Pular para o conteúdo principal

LGBTI: CNJ RECONHECE IDENTIFICAÇÃO DE GÊNERO NO SISTEMA PRISIONAL


A partir de agora, as pessoas condenadas devem ser direcionadas a presídios e cadeias conforme sua autoidentificação de gênero. A medida permite que lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis ou intersexo (LGBTI) condenados e privados de liberdade possam cumprir suas penas em locais adequados ao seu gênero autodeclarado.

A decisão foi aprovada na última sexta-feira, 2, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante a 74ª sessão do Plenário Virtual. “Em um sistema penitenciário marcado por falhas estruturais e total desrespeito a direitos fundamentais, a população LGBTI é duplamente exposta à violação de direitos”, afirma o conselheiro Mário Guerreiro, relator do processo nº 0003733-03.2020.2.00.0000, que se transformou na Resolução.

A norma aprovada pelo CNJ está em conformidade com tratados internacionais ratificados pelo Brasil, com a legislação nacional relativa a Direitos Humanos e com a Constituição Federal. E vai ao encontro à proteção às minorias que o atual presidente do órgão, ministro Luiz Fux, defende como fundamental para reduzir as violações de direitos que o Estado brasileiro ainda perpetua. “Com esta nova resolução, o Brasil dá um passo importante no fortalecimento da tutela das minorias e no reconhecimento da dignidade da pessoa humana”, destaca Fux.

No Brasil, apenas 3% das unidades prisionais (36 cadeias) possuem alas destinadas ao público LGBTI, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Outras 100 cadeias possuem celas exclusivas para essa comunidade. No geral, 90% das penitenciárias não possuem cela ou ala destinada a esse público.

A nova resolução determina que a Justiça leve em consideração a autodeclaração dos cidadãos, que o sistema penal respeite seus direitos e os juízes busquem exercer a possibilidade do cumprimento de pena dos LGBTIs em presídios que possuam alas diferenciadas para essa população. As análises serão feitas caso a caso.

A regra também será aplicada aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa que se autodeterminem como parte da população LGBTI, enquanto não for elaborado lei própria, considerando-se a condição de pessoa em desenvolvimento, com as devidas adaptações, conforme previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Respeito
O reconhecimento da pessoa como parte da população LGBTI será feito exclusivamente por meio da autodeclaração, que deverá ser colhida pelo magistrado em audiência em qualquer fase do procedimento penal, incluindo a audiência de custódia, até a extinção da punibilidade pelo cumprimento da pena, garantidos os direitos à privacidade e à integridade da pessoa declarante.

Informado de que a pessoa em juízo pertence à população LGBTI, o juiz deverá informar, em linguagem acessível, os direitos que esta resolução lhe garante. O texto prevê, entre outras garantias, as visitas íntimas em igualdade de condições para essa população.

As diretrizes para elaboração da Resolução foram sugeridas após um ano de debate com membros da sociedade civil interessados no tema. “A minuta do texto levou em conta as graves situações de violência e vulnerabilidade que a população carcerária LGBTI vive, assim como a ADPF 527, quando foram identificadas violações de direitos nesses cumprimentos de pena e determinado que as presas transexuais femininas sejam transferidas para presídios femininos”, conta o juiz auxiliar da presidência do CNJ Gustavo Direito.

Assassinatos
A medida vai beneficiar principalmente a vida de mulheres trans, que sofrem graves situações de violência e discriminação dentro dos presídios masculinos. O direito à não discriminação e à proteção física e mental das pessoas LGBTI tem amparo no princípio da dignidade humana, no direito à não discriminação em razão da identidade de gênero ou em razão da orientação sexual, no direito à vida e à integridade física, no direito à saúde, na vedação à tortura e ao tratamento desumano ou cruel.

A necessidade de proteção do grupo LGBTI é reconhecida e amparada nos Princípios de Yogyakarta, aprovados em 2007 pela comunidade internacional. Apesar das leis, o Brasil lidera o ranking mundial de violência contra transgêneros, cuja expectativa média de vida, no país, é de 35 anos, contra os quase 80 anos de vida do brasileiro médio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

por Regina Bandeira - da Agência CNJ de Notícias

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ORÇAMENTO DE LAVRAS PARA 2027 É ESTIMADO EM R$ 633,5 MILHÕES

Proposta prevê alta de 6,5% sobre 2026; transferências correntes representam a maior parcela das receitas, enquanto Saúde e Educação concentram as maiores dotações destacadas. clique na imagem para ampliar A receita municipal de Lavras para 2027 foi estimada em R$ 633.497.800,60 , valor que, segundo os dados da Ata da Audiência Pública da Lei Orçamentária Anual (LOA), edição 3841 do Diário Oficial, é igual ao total das despesas fixadas. A peça orçamentária apresenta, portanto, equilíbrio entre receitas previstas e despesas autorizadas para o exercício. Na comparação anual, a estimativa para 2027 é 6,5% maior que a previsão de 2026, de R$ 594.966.351,21. Em relação à arrecadação realizada em 2025, de R$ 577.957.150,12, o avanço é de 9,6% . Já a comparação com 2024, quando foram arrecadados R$ 508.599.004,24, resulta em crescimento de 24,6% até a estimativa de 2027.   Exercício Receita total Situação informada 2024 ...

ANTT EM PERDÕES

O prefeito Teco, o vice Totonho, o presidente da Câmara Jhonny e os vereadores Luizinho e Wagão, receberam ontem os técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT), Allan Milagres e Carlos Alvisi para discutir "in loco" às modificações nos acessos em áreas prioritárias de Perdões.

ORDEM DE SERVIÇO PARA CONCLUSÃO DO HU-UFLA SERÁ ASSINADA NESTA SEXTA-FEIRA

A Universidade Federal de Lavras (UFLA) e HU Brasil, antiga EBSERH, realizam, nesta sexta-feira (25), a assinatura da ordem de serviço para início das obras de conclusão do Hospital Universitário em Lavras. A cerimônia contará com a presença do reitor da UFLA, José Roberto Soares Scolforo, e do presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde. A programação terá início às 9h30, na Sala dos Conselhos da UFLA, localizada no prédio da reitoria, e contará com pronunciamentos institucionais. Após a solenidade, será realizado o deslocamento para as futuras instalações do HU-UFLA, onde ocorrerá a assinatura da ordem de serviço, às 10h15, seguida de visita técnica às obras e entrevistas aos veículos de imprensa. Sobre a HU Brasil Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em...