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PRESIDENTE DA ACIL DIVULGA DOCUMENTO QUE DESMENTE FALA DO PREFEITO DE LAVRAS

Chefe do Executivo disse em 'live' no Facebook que não teria sido procurado por representantes da entidade; presidente da ACIL mostra documento que desmente a postura do prefeito
Prefeito José Cherem

Com o avanço da pandemia do coronavírus (Covid-19) decretos baixados por governadores e prefeitos em todos país, fecharam o comércio e indústrias e impuseram restrições para os setores chamados de serviços essenciais, que continuam funcionando, para garantir por exemplo, o abastecimento do país. No Sul de Minas, a grande maioria dos prefeitos têm se reunido constantemente com empresários e entidades representativas para alinhar as ações, bem como, ouvir estes setores do comércio e da indústria, buscando soluções conjuntas. 

Em Varginha, terceira maior cidade do Sul de Minas, a prefeitura tem realizado constantes reuniões com o setor empresarial e comercial e com as autoridades do Poder Público, como Polícia Militar e Ministério Público. Como fruto deste diálogo, entre os vários setores, o prefeito Antônio Silva (PTB) baixou decreto liberando o funcionamento de setores do comércio local a partir da próxima segunda-feira, 6. Além do comércio lojista, o decreto também liberou o comércio de atacado e varejo, feiras e cultos religiosos. O funcionamento das lojas será 10h às 17h e exige uma série de restrições e determinações, todos com as devidas restrições e adoção de medidas sanitárias impostas, fruto do diálogo e comum acordo.

Em Lavras, quinta maior cidade do Sul de Minas, e cuja economia está centrada no setor de serviços, quando do agravamento da pandemia, no dia 20 de março, o prefeito José Cherem (PSD) divulgou um vídeo onde aparece ao lado apenas da direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL). Neste vídeo, o prefeito comunicou a publicação do decreto fechando o comércio de Lavras. Além da CDL, que representa apenas o setor lojista, Lavras possui a pujante e centenária Associação Comercial e Industrial de Lavras (ACIL), fundada em 18 de março de 1906,  por comerciantes e industriais do município. Tamanha importância da ACIL na história e na sociedade lavrense, é que seu primeiro presidente foi o professor Firmino Costa Pereira, figura ilustre e que teve papel fundamental no engrandecimento de Lavras. Também passaram pela direção da ACIL, João Teixeira de Carvalho, Nelson Alvarenga Figueiredo, Juca Venerando, Abílio Elias Ticle, fazendo dela uma das instituições mais relevantes da cidade. 

Para perplexidade de muitos, em uma 'live' realizada  na conta no Facebook (veja o vídeo abaixo) ontem, sexta-feira, 3, o prefeito José Cherem insinuou que diversos comerciantes o estavam procurando para saber sobre a situação do comércio e que até o momento ele não teria sido procurado por nenhum representante da ACIL. Ainda para a perplexidade de muitos, o prefeito ainda demonstrar desconhecer quem seriam os reais dirigentes da entidade.


A fala do prefeito José Cherem repercutiu imediante, e também pelo Facebook, o presidente da ACIL, o advogado Marcelo Sabato se manifestou e exibiu um documento comprovando que a entidade procurou institucionalmente o chefe do Executivo para contribuir com o debate e buscar soluções para a situação do comércio e do setor industrial da cidade. 

"Acabamos de tomar conhecimento de uma 'live' realizada pelo Prefeito Municipal, Sr. José Cherem, no qual o mesmo faz citação do nome da ACIL, como se a entidade não o tivesse procurado para debater formas de reorganização do comércio local. Infelizmente, a fala do Prefeito reflete seu total desrespeito à instituição centenária e que hoje representa mais de 480 empresários e prestadores de serviços autônomos do Município de Lavras, e que já foi presida por respeitáveis membros de sua família. Reforço a todos que caberia a ele, Chefe do Poder Executivo Municipal e único responsável pela edição dos atos que determinaram o fechamento parcial do comércio, buscar esteio nas entidades civis que representam o seguimento, não só a ACIL, mas a CDL (como tem feito), os Sindicatos classistas e outras", afirma Marcelo Sabato.

Segundo o presidente da ACIL, na data de 26 de março de 2020, a entidade encaminhou ao gabinete  do prefeito o ofício (abaixo), onde sugeriu a concentração de esforços para que, juntos, pudessem contribuir para a população de Lavras, "mas, infelizmente, repito, sequer resposta obtivemos".


"Nossos Associados sabem que temos agido, dentro de nossas limitações, para contribuir para que Lavras não continue com a ideia do individualismo ou da separação de grupos. Novamente Varginha, e agora Campo Belo, saltam à frente e na segunda feira darão início à retomada, parcial e progressiva das atividades comerciais. É o prefeito olhando para a saúde e a economia de sua cidade, em conjunto e não isoladamente. Enquanto isso, a critério do Prefeito, Lavras continua com suas divisões, mesmo no momento em que mais se precisa de união. Seguimos nosso compromisso com nossos Associados", conclui o presidente da ACIL, Marcelo Sabato.

