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FICHA DIGITAL DE HÓSPEDES ENTRA EM FASE OBRIGATÓRIA E JÁ ESTÁ DISPONÍVEL EM 20% DOS HÓTEIS DO PAÍS

Sistema desenvolvido pelo Serpro para o Ministério do Turismo muda a forma como o check-in é realizado no país e exige adaptação da rede hoteleira para mais segurança nos dados do cidadão


A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato 100% digital passou a ser obrigatória para meios de hospedagem em todo o país. A implementação, iniciada em novembro de 2025, entra agora em fase obrigatória e exige adaptação operacional e tecnológica dos estabelecimentos, com diferentes níveis de complexidade conforme o porte e a estrutura dos empreendimentos. 

Desenvolvido pelo Serpro para o Ministério do Turismo, o sistema substitui o formulário em papel por uma plataforma integrada ao Gov.br e altera a dinâmica do check-in em todo o setor. Os dados mais recentes indicam que a adesão ainda se concentra em cerca de 20% dos estabelecimentos cadastrados no Cadastur. Ao todo, pouco mais de 4 mil empreendimentos já operam com o novo modelo, em um universo superior a 19 mil. 

“Nosso objetivo central é o bem-estar do viajante. Com a Ficha Digital de Hóspedes, estamos acabando com as filas e oferecendo um acolhimento muito mais digno e seguro nos meios de hospedagem de todo o país. Com a adesão ao sistema, a própria hotelaria ganha uma gestão mais inteligente e reduz custos operacionais”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. 

Além de reduzir filas, o modelo elimina o uso de papel e diminui o tempo médio de atendimento na recepção. Importante destacar que os hóspedes estrangeiros também podem utilizar o sistema sem necessidade de conta Gov.br, mantendo o fluxo de atendimento. 

Como funciona na prática para o hóspede 

A principal mudança está na antecipação do check-in, que deixa de ser um processo exclusivamente presencial. Na prática, o fluxo passa a ser dividido em duas etapas: 

Antes da chegada 

  • o hóspede recebe um link ou QR Code 
  • acessa a plataforma digital via Gov.br
  • preenche seus dados pessoais com antecedência 

No momento do check-in 

  • valida as informações 
  • conclui o processo em poucos segundos, sem preenchimento manual 

O que muda para hotéis e pousadas

A adaptação ao sistema não ocorre de forma uniforme e depende diretamente do nível de digitalização de cada estabelecimento. 

Hotéis com sistema de gestão (PMS) 

A integração é feita por meio de APIs, que conectam automaticamente os sistemas do hotel à plataforma nacional. Após a geração de uma chave de acesso, o envio dos dados passa a ser contínuo e automático, eliminando retrabalho e digitação manual. 

“Na prática, a API funciona como uma ponte entre o sistema do hotel e a plataforma do governo. Isso permite que os dados sejam enviados automaticamente a cada operação, sem intervenção manual, reduzindo erros e garantindo consistência das informações ao longo de todo o processo”, detalha o presidente do Serpro, Wilton Mota. 

Hotéis e pousadas sem sistema próprio 

Para esse público, o sistema oferece um módulo de gestão integrado. Nele, é possível cadastrar reservas, realizar pré-check-in e concluir check-in e check-out diretamente na plataforma, sem necessidade de contratação de softwares externos. 

Tudo pode ser feito em ambiente único, sem custo adicional de tecnologia para os estabelecimentos. “A proposta é justamente garantir que a transformação digital alcance todo o setor, independentemente do porte do empreendimento, sem criar barreiras de entrada ou custos adicionais”, complementa Mota. 

O que não muda?

O envio de informações ao governo federal já era uma obrigação do setor, anteriormente realizado por meio de formulários físicos e processos manuais. Com a digitalização, o fluxo passa a ser automatizado e estruturado em tempo real, reduzindo inconsistências e ampliando a capacidade de análise sobre o perfil dos turistas e a ocupação da rede hoteleira. 

“Não se trata de uma nova coleta de dados, mas de uma mudança na forma como essas informações são tratadas. O que antes dependia de preenchimento manual e consolidação posterior passa a ocorrer de forma automática, com mais qualidade e velocidade para apoiar as políticas públicas de Turismo no Brasil”, analisa o presidente do Serpro. 

O que acontece com quem não aderir

A obrigatoriedade está vinculada ao Cadastur. E isso significa que: 

  • o envio das informações depende da regularidade do cadastro 
  • estabelecimentos irregulares podem ter o envio bloqueado 
  • a não adequação pode gerar processos administrativos 
  • há previsão de advertência e multa 

A adaptação, portanto, deixa de ser opcional e passa a ter impacto direto na operação dos meios de hospedagem. 

Infraestrutura digital

A FNRH Digital opera sobre uma arquitetura integrada de serviços públicos digitais, conectando sistemas privados e bases governamentais em escala nacional. 

Desenvolvida pelo Serpro, a solução combina APIs, módulos de gestão e integração com o Gov.br para viabilizar o fluxo contínuo de dados entre os meios de hospedagem e o Ministério do Turismo. 

O modelo garante escalabilidade, segurança e padronização das informações, consolidando uma infraestrutura digital que sustenta a operação do setor e a formulação de políticas públicas baseadas em dados. 

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