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EDUCAR PARA HUMANIZAR O TRÂNSITO

Maria José Finardi*

A influência das crianças e dos jovens vai ser determinante para transformar o cenário de hostilidade e o comportamento de risco ainda presentes nas ruas e rodovias do país. O trânsito é a principal causa de morte acidental entre crianças de 0 a 14 anos e responde por cerca de 35% dos óbitos, segundo dados da ONG Criança Segura. Conforme o Ministério da Saúde, 12.299 crianças foram hospitalizadas no Brasil em decorrência de acidentes de trânsito em 2016.

Curiosamente, a faixa etária mais atingida é entre 10 e 14 anos, justamente aquelas em que a legislação já não prevê o uso de equipamentos específicos, como cadeirinhas e bebê conforto, para o transporte em veículo. Quando nos referimos a seres em formação, é essencial a atenção redobrada para garantir o transporte seguro, com a exigência do uso do cinto de segurança.

O risco é alto também para quem está na rua. As crianças ainda não têm plena capacidade para prever os perigos de um carro em movimento e associar as diferentes situações que o trânsito apresenta simultaneamente, como observar a travessia para pedestres, a indicação do semáforo e o movimento dos automóveis. Isto acontece, principalmente, pela fase do desenvolvimento cognitivo, físico e emocional em que se encontram. O adulto, por sua vez, possui uma visão panorâmica e consegue perceber uma paisagem em sua totalidade.

Assim, quando orientamos as crianças para ficarem atentos e olhar para todos os lados antes de atravessar, é bom saber que, dependendo da idade, as recomendações não surtirão efeito imediato. O modo de ver e compreender o mundo é diferente. Por exemplo, elas acreditam que, ao enxergarem o carro, também foram vistas pelo motorista, o que pode levá-las a um comportamento de risco.

Para reduzirmos as estatísticas de óbitos e internações e atingirmos um trânsito mais humano, o melhor caminho é a educação. Investimos na sensibilização e na conscientização sobre a importância de cada um assumir responsabilidades perante sua comunidade. É nesta direção que trabalhamos há 17 anos, quando começamos o Projeto Escola Arteris.

Consideramos a estratégia um sucesso. Já capacitamos mais de 17 mil professores de escolas públicas em cinco estados onde a Arteris administra rodovias: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Para engajar os jovens, o corpo docente é treinado e recebe material didático com conteúdos ilustrados e linguagem adequada, para promover interações. 

Entre os materiais utilizados pelo projeto, estão exemplares impressos da história em quadrinhos Revista do Zé Quest, que traz situações cotidianas do trânsito e mostra como a turma do Zé Quest consegue resolvê-las, seguindo orientações de como se comportar diante de cada situação. Por meio de palestras, concursos, blitz educativas, a família dos estudantes também é envolvida e, dessa forma, ampliamos o público.

Lembro-me de certa vez, no interior de São Paulo, quando o responsável pela gráfica trouxe os materiais didáticos recém-impressos e pediu para falar comigo. Recebi o rapaz e logo soube que era um pai agradecido. Contou que sua filha de oito anos estuda numa escola integrante do Projeto Escola Arteris e, ao buscá-la de carro, sinalizou que havia chegado, mas a menina não se moveu na calçada. Diante da teimosia, o pai saiu do carro e foi pessoalmente conversar com ela, ao que logo ouviu: “você parou em cima da faixa de pedestres que nós pintamos”. Ela entrou no veículo somente quando foi estacionado corretamente, em local permitido.

As crianças assimilam muito mais rápido os conhecimentos e, ao incorporá-los, levam as mensagens aos seus familiares.

Precisamos ir além dos muros escolares e pensamos em iniciativas para ampliar a abrangência das informações e atingir toda a comunidade. Assim, no futuro o aluno de hoje (pedestre, ciclista e passageiro), se optar por dirigir, terá muito mais consciência que no trânsito somos todos responsáveis e precisamos colocar em prática a plenitude da cidadania.

10 dicas
É sempre válido reforçar dez dicas básicas para a segurança dos pequenos no trânsito. Abaixo, relacionamos 10 recomendações para redução do número de acidentes, especialmente de atropelamentos.

1) Seja o exemplo para a criança: respeite as leis de trânsito e sempre atravesse a rua pela faixa de segurança.
2) Se a opção é uma passarela, escolha a mais próxima; não tenha preguiça de ir até ela e utilizá-la.
3) Se estiver de bicicleta diante de uma passarela, desça e empurre-a na hora de atravessar.
4) Ao cruzar uma via, esteja atento ao entorno e dispense o fone de ouvido, assim como joguinhos e outros usos do celular.
5) Ao realizar uma travessia, os adultos devem segurar o pulso da criança, em vez de dar-lhe a mão. Esta atitude evita o risco de ela se desvencilhar abruptamente.
6) Ao desembarcar de um ônibus, espere o mesmo se afastar para então atravessar a via.
7) Cuidado com a saída de garagens.
8) Peça para as crianças terem atenção especial com carros que estão virando em uma rua ou dando ré.
9) Até os 10 anos de idade, as crianças devem ocupar o banco de trás com dispositivos como cadeirinha, bebê conforto e similares, conforme legislação.
10) As crianças no trânsito devem estar sempre acompanhadas por um adulto.

*Maria José Finardi é coordenadora de Sustentabilidade da Arteris S.A e responsável pelo Projeto Escola Arteris desde a sua criação em 2001. A Arteris é uma das maiores companhias do setor de concessões de rodovias do Brasil, com mais de 3.400 km em operação. 

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