Pular para o conteúdo principal

BARREIRAS AINDA LIMITAM ACESSO DE PESSOAS TRANS AO MERCADO DE TRABALHO FORMAL

 MPT-MG e Defensoria lançam nota com orientações para contribuir para promover inclusão e combater a discriminação

Belo Horizonte (MG) - Direitos como o uso do nome social, o respeito à identidade de gênero e o acesso a ambientes de trabalho livres de discriminação já possuem respaldo legal no Brasil. O desafio está em transformar essas garantias em práticas concretas. Com esse objetivo, o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) e a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) lançaram, nesta quarta-feira, 17 de junho, em Belo Horizonte, uma Nota Pública conjunta que traduz a legislação que trata da inclusão de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho.


Apresentado durante evento realizado no auditório da Defensoria Pública de Minas Gerais, o documento reúne orientações sobre direitos, deveres e boas práticas relacionados à contratação e à inclusão de pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ no ambiente profissional. A nota pública é uma importante referência para empresas e gestores. Reúne e sistematiza informações sobre temas como uso do nome social, respeito à identidade de gênero, prevenção ao assédio e garantia de ambientes de trabalho inclusivos

Dados enfatizam o baixíssimo índice de empregabilidade para esses profissionais. Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgada em 2025, apenas 25% das pessoas trans possuem emprego formal. A renda média mensal desse grupo é de R$ 2.707, cerca de 32% inferior à média nacional. Mesmo entre aquelas que concluíram o ensino superior, os rendimentos permanecem 27,6% menores do que os recebidos por pessoas cisgênero. A pesquisa também aponta que pessoas trans ocupam apenas 5,5% dos cargos no serviço público.

O procurador do Trabalho Hermano Domingues destacou que além de apurar denúncias e responsabilizar empregadores em casos de discriminação, o MPT também desenvolve ações de orientação voltadas à promoção da inclusão e à disseminação de informações sobre direitos da população trans.

A atuação do órgão combina ações de fiscalização e promoção de direitos: "atuamos tanto de forma promocional, por meio de palestras e articulação social, como também de forma repressiva, por meio dos inquéritos e de ajuizamento de ações judiciais."

A defensora pública Mônica Alves da Costa Franco destacou que a exclusão do mercado de trabalho está frequentemente associada a processos anteriores de discriminação, especialmente no ambiente escolar. Segundo ela, as dificuldades de acesso à educação e à qualificação profissional acabam produzindo desigualdades que se refletem nas oportunidades de emprego.

A programação contou ainda com uma mesa de debates com representantes do movimento social e do setor produtivo, incluindo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG).

A representante do movimento Mães pela Liberdade, Edwiges Lempp, (Hedy), enfatizou a importância do apoio familiar para a estruturação da vida: "a família também precisa sair do armário, porque não é só filho que sai do armário não, a família também tem que sair junto, tem que estar presente, tem que estar acompanhando, isso é muito importante".


Outros participantes da mesa de entidades, o vice procurador-chefe do MPT, Hudson Machado Guimarães, o defensor público Vladimir de Souza Rodrigues e a defensora pública, Cibele Maffia Lopes, representando a corregedora-geral da defensoria Pública de Minas Gerais, também destacaram a importância da nota pública e seu papel na luta pelos direitos das pessoas trans e travestis: "E essa parceria da Defensoria com o Ministério Público do Trabalho, no lançamento dessa nota, que é tão significativa, para o cumprimento do nosso papel de promoção da redução das desigualdades, do cumprimento dos direitos humanos. Então, apenas dizer da nossa alegria de poder estar aqui, no lançamento dessa nota, tão importante para todos nós", complementou Cibele Maffia.

Ao reunir instituições públicas, representantes do setor produtivo e movimentos sociais, a iniciativa busca ampliar o acesso à informação sobre direitos e contribuir para a redução das barreiras que ainda dificultam a inclusão de pessoas trans e travestis no mundo do trabalho. Mais do que apresentar obrigações legais, a nota pública pretende oferecer referências práticas para que empresas e organizações possam contribuir para a efetivação dos princípios de igualdade e não discriminação previstos na legislação brasileira.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

REDAÇÃO DE ALUNO DE TRÊS CORAÇÕES É SELECIONADA NO "EPTV NA ESCOLA"

“A Fábrica Perfeita” foi uma das redações selecionadas no Projeto EPTV na Escola 2022. A redação é do aluno Leonardo Viana de Souza, da Escola Municipal Professora Henriqueta Gomes de Três Corações, no Sul de Minas. A redação aborda sobre o tema “Por que acreditamos que o mundo virtual é real?”, conforme critério estabelecido pelo projeto que tem apoio das Secretarias Municipais de Educação e Superintendências Regionais de Ensino. Leonardo, de 14 anos, cursa o 9º ano e sempre gostou de literatura e português. Ele é aluno da professora Thaiza Helena Moura e sonha, um dia, em ser médico. Filho de Amanda Viana e de Lúcio Mauro de Souza, mora no bairro Nossa Senhora Aparecida. Incentivado pela professora e com o apoio dos pais, Leonardo disse aceitar o desafio de participar do concurso e fez o texto, de acordo com o que ele percebia, no dia a dia, em conversas com amigos que utilizam as redes sociais: “Minha maior inspiração é o desejo de expressar que todos temos valores, independente das...

CAFÉ BOM DIA DUPLICA PRODUÇÃO EM VARGINHA

Maior exportadora de café industrializado do País, a mineira Café Bom Dia, responsável por mais da metade dos embarques de café torrado e moído para o exterior, especialmente para a América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia, vai duplicar a sua capacidade produtiva. Nos próximos anos, a produção da fábrica, localizada em Varginha, no Sul de Minas, deve passar para 260 toneladas por dia. O plano de expansão é motivado pelo aquecimento dos negócios. Desde 2007, as vendas da Café Bom Dia, tanto para o mercado externo quanto para o doméstico, cresceram em torno de 14% ao ano, o dobro da média do setor. "No mercado externo, o potencial é enorme", diz Sydney Marques de Paiva, presidente da empresa, que emprega 450 funcionários e é dona de sete fazendas de café em Minas Gerais. Segundo ele, a participação do Brasil no mercado mundial de café não chega a 1%, a despeito de sua condição de maior produtor mundial do grão. Alemanha e Itália lideram as exportações do produto industr...

CEMIG INVESTE R$ 54,4 MILHÕES PARA FORTALECER SISTEMA ELÉTRICO DE POUSO ALEGRE

Nova subestação amplia capacidade de atendimento à cidade que registra o maior crescimento de clientes da companhia e reforça fornecimento para importantes indústrias da região A Cemig realizou, nesta quinta-feira (2/7), uma visita técnica à subestação Pouso Alegre 5, empreendimento que integra o maior ciclo de investimentos da história da companhia e recebeu R$ 54 milhões em investimentos entre a construção da nova unidade e as obras complementares. O empreendimento amplia significativamente a capacidade do sistema elétrico da região e prepara a infraestrutura para acompanhar o crescimento acelerado de Pouso Alegre, município que atualmente registra a maior expansão de clientes da Cemig em Minas Gerais. A nova subestação híbrida, energizada em dezembro passado, possui potência instalada de 50 MVA e atende diretamente o município de Pouso Alegre, que possui mais de 152 mil habitantes. Além de aumentar a confiabilidade do fornecimento para residências, comércios e serviços, o empreendim...