Só no primeiro semestre deste ano, cerca de 36 pacientes já foram atendidos
Belo Horizonte (MG) - Movimentos e esforços repetitivos, exposição a ruídos sem os devidos cuidados, posturas inadequadas e exposição a situações constantes de estresse podem gerar ao longo do tempo desconforto físico, dor, rigidez, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (tendinites, tenossinovites, entre outras), transtornos do sono, ansiedade de performance, distonia focal, zumbido e perda auditiva, problemas de saúde muito comuns em quem trabalha e vive da arte. A crença de que sentir dor faz parte da profissão leva músicos, bailarinos e dançarinos, dentre outros artistas, a não buscarem o cuidado especializado, deixando que a situação se agrave ou se torne crônica.
Em Belo Horizonte (MG), o Hospital das Clínicas da UFMG, que integra a Rede HU Brasil, oferece pelo Sistema Único de Saúde um serviço pioneiro no Brasil para tratamento de doenças ocupacionais de artistas. Só no primeiro semestre deste ano, cerca de 36 pacientes já passaram pelo programa, obtendo melhora clínica e aprendendo a se cuidar melhor.
O tratamento é dividido em sessões individuais e coletivas, de acordo com as necessidades de cada paciente. “O objetivo é identificar a relação entre as queixas e a atividade do artista para definir condutas para a melhora do quadro. Após a avaliação, oferecemos assistência terapêutica, em que damos orientações e exercícios para que o paciente possa ativar a consciência do próprio corpo”, explicou a terapeuta ocupacional Ronise Costa Lima, uma das fundadoras do programa.
Há ainda sessões coletivas para aquisição de autonomia que o artista aprenda a se cuidar melhor, identificando o que está causando a dor e evitando que o problema continue. O Grupo de Autogerenciamento do Artista acontece uma vez ao ano e aborda aspectos como consciência do padrão respiratório, relaxamento fisiológico e muscular progressivo; percepção da flexibilidade do corpo; consciência postural em performance, controle da ansiedade de performance e elaboração das estratégias para antes e depois da prática musical.
O médico e pianista João Gabriel Marques Fonseca integra a equipe do Ambulatório de Atenção Integral à Saúde do Artista de Performance e explica que, em média, um músico pratica cerca de 4h a 6h por dia.” O grande trabalho que fazemos aqui é de consciência postural”, pontuou.
O músico profissional Cristhian Magalhaes, 48, buscou ajuda da equipe do ambulatório do Hospital das Clínicas da UFMG/HU Brasil depois de uma dor no polegar esquerdo em março deste ano. “Eu comecei a sentir dor na mão esquerda, principalmente no polegar. E teve um dia que eu acordei e não consegui tocar o instrumento. Estava com muita dor e não conseguia tocar. Passaram-se uns dias, eu esperei e não passou. Aí eu comecei a ficar desesperado, porque eu vivo disso, né?”, contou.
Ele foi diagnosticado com tenossinovite estenosante, também chamada de "dedo em gatilho", uma inflamação dos tendões flexores e de suas bainhas nas mãos. Já são quase quatro meses de acompanhamento e ele já está praticamente curado. “É um atendimento direcionado para a saúde do músico. Essa experiência deles (profissionais) com o artista agilizou muito. Se eu estivesse fazendo o tratamento convencional, ia demorar bem mais”, disse.
Como funciona
O Ambulatório de Atenção Integral à Saúde do Artista de Performance conta com uma equipe multidisciplinar, composta por médicos – clínico, otorrinolaringologista e médico do trabalho -, terapeuta ocupacional, músico da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG e um grupo de assessores médicos – ortopedista, psiquiatra e pneumologista, que busca identificar as queixas e o nexo ocupacional. A média de espera é de 1 a 3 meses. Todo o tratamento é realizado pelo SUS.
Serviço:
Serviço Especializado em Saúde do Trabalhador (SEST)
Ambulatório Bias Fortes/HC-UFMG/HU Brasil
Alameda Álvaro Celso - 175 - Santa Efigênia
(31) 3409-9564
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