A postura do prefeito seria em virtude de na diretoria ACIL haver pessoas que o chefe do Executivo local considera como oposição, por terem participado da administração passada, demonstrando que mesmo em uma crise de saúde pública, o prefeito - ao contrário do que tem acontecido no país onde históricos inimigos políticos tem somado esforços - não está disposto a somar forças e prefere se agarrar velha política e se deixar levar por vaidades e frustrações pessoais.

Intransigência, confusão e falta de rumo
Desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o Covid-19 como uma pandemia, não se pode dizer que a Prefeitura de Lavras adotou um discurso firme e embasado. Diante do silêncio institucional até culminar com a fatídica coletiva do prefeito anunciando de forma imponente uma coisa e poucas horas depois recuando devido a diversas pressões, até chegar ao controverso Decreto 15.339 de 17 de março, do prefeito José Cherem.

Demonstrando total falta de rumo e descompasso na crise do novo coronavírus (Covid-19), em poucas horas o prefeito de Lavras voltou atrás na decisão que afetava a vida de 11 mil alunos da rede municipal de ensino na cidade, bem como dos trabalhadores da educação.

Na tarde do dia 17 de março, durante entrevista coletiva concedida pelo chefe do Executivo para apenas uma parte da imprensa da cidade, conforme tem sido a política durante sua administração, Cherem, de forma irredutível, anunciou que não iria suspender as aulas nas escolas municipais da cidade. O anúncio de que não iria suspender as aulas gerou uma imensa revolta, indignação e perplexidade. 

Em transmissão ao vivo feita rede social Facebook na noite do mesmo dia, o prefeito voltou atrás em sua decisão e decidiu suspender as aulas em toda rede municipal de ensino a partir de amanhã, quarta-feira, 18.

Demissões já assombram os lavrense; prefeito se mantém em silêncio
A crise do coronavírus (Covid-19) já traz junto consigo nesta semana uma nova crise que irá se prolongar de forma muito mais devastadora: a social. Com cada governador e prefeito, do seu modo e sem uma coordenação, tomando duras medidas restritivas ao comércio e ao setor produtivo, milhares de empregos estão na berlinda. De acordo com estimativas da Organização Mundial do Trabalho (OIT), 25 milhões de empregos serão destruídos em todo o mundo, se os governos não agirem rapidamente. 

De acordo com a  Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) de Minas Gerais o setor de comércio e serviços seja impactado negativamente em mais de R$ 100 bilhões nos próximos meses. A projeção tem como premissa a normalização das atividades a partir de maio. Caso os efeitos da pandemia avancem além desse período, o impacto será ainda maior, com graves consequências para a economia do país. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil conta hoje com quase 12 milhões de desempregados e cerca de 38 milhões de pessoas estão na informalidade. Com o colapso da economia, o Brasil poderá contabilizar mais 8 milhões de desempregados, elevando o total a 20 milhões, trazendo caos total para a economia.

Em Lavras, no Sul de Minas, cuja economia local depende muito do setor de serviços, as medidas restritivas foram impostas pelo prefeito José Cherem (PSD), que se se mantém em total silêncio e não apresentou até o momento nenhuma medida emergencial para proteção da economia local, dos trabalhadores, além da proteção social, uma vez que muitas famílias entrarão em situação de vulnerabilidade social. Lavras vive um constante vai e vem de decretos municipais, que também contribuem para insegurança da população e desencontro de informações. 

Desde o último dia 24, já estão ocorrendo demissões na cidade e também no entorno de Lavras. Com famílias inteiras em casa, o que aumenta o consumo de alimentos, água e energia elétrica e o dinheiro cada vez mais escasso, o clima já é de apreensão nos lares lavrenses. 

Além disso, as cidades do entorno de Lavras, que são pequenas e tem o município como polo, a situação também será crítica, uma vez que grande parte dos moradores dessas cidades dependem da cidade como opção de emprego de seus moradores. 

Especialistas já apontam que dentro de um mês, a onda do desemprego já tomara conta do Estado de Minas Gerais. Com a paralisação do setor comercial e produtivo e o desemprego, também vem a queda na arrecadação dos já combalidos municípios mineiros, bem como do Estado, acarretando um grande colapso da máquina pública.

Se os governantes não despertarem, largarem a politicagem e correrem contra o tempo, com medidas efetivas, a população verá as piores expectativas para a economia se confirmarem.

Comentários

Ace disse…
Sinceramente o futur da economia do nosso municipio esta sofrendo muito com essas medidas e o quanto antes tem de ser tomada as devidas providencias para que o comercio lavrense nao caia em colapso por parte de irresponsabilidade executiva municipal enquanto que outros municipios ja adotaram medidas de prevencao nao so ao covid 19 mas tambem demosntraram preocupacoes com a economia e consequente sobrevivência da populacao .

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