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ÍNDIO CACHOEIRA EXPLICA COMO TROCOU O VOLANTE PELA MÚSICA CAIPIRA EM ALFENAS

por Eduardo Tristão, do Estado de Minas

As mãos que até pouco tempo tocavam volante de ônibus na cidade paulista de Guarulhos agora estão totalmente comprometidas com a música. Nascido em Junqueirópolis, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, o violeiro Índio Cachoeira largou a casa alugada e o emprego como motorista de transporte coletivo e partiu para Alfenas, no Sul de Minas. Recém-instalado na casa de um dos seus quatro irmãos, finalmente resolveu dedicar-se exclusivamente à música. Já estava na hora: o artista, que está completando 40 anos de carreira, acaba de lançar Violeiro bugre, seu terceiro disco solo instrumental.Hoje, Índio Cachoeira sobrevive construindo violas, violões, cavaquinhos de oito cordas e harpas em sua oficina. Não conta com o dinheiro dos shows, realizados quase sempre em São Paulo. “Tem mês que tem; tem mês que não tem. Viajo mais pela divulgação dos meus discos. Se cai um trocado, eles mandam para a minha conta”, afirma o violeiro. Ele sabe que o público de viola caipira é grande em Minas Gerais e pretende logo agendar apresentações em Belo Horizonte e no interior.


“Sou novato por aqui, o pessoal ainda está me conhecendo”, diz. Mora sozinho – ou, como gosta de dizer: “Eu, a viola e o cachorro”.José Pereira de Souza virou Índio Cachoeira aos poucos. Começou tocando nas rádios da região de Junqueirópolis, aos 17 anos, com o nome de Cachoeira. Em 1995, depois de ter formado algumas duplas – uma delas com Tião do Gado, hoje conhecido como Carreiro, parceiro de Carreirinho – e tocado com várias outras, tornou-se o Pajé e gravou com o companheiro Cacique cinco discos. “Acharam que minha voz parecia com a do Pajé e me colocaram no lugar dele quando morreu”, conta. Incorporou o Índio para honrar sua ascendência, já que é neto de pataxós. Atualmente, faz dupla com Cuitelinho.


“Não procuro imitar ninguém e, sim, criar meu estilo. A música que faço é rural mesmo, meio indígena. Dentro de mim está um índio e lá de dentro eu tirei esse estilo. Junqueirópolis é um lugar onde sai até fogo de dentro das violas, os músicos parecem estar forjando a música na hora. Quem me ensinou a tocar foi a minha loucura, me enfiei no meio dos violeiros para aprender. Chegava a esquecer de almoçar e jantar por causa da viola. Desde os 8 anos eu futuco viola”, conta. “Não sei se a turma mais nova vai gostar de um velho como eu, mas vamos lá”, acredita.

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