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PESQUISAS EM TELECOMUNICAÇÕES IMPULSIONAM OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS PARA O ANO DE 2020

Pesquisadores do Inatel publicam pesquisas no maior evento sobre 6G do mundo que antecipa as tendências para a próxima década

O avanço das telecomunicações tem sido o impulsionador de grandes revoluções tecnológicas dos últimos tempos. Com o aprimoramento das redes de comunicações móveis, pesquisado e desenvolvido por engenheiros de telecomunicações, por exemplo, a humanidade tem vencido obstáculos e alcançado progressos impensáveis há uma ou duas décadas. 

E os próximos passos das redes de comunicações foram tema da segunda edição do 6G Wireless Summit, realizado de forma remota em março deste ano, que reuniu especialistas de agências governamentais, operadoras, fornecedores, institutos e universidades para apresentar e debater pesquisas para que a rede 6G seja comercializada em 2030, no que foi considerado o evento mundial mais importante sobre a futura geração de comunicações móveis. 

Com a organização da Universidade de Oulu, da Finlândia, o congresso contou com três publicações pioneiras de pesquisadores do Inatel.

O Laboratório de Pesquisa WOCA (Wireless and Optical Convergent Access) do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) de Santa Rita do Sapucaí, coordenado pelo professor Arismar Cerqueira, teve dois papers aprovados ambos sobre antenas para 6G. 

Para o mesmo evento também foi publicado um paper em conjunto do diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital José Gustavo Sampaio Gontijo, do Governo Federal, com o pró-diretor de Pós-graduação e Pesquisa do Inatel, professor José Marcos Câmara Brito e o coordenador do Centro de Referência em Radiocomunicações, Luciano Leonel Mendes.

De acordo com o professor Arismar Cerqueira, o grupo de pesquisa do Inatel está realmente na vanguarda, pois já em 2020 está contribuindo para uma tecnologia que está prevista para entrar no mercado apenas em 2030. 

“Nós estamos atuando juntos com o início do desenvolvimento do 6G no mundo. A sexta geração das comunicações móveis vai muito além de alta velocidade, que será da ordem de Tbps por usuário (um terabyte seria um bilhão de megabytes por segundo, se considerarmos a velocidade disponível hoje, de alguns megabytes por segundo, será um bilhão de vezes mais rápido), mas o 6G irá contar com outras aplicações. Tende a ser também uma revolução nas áreas de sensoriamento e imagens, as quais podem ser otimizadas com as antenas de Terahertz (THz) que estamos desenvolvemos no Inatel. Além das nossas pesquisas com foco no uso do grafeno para aplicação em antenas, material que está em evidência e inclusive foi tema do Prêmio Nobel”, destaca o coordenador do Laboratório WOCA do Instituto. 

O pioneirismo do Inatel se confirma no alinhamento com os maiores nomes da pesquisa em Telecomunicações mundiais, como a parceira finlandesa de Oulu, que publicou na ocasião do 6G Wireless Summit o primeiro white paper do mundo sobre o futuro da tecnologia e infraestrutura sem fio 6G. 

Para Luciano Leonel, coordenador do CRR do Instituto, o objetivo do trabalho que foi apresentado no evento era reunir o conjunto de informações referentes às aplicações da futura rede móvel e confrontar com a realidade nacional. 

“Este trabalho foi realizado juntamente com um dos diretores do MCTIC, o José Gustavo Sampaio Gontijo, que foi essencial no sentido de apresentar a visão governamental dessas demandas nacionais, enquanto que o Inatel atuou na parte técnica no levantamento das principais tecnologias habilitadoras da rede 6G e requisitos que elas deverão atender. A conclusão desse trabalho demonstrou que é possível posicionar o Brasil de forma estratégica na definição das redes 6G, por meio de um conjunto de ações de atuação junto aos órgãos padronizadores da tecnologia, a proposta de novos cenários, que atendam às demandas dos setores sócio-econômicos mais influentes da sociedade brasileira e também é possível agregar novas tecnologias desenvolvidas nas instituições nacionais” completa o professor Luciano Leonel Mendes. 

Em visita ao Inatel durante a última Semana da Engenharia de Telecomunicações, José Gustavo Sampaio Gontijo falou tanto sobre a importância e demanda dos engenheiros para o desenvolvimento dessas novas tecnologias, quanto da preparação das próximas gerações para os avanços que as Telecomunicações irão alavancar. 

“Se você pensar que em 2030 nossa sociedade será 5.0, temos que começar a preparar as crianças que hoje estão no Ensino Fundamental, para que tenham esse conceito de pensamento computacional ao chegarem aos 18 anos no mercado de trabalho com a consciência de que não se trata de saber mexer no computador, mas entender que daqui há 10 anos tudo ao redor das pessoas irá funcionar com pensamento computacional.” 

Uma das linhas de pensamento do evento afirma que para comercializar a rede 6G em 2030 o mundo será reconfigurado pelo mundo físico e digital que serão conectados de forma inteligente. A Internet dos Sentidos, a Internet da Inteligência Artificial e a Internet da indústria abrirão janelas de novos serviços, que podem nascer na era 6G. E esses novos serviços exercerão requisitos mais desafiadores.

Sobre a Pesquisa do 6G no Inatel
Em dezembro, o CRR criou o Projeto Brasil 6G, apoiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para o início das pesquisas em 6G no país. O Projeto Brasil 6G estabeleceu parceria com o 6G Flagship Project, da Universidade de Oulu na Finlândia, líder mundial das pesquisas em 6G. A rede 6G irá muito além de prover comunicação de voz e dados, como foram as outras redes móveis até agora. 

“Teremos um mundo digital que replica no detalhe o mundo físico. Por meio de sensoriamento, todos os movimentos do mundo físico serão mapeados no digital. Isso vai permitir o ser humano ter o “sexto sentido”, ou seja, antever coisas que vão acontecer com ele com a ajuda da tecnologia”, afirma José Marcos Câmara Brito. Para isso, imagem, sensoriamento e posicionamento serão tão importantes quanto a comunicação nas redes 6G, com alta capacidade computacional.

E são nesses cenários, requisitos, tecnologias de acesso, aplicações e potenciais serviços da futura rede de comunicação móvel que estão focados os pesquisadores do CRR.

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