Pular para o conteúdo principal

TCE APONTA QUE RENÚNCIA DE RECEITA E GASTOS COM PESSOAL AGRAVAM A CRISE DO ESTADO

 Crescimento dos gastos com pessoal durante o Governo Pimentel também será alvo de investigação

O relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) para verificar o impacto da crise econômico-financeira sobre a evolução das receitas e despesas do Estado foi aprovado pelo presidente do Órgão, conselheiro Cláudio Couto Terrão, no último dia 18. 

O documento, resultado do estudo realizado pela Superintendência de Controle Externo e pela Diretoria de Controle Externo do Estado, em atendimento à Portaria da Presidência nº 80/2017, concluiu que o Tribunal deve adotar medidas urgentes de fiscalização para evitar que a situação fiscal do Estado se agrave ainda mais.

O Tribunal vai se aprofundar na fiscalização da receita em relação às renúncias fiscais concedidas e na necessidade de cobrança da dívida ativa do Estado. 

Quanto às despesas, irá promover auditoria para verificar de forma detalhada a situação de restos a pagar inscritos sem disponibilidade de caixa e dos atrasos nos repasses de recursos do ICMS pertencentes aos municípios, bem como das parcelas referentes a empréstimos consignados dos servidores públicos. O crescimento dos gastos com pessoal também será alvo de investigação.

Com a aprovação do relatório, o Tribunal de Contas adotará “ações de controle voltadas a garantir que o governo adeque sua política fiscal à realidade econômico-financeira vivenciada pelo Estado de Minas Gerais, promovendo medidas de ajuste que não contemplem apenas as já adotadas providências heterodoxas de incremento da receita, mas especialmente ações estruturais relacionadas à racionalização e o contingenciamento das despesas, sobretudo quanto aos gastos com pessoal ativo e inativo”.

Calamidade
O documento cita o relatório técnico da Coordenadoria de Fiscalização e Avaliação da Macrogestão Governamental do Estado (Cfamge) sobre as contas de governo de 2016, que contém uma análise do art. 65 da LRF, na qual explica o significado da expressão calamidade pública, a partir de outras fontes do Direito e conclui que ela se refere a situações causadas por desastres naturais, não abarcando desordens financeiras. 

Considera, também, que “quaisquer efeitos do decreto de calamidade financeira não têm suporte para afastar os comandos constitucionais e infraconstitucionais acerca do equilíbrio orçamentário e financeiro do Estado”

Receita
Na análise da renúncia de receita, destaca-se que “ que no exercício de 2016, ano em que foi decretada a calamidade financeira em Minas Gerais, o total renunciado por meio das modalidades de Crédito Presumido e de Regime Especial, além de aumentar sua representatividade em relação à renúncia de ICMS, de 34,70% para 83,99%, teve uma evolução de 75,77% comparado com exercício anterior e de 179,64% com exercício de 2013, chegando a R$ 3,481 bilhões. 

Esse valor é superior, até mesmo, ao registrado com as perdas da Lei Kandir, no montante de R$ 3,102 bilhões”.

Sobre os outros tributos, “merece comentário o crescimento de 134,09% da renúncia de IPVA, que, em2013, foi de R$ 25,892 milhões e saltou para R$ 60,612 milhões ao final de 2016, e a evolução de 45,21%da renúncia de ITCD, tomando por base os valores de R$ 135,386 milhões de 2013 e R$ 196,594 milhões de 2016”.

Para efeito de comparação, somente nas renúncias consolidadas e novas, o Estado deixou de arrecadar um valor de 8,75% maior que todos os gastos com ações e serviços públicos de saúde, em 2015.

Gastos com pessoal
No período de 2013 a 2016, a despesa com pessoal apresentou um crescimento de 55,29%, superando o percentual apurado em relação à despesa total, que, no mesmo período, cresceu 22,56%, o que evidencia a relevância, dentre as despesas da Administração Pública Estadual, dos gastos com a folha salarial dos servidores, bem como a sua participação na despesa total do Estado.

“Observa-se, dessa forma, um crescente comprometimento da receita arrecadada pelo Estado com as despesas de pessoal, a cada exercício, o que já se reflete no exercício de 2017, cuja despesa projetada no final do segundo quadrimestre estima-se em R$ 48,077 bilhões”.

Veja aqui o relatório na íntegra.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOTA À IMPRENSA

Mesa diretora expede ofício para a Comissão de Ética realizar abertura de eventual apuração ético-parlamentar relacionada ao vereador Evandro Oliveira Miranda A Câmara Municipal de Lavras informa que, na tarde desta segunda-feira (28), a Mesa Diretora se reuniu e deliberou pelo encaminhamento do pedido de abertura do processo ético-parlamentar envolvendo o vereador Evandro Oliveira Miranda para análise e avaliação da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. A medida segue os procedimentos previstos nas normas internas da Casa Legislativa e da Lei Orgânica do Município, garantindo que o processo seja analisado pelo órgão competente, com observância dos princípios legais, do direito à ampla defesa e ao contraditório. A decisão acontece após um cidadão solicitar a representação para instauração de apuração ético-parlamentar e análise de medidas cautelares cabíveis, diante da decretação de prisão preventiva do parlamentar citado, ocorrida em 16 de setembro de 2026. Isso posto, a Comissão de...

TSE RATIFICA REDEFINIÇÃO DE CADEIRAS NA CÂMARA

Por unanimidade, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ratificou, na sessão administrativa desta terça-feira, 27, a Resolução da Corte n° 23.389/2013, que redefiniu a distribuição do número de deputados federais por unidade da Federação e, como consequência, a composição das assembleias legislativas e da Câmara Distrital. Os efeitos da norma haviam sido suspensos pelo Decreto Legislativo nº 424/2013, aprovado pelo Congresso Nacional, mas com a decisão desta terça-feira voltam a valer. A decisão do Plenário foi tomada na análise de uma questão de ordem em petição apresentada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, acompanhando o voto do presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli. Os ministros entenderam não ter validade para as Eleições de 2014 o referido decreto legislativo por força do princípio da anualidade eleitoral (art. 16 da Constituição Federal), segundo o qual a lei que alterar o processo eleitoral não poderá ser aplicada ao pleito que “ocorra at...

MINAS TEM LEVE ALTA DE INADIMPLÊNCIA EM JANEIRO

Gastos sazonais, como IPTU e IPVA, acabam comprometendo o orçamento das famílias e aumentando em 0,18% o número de consumidores inadimplentes O início do ano de 2020 registrou leve aumento de 0,18% no número de consumidores inadimplentes em Minas Gerais na comparação com dezembro de 2019. Despesas sazonais, como IPTU e IPVA, comprometeram o orçamento das famílias. “Como neste período há uma sobrecarga de despesas, é importante o planejamento financeiro para não incorrer em dívidas que possam gerar a inadimplência”, explica o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva. Apesar do número de devedores ter apresentado alta, o cenário é mais otimista na comparação entre janeiro de 2020 (0,81%) e janeiro de 2019 (1,33%). Isso porque houve melhora de alguns indicadores macroeconômicos como a queda da inflação, da taxa de desemprego, dos juros, e ainda ocorreu a elevação dos rendimentos médios reais. Mulheres devem mais Hou...