belo

Em meio à crise provocada pela pandemia do novo Coronavírus e os impactos no mundo, eis que surgem exemplos de solidariedade. Desta vez, a lição veio do interior de Minas Gerais. Costureiras da pequena cidade de Monte Belo, no Sul do estado, fabricaram mais de duas mil máscaras descartáveis para a Santa Casa de Misericórdia, único hospital do município.

A decisão de ajudar veio depois que uma das costureiras moradoras de Monte Belo, Dona Nilce Pereira Shinoda, apreensiva com as notícias da pandemia, se dispôs a ajudar a Santa Casa, que enfrentava dificuldades para comprar máscaras cirúrgicas de fornecedores. “Se não servirmos enquanto estão precisando da gente, não serviremos para hora nenhuma,” acredita a costureira.

As máscaras foram confeccionadas com TNT, em galpões e ateliês que em épocas normais fabricam lingeries e uniformes, mas que estavam parados devido à quarentena. Depois de prontos, o material foi levado para o hospital, onde passou por esterilização em autoclave.

A direção da Santa Casa de Misericórdia de Monte Belo explicou que essas máscaras serão uma ajuda para proteger e atender à demanda de pacientes que passam pela recepção do hospital. As máscaras de TNT estão sendo entregues apenas para pacientes que aguardam por atendimento no pronto-socorro. Já os pacientes que chegam com sintomas da Covid-19 recebem a máscara cirúrgica, que é mais segura, e atende o protocolo do Ministério da Saúde.

Corrente do bem
A corrente de solidariedade contou com a participação de sete costureiras, todas microempreendedoras e pequenas empresárias, que fazem parte da Associação Montebelense de Moda Íntima (AMMI ). Elas decidiram atender ao chamado de Dona Nilce. “Eu sabia que sozinha não iria conseguir, então, resolvi convidar outras costureiras da cidade”, relembra a costureira.

Elaine Cristina foi uma delas. Com a ajuda de funcionárias, que revezavam duas por vez, para evitarem aglomeração, conseguiram confeccionar quinhentas máscaras. “Fui uma das primeiras a aceitar o convite. Acho que sempre que a gente puder ajudar, temos que estar dispostos. E se fosse alguém da minha família que estivesse precisando da máscara?”, questiona Elaine, proprietária da ‘Crislu Moda Íntima’.

Outra pequena empresa local a contribuir com a boa ação é a ‘Maçã Verde Moda Íntima’. Localizada na zona rural de Monte Belo, a loja fabrica, em média, três mil conjuntos de lingerie por mês. A dona da confecção, Lucilene dos Reis Leonardo Paiva, contou que com as funcionárias em casa, por causa da quarentena, resolveu pedir a ajuda às duas filhas, a irmã e ainda a uma amiga para cumprirem a missão de fabricar 1.500 máscaras para o hospital. E elas conseguiram. “Antes nós podermos ajudar, do que necessitar. No que eu puder, quero ajudar sim,” afirma Lucilene.

Polo de lingeries
Hoje, Monte Belo é considerada polo de fabricação de lingeries em Minas Gerais. São cerca de 130 empresas, entre confecções e lojas, que geram mais de dois mil postos de empregos na cidade e na zona rural. A maioria dessas confecções é liderada por mulheres, que antes só tinham a opção de trabalhar nas lavouras do município.

O desenvolvimento da nova vocação ocorreu com a ajuda do Sebrae Minas, que ofereceu capacitações e treinamentos para as empreendedoras. “Ensinamos a importância da ‘cultura da cooperação’ para que todas crescessem juntas e de forma organizada. Agora o aprendizado voltou-se para a solidariedade, por uma causa maior,” comenta a analista do Sebrae Minas Adaíby Gonçalves. 

Com a matéria-prima que sobrou da fabricação das máscaras, parte das costureiras que moram na zona rural, entre Monte Belo e Cabo Verde, estão produzindo outras para entregar no Hospital de Cabo Verde, cidade vizinha. Enquanto isso, mais confecções trabalham para fabricar máscaras para cuidadores de idosos de Monte Belo.

com assessoria do Sebrae Minas

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