Pular para o conteúdo principal

PARLAMENTARES COBRAM TRANSPARÊNCIA NAS CONTAS DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS


As condições dos serviços e dos veículos de transporte público de Belo Horizonte, bem como o alto índice de evasão, as gratuidades concedidas e o possível aumento de 10,5% no valor da tarifa, conforme solicitado pelas empresas de ônibus na última semana, foram discutidos em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário, na segunda semana do mês de dezembro do ano passado. 

Vereadores, movimentos sociais e especialistas defenderam a realização de uma auditoria, como forma de obterem mais transparência nas contas das empresas que operam o serviço na capital. Autor do requerimento para a audiência, o vereador Pedro Patrus (PT) lamentou a ausência de representantes da PBH e do Sindicato das Empresas de Transporte (Setra-BH).

Conforme dados do Setra-BH, o índice de evasão nos coletivos do município representa entre 5% e 50% do movimento diário, dependendo do trajeto, do horário e da região. 

De acordo com pesquisa feita pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), somente no ano de 2016, houve uma queda de 8,2% de usuários de ônibus em todo o país. Um dos motivos seria o alto índice de desemprego, associado ao valor das tarifas.

Auditoria
Uma das promessas feitas pelo prefeito Alexandre Kalil durante a campanha eleitoral foi de fazer uma auditoria das empresas de ônibus na capital mineira, o que chamou de abrir 'a caixa preta' da BHTrans. 

“De acordo com Kalil, somente depois de finalizado o processo, seria avaliada a possibilidade de aumento das tarifas de ônibus”, afirmou Patrus, lembrando que o processo para a contratação da empresa para a auditoria chegou a ser aberto, porém, foi suspenso em outubro deste ano pela Justiça, que acatou o pedido de liminar de uma ação civil pública e decidiu paralisar o a concorrência.

Para o representante do Movimento Tarifa Zero, André Veloso, o processo de auditoria traz transparência nas contas das empresas, uma vez que confirma se todos os números apresentados correspondem, de fato, às despesas pagas e receitas obtidas ao longo de um determinado período. 

“No caso da concessão do transporte público municipal, cujo valor da tarifa é ajustado de acordo com os gastos totais das empresas para operar o serviço, essas despesas correspondem à compra dos ônibus, pneus, combustível, manutenção dos veículos, salário dos motoristas, entre outros”.

Ainda de acordo com o Movimento Tarifa Zero, o aumento das tarifas atende exclusivamente aos interesses das empresas, que visam somente o lucro. 

“Enquanto a Prefeitura não entender que mobilidade urbana é questão de política pública, e não atividade lucrativa, vamos ouvir esse tipo de discurso, que coloca na conta dos idosos, dos estudantes e dos cadeirantes a responsabilidade sobre o custo da tarifa”, denunciou Veloso.

Política pública
Ex-presidente da BHTrans, João Luiz da Silva Dias esclareceu que o momento é de “estrangulamento” das políticas públicas, com falta de recursos para áreas como a saúde, a educação e a segurança pública. 

“Neste contexto, não podemos confiar que sobram recursos para o transporte público, no entanto, temos que investir no setor, e reivindicar que o valor da tarifa e a qualidade dos serviços oferecidos atendam a população em geral, uma vez que o acesso ao transporte público é um direito universal, garantidos a todos, sem exclusão”, garantiu o especialista.

Pedro Patrus (PT) lamentou a ausência de representantes da PBH e do Setra-BH, alegando que o debate ficou prejudicado pela falta de informações consideradas como essenciais pelas partes envolvidas.

Presidente da comissão, o vereador Carlos Henrique (PMN) informou que foi obtida a assinatura de 13 vereadores para a criação de uma frente parlamentar, em defesa da busca pela melhoria dos serviços fornecidos pelo transporte público da capital.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PREFEITO SANCIONA LEI DO SILÊNCIO EM LAVRAS

Até gritos de pessoas e barulhos de animais serão enquadrados como perturbação do sossego Lei sancionada por Cherem passa a vigorar a partir do dia 15 de março O prefeito de Lavras, no Sul de Minas, José Cherem (PSD), sancionou a Lei nº 4393, que dispõe sobre a perturbação do sossego.  A nova legislação é fruto do Projeto de Lei (PL) nº 4.393, de autoria dos vereadores Coronel Claret (PSD) e Marcos Possato (PSDC) e recebeu emendas da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara local. O PL 06/2017 foi protocolado no dia 19 de janeiro deste ano na Câmara Municipal e teve tramitação rápida devido ao forte lobby de um pequeno grupo de moradores de classe média alta de uma região da cidade, interessados diretamente na rotina de um grupo de repúblicas. Já no dia 30 de janeiro o projeto foi votado por unanimidade pelos parlamentares lavrenses. De uma pequena parcela interessada em sua aprovação, agora sancionado o projeto passa a afetar toda a sociedade lavrense. A ...

COPASA IMPLANTA NOVA MODALIDADE DE TARIFA SOCIAL COM DESCONTO DE 65%

Nova categoria garante maior redução na conta de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza A Copasa implantou, desde 22 de janeiro, uma nova modalidade de Tarifa Social, ampliando o alcance do benefício destinado às famílias de baixa renda em Minas Gerais. A nova categoria concede desconto de 65% nas contas de água e esgoto para famílias em situação de extrema pobreza, sem limite de consumo. Prevista pela Lei Federal nº 14.203/2021, a Tarifa Social assegura desconto na fatura mensal para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Desde dezembro de 2024, uma nova legislação federal também passou a garantir automaticamente o benefício aos contemplados pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), independentemente da condição socioeconômica. O BPC é destinado a idosos e pessoas com deficiência, incluindo crianças com transtorno do espectro autista. Seguindo critérios de composição familiar registrados no CadÚnico, o program...

AXIA ENERGIA FAZ TESTES DE ROTINA NAS SIRENES DA USINA DE FURNAS

Objetivo é assegurar a plena operação do sistema implantado nos municípios de São José da Barra , São João Batista do Glória e Capitólio O sistema de comunicação e alerta da Usina de Furnas, operada pela AXIA Energia, passará por testes acústicos entre os dias 24 e 26 de fevereiro. A ação ocorre nos municípios de São José da Barra, São João Batista do Glória e Capitólio, e conta com o apoio das defesas civis locais. A atividade faz parte do Plano de Ação de Emergência (PAE) da usina. O objetivo é assegurar o pleno funcionamento do sistema, garantindo o alcance da comunicação nas comunidades onde os equipamentos estão instalados.    De acordo com o coordenador do PAE pela AXIA Energia, Cristiano Simão , os moradores não devem se preocupar e nem modificar seu cotidiano quando ouvirem as sirenes. “Trata-se somente de um teste. A usina segue em pleno funcionamento, sem qualquer anormalidade em sua operação”, afirma.    O PAE estabelece critérios e ações de segurança para as usinas fiscal...